Greco-romana - HÉRCULES

A figura de Hércules, aclamado como herói e depois adorado como deus, talvez corresponda originalmente a uma figura histórica cuja bravura militar ensejou a lenda homérica de que venceu a morte.

 

Filho de Zeus, senhor dos deuses, e de Alcmena, mulher de Anfitrião, Hércules foi concebido para tornar-se grande herói. Um engenhoso estratagema de Zeus gerou essa oportunidade: ele visitou Alcmena caracterizado como Anfitrião, enquanto este combatia o rei de Tafos para vingar afronta à família da esposa. Depois disso, Hera, esposa de Zeus, enciumada com o nascimento de Hércules, enviou duas serpentes para matá-lo no berço, mas com sua força prodigiosa o herói as destruiu. Casado com Mégara, Hércules, num acesso de fúria provocado por Hera, matou-a e aos três filhos. Para expiar esses crimes ofereceu seus serviços a Euristeu, que o incumbiu das tarefas conhecidas como "Os 12 Trabalhos de Hércules", a saber:

 

1 - estrangulou um leão de pele invulnerável que aterrorizava o vale de Neméia.

 

2 - matou a hidra de Lerna, monstro de muitas cabeças.

 

3 - capturou viva a corça de Cerinéia, de chifres de ouro e pés de bronze.

 

4 - capturou vivo o javali de Erimanto.

 

5 - limpou os estábulos de três mil bois do rei Augias, da Élida, não cuidados durante trinta anos.

 

6 - matou com flechas envenenadas as aves antropófagas dos pântanos da Estinfália.

 

7 - capturou vivo o touro de Creta, que lançava chamas pelas narinas.

 

8 - capturou as éguas antropófagas de Diomedes.

 

9 - levou para Edmeta, filha de Euristeu, o cinturão de Hipólita, rainha das guerreiras amazonas.

 

10 - levou para o rei de Micenas o imenso rebanho de bois vermelhos de Gerião.

 

11 - recuperou as três maçãs de ouro do jardim das Hespérides, por intermédio de Atlas, que sustentava o céu sobre os ombros e executou por ele esse trabalho, enquanto Hércules o substituía.

 

12 - apoderou-se do cão Cérbero, guardião das portas do inferno, de três cabeças, cauda de dragão e pescoço de serpente.

 

O mitólogo Márcio Pugliesi, em Mitologia Greco-Romana, atribui a Hércules muitas outras façanhas, sendo uma delas a luta contra os centauros. Segundo a lenda, quando o herói caçava o javali de Erimanto, foi recebido pelo centauro Folo, que lhe serviu lauta refeição. Após comer, o herói pediu que lhe fosse servida bebida. Folo mantinha em sua posse uma jarra de vinho, presente de Baco, mas esta só poderia ser aberta com a presença de todos os membros da comunidade. O anfitrião recusou-se a fazê-lo, mas acabou convencido por Hércules a partilhar da bebida. O odor do vinho espalhou-se, os centauros ficaram furiosos por terem sido esbulhados e por isso atacaram, e na luta que se seguiu muitos deles morreram, inclusive Folo. Durante a batalha, Quiron, o mais famoso deles, foi ferido por uma flecha que lhe provocou grande sofrimento. Ele era imortal, e por isso a dor não lhe dava descanso. Então, desejando livrar-se dela, ele obteve de Prometeu a mortalidade, cedendo-lhe, em troca, a sua imortalidade. Após a sua morte, virou a constelação de Centauro.

 

Hércules realizou outros atos de bravura e participou da viagem dos argonautas em busca do velocino de ouro. No fim, casou-se com Dejanira, que involuntariamente lhe causou a morte ao oferecer-lhe um manto impregnado de sangue mortal, que ela acreditava ser o filtro do amor. O corpo de Hércules foi transportado ao Olimpo, onde se reconciliou com Hera e casou-se com Hebe, deusa da juventude. Sobre esta passagem, diz Mário Pugliesi que mal o herói envolveu-se no manto, o veneno que ele continha espalhou-se pela sua circulação e pareceu penetrar até a medula dos seus ossos. “Ele tentou arrancá-la de si, mas ela estava aderida à sua pele; à medida que a rasgava, lacerava também a epiderme e as carnes”. Vendo-se perdido, Hércules preparou uma fogueira sobre o monte Eta, estendeu a pele do leão de Neméia, deitou-se sobre ela, usou a clava como travesseiro e pediu a seu amigo Filocteto que ateasse fogo e guardasse as cinzas. Ao acender o fogo um raio teria consumido o que havia de mortal no herói, que teria sido então arrebatado por seu pai, levado aos céus, e transformado num semideus.

 

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