Batráquios - SAPO-PARTEIRO
O sapo-parteiro é um anfíbio pertencente à família Discoglossidae e está incluído em subordem que possui dois gêneros, Alytes e Discloglossus. A primeira abrange sapos que vivem preferentemente em terra, enquanto a segunda conta com representantes de pele mais lisa e aspecto de rã, que preferem a vida na água. Ambos são encontrados em países da Europa Ocidental (Alemanha, Espanha, Bélgica, França, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Reino Unido), e também no noroeste da África, tendo como habitat natural as florestas e pradarias, embora também possam ser vistos em áreas urbanas.
Os sapos-parteiros machos (Alytes obstetricans) têm cerca de cinco centímetros de comprimento (as fêmeas são pouco maiores) e pés parcialmente palmados (seus dedos são unidos por uma membrana). De hábitos noturnos, eles costumam sair apenas à noite do esconderijo onde se abrigam, quando então cuidam de procurar os vermes, as centopéias, moscas, aranhas, moluscos e insetos que lhes servem de alimento, retornando ao refúgio pouco antes do amanhecer. Sua cabeça é grande, em relação ao corpo, os olhos também grandes e de cor cinzenta semelhante à que predomina em seu dorso (que apresenta verrugas alaranjadas), ao passo que o ventre tem um tom amarelo-claro ou esbranquiçado.
Para protegerem-se eles procuram pedras sob as quais possam ficar convenientemente escondidos dos predadores (especialmente cobras e corujas), ou então cavam buracos com as patas traseiras (que são apropriadas para isso), e neles se enterram com freqüência. Como não suportam o calor demasiado ou a baixa umidade do ar, costumam ficar protegidos dessa forma durante os meses mais quentes do ano, em estado de estivação (letargia em que caem certas espécies animais durante o estio, e que as capacita a sobreviver ao tempo quente e seco), só reaparecendo quando as primeiras chuvas de outono começam a cair, e a temperatura ambiente se torna mais amena, em torno dos 15° centígrados.
O período de reprodução desses animais ocorre entre os meses de fevereiro e julho, e como o acasalamento entre eles só se realiza à noite, e em lugares bem escondidos, a observação desse encontro não é feita com facilidade, embora se saiba que ele acontece de forma mais rápida quando comparada com a de outras espécies de sapos. Relatos a esse respeito esclarecem que o macho, depois de atrair a fêmea com seu canto assemelhado a um conjunto de assobios, a abraça pelas costas e envolve seu corpo com as patas traseiras, ajudando-a a eliminar os óvulos envolvidos por uma espécie de cordão gelatinoso. Em seguida o macho os cobre primeiramente com esperma (para fertilizá-los), e depois urina sobre eles – para fazer inchar a proteção gelatinosa, tornando-a mais eficiente.
Ato contínuo ele pendura o cordão de ovos fertilizados nas patas traseiras, coloca-os sobre as costas e os transporta dessa forma durante o período de incubação, que dura de 20 a 28 dias. Mas durante esse espaço de tempos é possível que ele venha a se encontrar com mais duas ou três fêmeas, e assim juntar outros ovos ao primeiro lote, o que pode elevar o número deles para quase uma centena.
Ao chegar a época da eclosão o sapo-parteiro procura os lugares de águas tranqüilas e poças formadas pelas pancadas de chuva em depressões do terreno ou na grama, e ali deposita a sua carga, que embora contenha um número menor de ovos que a da maioria dos anfíbios, tem assegurada a sobrevivência da maior parte dos seus descendentes. Ao nascerem, os girinos são essencialmente herbívoros (alimentam-se de pequenas plantas e restos vegetais), mas com o correr dos dias vão sofrendo diversas metamorfoses, até se tornarem adultos.
O canto dos sapos-parteiros machos pode ser ouvido de forma mais ou menos contínua no período que vai do mês de outubro a maio, sobretudo ao entardecer e início da noite. Eles podem ser observados principalmente durante as primeiras horas noturnas, em caminhos, estradas ou perto de poças d’água, o que acontece com maior freqüência após ter chovido ou em dias em que o ar se encontre muito úmido.
Muito embora esses anfíbios ainda não estejam incluídos na lista de animais considerados como em risco de extinção, fatores como a destruição ou alteração das zonas úmidas que lhes servem de habitat, além do contínuo e acelerado desaparecimento das matas e bosques, representam para eles uma ameaça crescente à sobrevivência da espécie.





