Batráquios - SAPOS ANÕES

Brachycephalidae é o nome científico de uma família de anfíbios da ordem anura, de pequeno tamanho (entre 1 e 5 centímetros) e colorido brilhante, que se acreditava ser composta por seis espécies encontradas no sudeste brasileiro, entre elas a do sapo-pulga (Brachycephalus didactylus), com apenas 10mm de comprimento, a do sapinho dourado (Brachycephalus ephippium), com 20mm de comprimento, e a da pulga-rã (Brachycephalus hermogenesi), que não chega a atingir 10mm de comprimento.

 

Recentemente, duas novas espécies dessa família foram descobertas por pesquisadores brasileiros na serra do Mar, no Paraná, recebendo os nomes científicos de Brachycephalus ferruginus e Brachycephalus pombali. Segundo descrição dos descobridores, os dois animais têm 10 milímetros de comprimento (não são maiores que a unha de uma pessoa adulta), quase não saltam (pois são predominantemente andarilhos), vivem e se reproduzem unicamente nas áreas mais elevadas daquelas montanhas, entre 1.000 e 1.800 metros, em meio à vegetação morta depositada no solo, onde a umidade e a temperatura amena lhes oferecem melhores condições de vida.

 

Anteriormente, uma outra variedade desses sapos minúsculos também já fora identificada na mesma serra, no trecho que vai do Espírito Santo ao Paraná, o mesmo acontecendo posteriormente em Santa Catarina, quando os pesquisadores lhes deram o nome de sapo-pingo-de-ouro devido não só ao seu tamanho diminuto, mas também em decorrência da cor meio dourada, meio alaranjada de sua pele, muito semelhante à do valioso mineral. Ele mede em torno de 11 milímetros (pouco mais de um centímetro), e tem como característica principal o fato de sua reprodução ocorrer fora d’água, ou seja, a fêmea coloca os ovos embaixo de folhas, galhos e troncos caídos no chão da floresta, e os sapinhos nascem já com a sua aparência natural, e não na forma de larvas, ou girinos, como acontece normalmente entre os anuros.

 

Além do Brasil, outros lugares no mundo também servem de habitat a sapos anões extremamente curiosos. A revista Galileu, por exemplo, informou em uma de suas edições que “cientistas anunciaram a descoberta de um dos menores sapos do mundo no interior e ao redor de plantas carnívoras nas florestas da ilha de Bornéu, na Malásia, sudeste asiático”. Segundo a publicação, “o anfíbio, do tamanho de uma ervilha, é o menor já encontrado na Ásia, Europa e África. Os machos adultos dessa espécie têm entre 10,6mm e 12,8mm. Nomeado Microphila nepenthicola, esses animais foram monitorados por seu coaxar, e em seguida foram instigados a saltar sobre um pano branco, para serem analisados. Segundo os pesquisadores que os descobriram, eles ‘cantam’ uma série de duras notas ásperas por poucos minutos, com breves intervalos de silêncio, numa sinfonia que vai do entardecer ao nascer do sol”. Um dos organizadores da pesquisa declarou que “os anfíbios são muito sensíveis às mudanças no seu meio, e por isso esperamos que a descoberta destes sapos em miniatura nos ajude a compreender que mudança no ambiente global está tendo impacto sobre essas fascinantes criaturas”.

 

Ao contrário dessas espécies inofensivas para o ser humano, o Epipedrobates tricolor, de apenas um centímetro, é considerado o menor sapo venenoso do mundo, porque apesar do tamanho reduzido que tem, sua toxicidade é suficiente para matar várias pessoas: o veneno que tem na pele é muitas vezes mais tóxico que uma dose de morfina. Este pequeno sapo só é encontrado nas encostas andinas do Equador, América do Sul, e de acordo com informações divulgadas a seu respeito, o poderoso veneno que possui  está sendo pesquisado para desenvolver drogas contra a dor que sejam mais baratas e mais eficientes que a morfina.

 

Acredita-se que os animais de colorido acentuado geralmente sejam os mais perigosos, servindo essas cores chamativas como uma espécie de aviso aos predadores eventuais, assim como se estivessem transmitindo para eles a mensagem de cuidado, não me toque. É o que acontece, por exemplo, como o rela, rela de tingir, de cores brilhantes, nome científico de Dendrobates granuliferus e pertencente à família Brachycephalidae; mas que segrega na pele um dos venenos mais violentos do mundo: basta um quarto de miligrama para matar um homem. De tamanho variando entre um e cinco centímetros, conforme o grupo a que pertençam, eles vivem tanto nas árvores como no chão das florestas tropicais da América Central, alimentando-se de insetos e se distinguindo dos demais pelas grandes ventosas que têm na ponta de cada dedo. No tocante à reprodução, a fêmea deposita seus ovos na terra, o macho os fecunda e os coloca em seu próprio dorso, onde os filhotes que nascem passam seus primeiros dias de vida.

 

Os menores sapos do hemisfério norte são cubanos. Com pouco mais de 10mm de comprimento, o Monte Eleuth Iberia (Iberia Eleutherodactylus) foi descoberto em 1996, no Monte Ibéria, do qual recebeu o nome (eles ainda não têm um nome comum). Ele só é encontrado em duas pequenas regiões de Cuba, e talvez por isso muito pouca gente tenha conhecimento de sua existência. Já o brasileiro Gold Frog (Brachycephalus didactylus), com seus 9,8mm é considerado o menor sapo do hemisfério sul.

 

De algum tempo para cá tem sido observado um declínio acentuado no número de rãs e outros anfíbios em todo o mundo, acreditando-se que essa extinção de várias espécies tenha como causa a destruição da camada de ozônio, a poluição ambiental, a perda de habitat, a introdução de novos predadores, além de doenças e fungos.

 

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