Mamíferos - ONÇA-PARDA
Conhecida também como puma, suçuarana, onça-vermelha e leão-da-montanha, além de outros nomes, a onça-parda é o segundo felídeo mais pesado existente em todo o continente americano, e o quarto no mundo, perdendo apenas para o tigre, o leão e a onça pintada, ou jaguar. Quando adulto esse animal tem em média 75cm de altura, pesa de 50 a 70kg (machos) e de 35 a 50kg (fêmeas), chega a medir mais de um metro de comprimento (desconsiderada a cauda, cujo comprimento varia de 61 a 63cm), só perde em tamanho para a onça pintada, e é um dos melhores saltadores entre os felinos, podendo cobrir, em um único salto, até 6 metros de distância, ou pular para o chão de alturas que chegam a 15 metros, o que lhe facilita a captura das presas que busca para alimentar-se.
É um animal solitário e de atividade noturna. Tem a cabeça arredondada e relativamente pequena para o seu porte físico, pescoço curto e corpo esbelto, olhos grandes, farto bigode, garras poderosas e pêlo cujo comprimento varia conforme o local em que vive, podendo ir de curto a muito longo, dependendo do clima de seu habitat ser mais quente ou mais frio (os espécimes de clima frio geralmente são maiores que os de clima quente). Possui cinco dedos nas patas da frente, e apenas quatro, nas patas traseiras. Ao invés de mover toda a cabeça para localizar a origem de um som que ouça, a onça-parda gira a parte externa das orelhas, ou pavilhões (da mesma forma como fazem o veado, o antílope e até mesmo o cachorro doméstico) o que lhe permite saber quase imediatamente de onde vêm as ondas sonoras captadas por seu sistema auditivo, levando-o a afastar-se no mesmo instante se achar que possa estar correndo perigo. A sobrevivência desses animais depende em grande parte, portanto, da sensibilidade e direcionamento de suas orelhas.
Os ancestrais comuns da onça-parda e outros felídeos migraram da Ásia para a América através da ponte de Bering, porção de terra firme que aflorou à superfície entre 35 e 12 mil anos atrás, durante uma glaciação que teria feito o mar descer cerca de 50 metros abaixo do nível normal, ligando, dessa forma, a Sibéria ao Alasca. Posteriormente, linhagens sucessivas desses felinos foram se espalhando pelo território americano e invadiram a América do Sul através do istmo do Panamá, descendo até a Patagônia. Uma de suas características é a capacidade de adaptar-se facilmente aos mais diferentes ambientes naturais, como florestas tropicais e subtropicais, caatinga, cerrado, pantanal, desertos e montanhas.
A onça-parda caça sozinha, como a maioria dos felinos, tocaiando suas vítimas em todos os tipos de terreno, do Canadá à Patagônia. Sua estratégia de esconder-se até chegar bem perto da presa, para abatê-la, funciona melhor se estiver sozinha, sendo essa uma das razões pelas quais evita a companhia das de sua espécie. Cada felino tem seu próprio território, onde os sinais de entrada proibida são demarcados com urina, excrementos, arranhões e secreções da glândula anal espalhadas nas árvores. Embora o tamanho dessas áreas seja variável, pois dependem do terreno, vegetação e abundância das presas, elas são grandes o bastante para fornecer comida suficiente ao felino, podendo estender-se, no verão, por maiores extensões.
Onde as presas são abundantes, as áreas individuais podem coincidir às vezes completamente, mas apesar disso os felinos que dividem um mesmo território evitam encontrar-se o mais que podem, preferindo não brigar porque precisam manter-se em forma para garantir a própria sobrevivência.
Hábil predadora, as suçuaranas incluem em sua dieta alimentar desde ratos, lebres, macacos, porcos-do-mato, pacas e capivaras, até mamíferos selvagens de maior porte, como veados. Mas devido a constante e acelerada destruição que os homens vêm realizando em seu habitat, transformando-o em pastagens ou áreas de cultura, e com isso espantado e afastando as suas presas naturais, elas estão sendo forçadas a invadir propriedades rurais, e até mesmo urbanas, em busca de alimento, atacando as criações de bovinos e aves de sítios e fazendas localizadas nos arredores da cidade. Em represália, os proprietários menos conscientes acabam matando a onça-parda em defesa de suas criações, reduzindo ainda mais a população desses felinos, o que já colocou a espécie na lista das que estão em risco de extinção. Dois dos hábitos da onça-parda facilitam sua eliminação pelos homens que saem à sua procura: como costuma guardar a carcaça dos animais que abate para servir-se delas em outra oportunidade, estas podem ser envenenadas pelos caçadores que descobrirem esses esconderijos; além do mais, ao ser acuada por cães a onça-parda normalmente sobe em alguma árvore, e nessa situação é morta a tiro sem a menor dificuldade.
Normalmente ela procura viver em regiões que tenham densa vegetação rasteira e áreas rochosas que lhe permitam espreitar e atacar de surpresa, mas também podem viver em áreas abertas. Na estação de acasalamento os encontros são necessários, e os sinais usados para proibir a entrada de outras onças podem também anunciar aos machos da área que uma fêmea está no cio. Resulta daí que quando ela está receptiva, esses sinais podem levar a um curto período de socialização. O cio da onças-pardas dura de 3 a 4 dias, com intervalos de 23 dias, e a gestação vai de 90 a 96 dias, nascendo de 1 a 6 filhotes, que pesam de 200 a 400 gramas cada, todos apresentando uma pelagem pintada que desaparece por volta dos seis meses de vida. Eles mamam durante doze semanas ou mais, mas por volta de um mês e meio de vida já começam a alimentar-se com carne. Na América do Sul os nascimentos acontecem entre fevereiro e junho. As fêmeas atingem maturidade sexual depois de 30 meses e os machos aos 36 meses.
Os adultos da espécie não urram, emitindo apenas silvos estridentes que mais se assemelham a um miado. Estando sozinhas, essas onças geralmente não oferecem perigo ao ser humano, mas quando as fêmeas da espécie se encontram cuidando dos filhotes, qualquer aproximação deve ser evitada, já que elas poderão se sentir ameaçadas e em razão disso atacar a quem chegar mais perto, para defender a si e à sua ninhada. Quando em cativeiro, a onça-parda pode viver até 20 anos.





