Povos Antigos - ETRUSCOS

A escrita dos etruscos ainda não foi decifrada (na ilustração, o texto Liber Linteus Zagrabrensis, também conhecido como texto de Agram ou Liber Agramensis), o que ajuda a manter cercado de mistério quase tudo o que diz respeito a esse povo. Um dos primitivos habitantes da península italiana, eles habitavam a região da atual Toscana (que tem Florença como capital), e o que se sabe de sua história procede de fontes arqueológicas e referências indiretas, principalmente romanas.

 

A civilização etrusca teria começado por volta de 1000 antes de Cristo e alcançado o apogeu no século 6 antes de Cristo, quando a nação tornou-se rica e poderosa. Hábeis artesãos, os etruscos trabalhavam os metais com requintada maestria, explorando minas de ferro e cobre e preparando o metal bruto aproveitado pelo artesanato de outras localidades. Exportavam principalmente o bronze, importando ouro, prata e marfim do Oriente, além de cerâmicas de luxo da Grécia.

 

Concorrentes dos gregos e cartagineses no comércio marítimo e na pirataria (uma atividade habitual na Antiguidade), os marinheiros e mercadores etruscos espalharam-se por todo o Mediterrâneo, chegando, em um momento expansionista, à dominação total do mar Tirreno. No comércio por terra ultrapassaram a Toscana, estenderam-se pela Itália e alcançando a Europa central negociaram com os povos alpínos e tribos germânicas e gaulesas. Essa atividade industrial e comercial os conduziu à formação de um vasto império.

 

O do Norte, constituído por uma confederação de doze cidades, tinha por centro Bolonha (Felsina para os etruscos). No sul, seu domínio afirmou-se no século 7 antes de Cristo e durante todo o seguinte. Por essa época Roma não passava de um aglomerado de aldeias, e após conquistá-la os etruscos lhe impuseram o plano urbanístico próprio de suas cidades, inclusive um sistema de esgotos, a cloaca máxima (ilustração), e a cercaram com sólida muralha. No século 6 antes de Cristo eles tiveram condições de unificar toda a península italiana sob seu poder, mas no século seguinte sua dominação entrou em progressivo declínio, ao mesmo tempo em que os romanos se fortaleciam e iniciavam uma expansão baseada nas legiões de soldados recrutados entre a grande população camponesa. Num processo que se prolongou por 250 anos, toda a Etrúria foi submetida pelos romanos.

 

As cidades etruscas não chegaram a formar uma unidade política efetiva, mas vinculavam-se entre si por laços étnicos, lingüísticos e religiosos, formando uma confederação cujos representantes reuniam-se anualmente. Como nem sempre a concórdia reinava entre eles, volta e meia surgiam conflitos provocados pela disputa do poder político. Que certamente teve forma monárquica, sendo as cidades governadas por reis e magistrados escolhidos na casta aristocrática. Ao que parece, suas leis, idéias e padrões de comportamento exerceram considerável influência sobre as instituições romanas, particularmente através dos reis etruscos que as organizaram de acordo com a maneira de seu povo.


A Disciplina Etrusca era um conjunto de regras sagradas que regulava todos os aspectos da vida, incluindo instruções relativas ao enterro dos mortos e normas para os rituais de sacrifício e adivinhação. Estas eram feitas pelo arúspice, sacerdote que tirava conclusões observando as entranhas dos animais sacrificados, bem como de raios e de vôo dos pássaros. Os etruscos acreditavam num destino sobrenatural ao qual era inútil fazer oposição, e em que num mundo sujeito à vontade dos deuses a perfeição só era adquirida pelos que conseguiam estabelecer comunicação com o que estava além da vida, em  plano superior. Na do povo etrusco, o sacerdote – incumbido de reconhecer e interpretar a vontade dos deuses – desempenhava papel bem mais importante que o dos políticos e militares, pois estes apenas realizavam o que estava prescrito pelo destino.

 

Os testemunhos mais significativos sobre a vida do povo etrusco ficaram em suas construções mortuárias. Os sepulcros mais antigos até hoje descobertos datam do século 7 antes de Cristo, sendo em sua maioria subterrâneos (hipogeus). Muitos devem ter pertencido a famílias aristocratas, pois eram ricamente ornamentados. Acreditando na vida além-túmulo, os etruscos procuravam reproduzir nas tumbas o ambiente em que o morto vivera, resultando daí os recintos mobiliados e decorados como verdadeiras residências, onde se encontravam armas, jóias e objetos diversos do morto. Graças a isso foi possível levantar alguns dados acerca da construção residencial etrusca.

 

Ao contrário dos jazigos, erigidos em pedra (na ilustração, necrópolis de Populonia), os etruscos utilizavam madeira na construção de suas habitações e templos, daí eles não terem deixado vestígios. Restaram apenas miniaturas em terracota que permitiram reconstituir os edifícios. De formato retangular, eles eram erguidos sobre base elevada, tendo à frente um vestíbulo seguido por três cômodos, todos com a imagem de uma divindade. Mas a maior contribuição dos etruscos à arquitetura foi o desenvolvimento do arco (já empregado na Mesopotâmia em Ásia Menor), que transmitiram aos romanos. Constituído de pedras em forma de cunha (que exerciam pressão umas sobre as outras a partir de uma pedra central chamada de chave de volta), o arco distribuía o peso da cobertura nas paredes laterais, possibilitando grandes vãos de efeito impressionante.  

 

Os etruscos exerceram acentuada influência sobre a maioria dos povos itálicos, transmitindo-lhes seus próprios processos técnicos e artísticos, bem como elementos culturais do mundo oriental e grego. E sofreram, por sua vez, grande influência helênica, sobretudo por volta do século 4 antes de Cristo, após o período tumultuado da ocupação de parte de seu território pelos gregos, quando muitos artesãos e artistas daquele povo fixaram-se então na Etrúria, difundindo seu estilo. Durante o período de resistência à dominação romana, a civilização etrusca voltou a estreitar os contatos com o mundo helênico, captando suas manifestações culturais, mas a sua autonomia já estava irremediavelmente perdida.

 

A pintura reflete esse período de crise através de representações de cenas sombrias e tristes, executadas em tonalidades escuras. Nos afrescos dos túmulos, sinistras figuras de monstros e demônios presidem a viagem dos mortos, como que indicando que a infelicidade reinante na vida real se repetirá no além-túmulo. Progressivamente, as realizações artísticas dessa civilização em declínio foram perdendo suas características próprias, terminando por identificar-se com a arte romana.

 

Deixe um comentário:

  

      

  

caracteres restantes.


Comentários:


Nenhum comentário.