Pré-história – Origem até 4000 a.C. - HOMEM E SUAS ORIGENS, O

A evolução humana é uma longa e complexa sucessão de fatos ocorridos ao longo de 6 milhões de anos, aproximadamente, uma história obscura e incerta porque os elementos disponíveis para reconstruí-la são escassos e fragmentados. A primeira dessas evidências foi encontrada em Afar, na Etiópia, um esqueleto fossilizado quase completo com cerca de três milhões de anos (Lucy), e além dele, apenas mais alguns fósseis humanos descobertos em lugares geralmente distantes uns dos outros. Porém, a presença na África dos gorilas e chimpanzés, que são os parentes mais próximos do homem, sugere que as origens da nossa espécie devem ser buscadas nesse continente, uma vez que os restos humanos mais antigos descobertos vieram de lá. Diante disso, se pode concluir que a divergência evolutiva que levou a espécie humana para um lado e os macacos para outro, aconteceu nesta região, há milhões de anos.

 

Apesar das pesquisas feitas para decifrar as origens do homem, ainda se sabe muito pouco sobre isso, estimando-se, apenas, que há aproximadamente 4 milhões de anos, nossos mais antigos antepassados encontravam-se definitivamente instalados na superfície terrestre. Os primeiros vestígios sobre eles permitem observar diferenças notáveis quando comparados com seus ancestrais, os macacos, pois enquanto estes se movimentavam no chão utilizando braços e pernas, ou então se deslocando de árvore em árvore, os primeiros esqueletos humanos conhecidos mostram claramente marcantes alterações na bacia, coluna vertebral, nos quadris e nos dedos dos pés, o que lhes possibilitou a adoção da postura vertical. Dessa forma, o fator determinante da evolução da espécie humana primitiva foi a reestruturação da anatomia, que permitiu a posição erguida.

 

A descoberta em Laetolil, Tanzânia (1978), de pegadas que conservaram traços inconfundíveis do pé humano, comprovou que esta adaptação fundamental já se havia desenvolvido na África há 4 milhões de anos. Estas pegadas fossilizadas de dois adultos e de uma criança, datam de aproximadamente 3,7 milhões de anos, e indicam que os três caminhavam juntos, provavelmente segurando-se nas mãos. Os rastros se estendem por uma extensão aproximada de 30 metros, e foram preservados até hoje graças à proteção de cinzas vulcânicas. As conseqüências desse processo de caminhar com os dois pés foram enormes para o ser humano, pois libertando suas mãos, permitiu-lhe a realização de novas tarefas, como carregar materiais e manipular objetos. Da mesma forma, não só o queixo, já então desnecessário para buscar e agarrar a comida, se tornou menos saliente, como também a cavidade craniana aumentou e mudou de forma. As capacidades manuais, a forma de caminhar verticalmente, e a expansão das habilidades intelectuais, teriam contribuído significativamente para a adaptação e êxito da espécie humana.

 

A maior parte dos fósseis com 3 a 4 milhões de anos de antiguidade são fragmentados, e sua importância seria difícil de avaliar se não fosse pela descoberta de um esqueleto humano quase completo - Lucy - que remonta a 3,4 milhões de anos, pertence a uma fêmea adulta, está claramente adaptado para locomover-se de forma ereta, e tem os dentes mostrando algumas características humanas, embora com muitos traços similares aos macacos. Esta combinação de traços humanos e de macacos localiza Lucy dentro do grupo dos hominídeos conhecidos como australopitecos, que existiram na África no período entre 4 milhões e 1,7 milhão de anos. Deles, atualmente são conhecidas quatro espécies cuja classificação se baseia na variação das características mais detalhadas de seus crânios e dentes, todas mostrando uma clara ligação entre si, embora não se saiba se alguns desses caminhantes eretos pertencem à linha evolutiva que conduz até os humanos modernos.

           
Os fósseis conhecidos de maior antiguidade, e que recebem o nome de Homo, remontam a uns 2,5 milhões de anos. O primeiro Homo habilis foi encontrado na jazidas de Olduvai, na Tanzânia, e se distinguia pelo cérebro maior, crânio mais arredondado e rosto perfeitamente humano. Enquanto os australopitecos tinham uma capacidade cerebral de apenas 700 cm3, que não é muito diferente da do macaco moderno, o Homo habilis teve um modesto crescimento nesse particular, passando para 800 cm3. Na etapa seguinte, a do Homo erectus (ilustração), tal capacidade passou para 1.000 cm3, e em certos casos, um pouco mais. Enquanto isso acontecia, a fisionomia dessas criaturas ia adquirindo traços mais humanos, de rosto aplainado e uma estrutura mais elevada. Naquele momento, a capacidade craniana tinha adquirido o volume médio de hoje: 1.500 cm3.

 

Essa tendência pode ser comprovada nos fósseis de Koobi Fora, no Quênia, onde são observadas mudanças no tamanho e forma do crânio, para deixar espaço a um cérebro maior e mais desenvolvido. Esse crescimento do tamanho do cérebro foi fator decisivo no êxito dos hominídeos e no desenvolvimento do homem moderno, pois graças a ele a ramificação Homo tornou-se a primeira a conseguir o domínio da força mental para se impor perante a destreza física. Essa capacidade mental permitiu que o homem criasse, aprendesse, se comunicasse e realizasse ações em cooperação com os seus congêneres, ao mesmo tempo em que conseguiu se adaptar a condições físicas muito diferentes às habituais de sua terra natal africana. Muitos animais eram mais fortes, mais ágeis e mais velozes, porém, devido à inteligência, a raça humana prevaleceu. O primeiro signo inequívoco dessa inteligência foi a ampla utilização de ferramentas e armas.

 

Fonte: Atlas da História Universal.

 



 

 

 

 

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