Antigas - MAUSOLÉU DE HALICARNASSO

Em 377 antes de Cristo, a Caria era um pequeno reino na costa sudoeste da Anatólia - península da Ásia Menor banhada pelo mar Egeu, e que hoje faz parte da Turquia. Naquele ano o seu rei, Hecatômno de Milas, morreu, deixando a coroa para o filho Mausolo. Subindo ao trono, este tomou sua irmã Artemísia como esposa, porque um dos costumes locais permitia aos reis desposarem suas irmãs a fim de preservarem o poder e a riqueza da família. O reinado de Mausolo durou 24 anos, e ao longo desse período o monarca realizou uma série de obras que visavam o embelezamento de Halicarnasso, a cidade para onde ele transferira a capital dos seus domínios, e que desejava tornar tão difícil de capturar quanto magnífica de se ver.

 

Assim pensando, Mausolo promoveu uma série de obras: aprofundou o canal marítimo de acesso à cidade, calçou praças e ruas, e construiu um palácio fortificado ao lado do porto, onde podiam ser vistos o mar e as colinas próximas, por onde possíveis inimigos certamente chegariam para atacá-lo. Além disso, levantou muralhas e torres de guarda, um teatro em estilo grego e um templo para Ares, o deus grego da guerra, além de outros templos e edifícios embelezados com mármore e estátuas trazidas de diversos lugares, gastando nessas obras uma soma gigantesca provinda da arrecadação de impostos. Além disso, Mausolo também pretendia erguer no centro de Halicarnasso um lugar onde os seus restos mortais, e os da rainha, pudessem repousar em paz.

 

Mas ele morreu em 353 antes de Cristo, sem conseguir transformar seu projeto em realidade. Inconformada com o desaparecimento do esposo e irmão, a rainha Artemísia decidiu construir-lhe o mais esplêndido túmulo do mundo então conhecido, para que sua lembrança jamais se apagasse da memória dos homens. E essa construção tornou-se tão famosa que o nome de Mausolo acabou se associando a todas as tumbas suntuosas através do termo moderno: mausoléu. A construção era também tão bela e única, que o escritor romano Plínio, O Moço (62-113), ao se referir a ela, classificou-a como “um suntuoso monumento sustentado por 36 colunas”.

 

Decidida a realizar o desejo que o marido alimentara em vida, Artemísia procurou na Grécia os artistas de que precisava, conseguindo contratar não só os escultores mais famosos da época, mas também centenas de outros artesãos. O local escolhido para o levantamento da tumba foi uma colina da qual se avistava a cidade, e nesta demarcou-se um pátio fechado com 1.200 metros quadrados, em cujo centro construiu-se a estrutura. Uma escada com 24 degraus, ladeada por estátuas de leões de pedra levava ao topo da plataforma, que tinha ao longo da sua parede exterior, muitas esculturas representando deuses e deusas, enquanto em cada canto da construção, estátuas de guerreiros à cavalo aparentemente vigiavam os arredores. A tumba, propriamente dita, ficava no centro da plataforma, um bloco quadrado com 15 metros de altura, um terço da altura do mausoléu (45 metros). Esta seção era coberta de figuras em relevo mostrando cenas da mitologia grega, como a batalha dos centauros com os lapitas, ou a luta dos gregos com as amazonas, e em seu topo, trinta e seis colunas delgadas, nove em cada um dos lados, erguiam-se por outro terço da altura, separadas por estátuas colocadas entre cada uma delas. Por trás das mesmas, suportes sustentavam o telhado em formato de pirâmide, com mais um terço final da altura, encimado por quatro cavalos puxando uma biga com imagens de Mausolo e Artemísia.

 

O mausoléu de Halicarnasso, considerado por Antípatro de Sídon como uma das suas sete maravilhas do mundo antigo, foi destruído provavelmente por um terremoto, em algum momento entre os séculos 11 e 15. As pedras que sobraram após a destruição acabaram sendo aproveitadas na construção de edifícios locais. Em 1522, rumores de uma invasão iminente turca assustaram de tal maneira a população da cidade (então chamada Bodrum), que esta tratou de reforçar o castelo ali existente. Foi quando a maior parte do restante da tumba foi desmanchado, e o material usado nas muralhas da fortificação.

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