Povos Antigos - LÍDIOS
Entre os séculos 7 e 6 antes de Cristo, os asiáticos e os gregos conheceram e admiraram os lídios, que além de hábeis na música e nos esportes, também possuíam fabulosas riquezas em pedras preciosas e manufaturas. Esse povo ocupava um distrito da Anatólia ocidental (Turquia), limitado pela Mísia (norte), Caria (sul), Frigia (leste) e mar Egeu (oeste).
Durante esses dois séculos os lídios acumularam vastas riquezas obtidas através da exploração agrícola e da mineração de pedras preciosas e ouro, assim como também de suas manufaturas de tecidos de lã, do trabalho em couro e da ourivesaria. Tudo isso dentro de uma intensa atividade comercial que possibilitou seu relacionamento com os principais povos da época. Os gregos atribuíam aos lídios, senão a invenção, pelo menos a cunhagem regular de uma moeda forte, inicialmente em liga de ouro e prata (electron), e depois apenas em ouro (ilustração).
Acredita-se que assim como os egípcios e os hititas, os lídios organizavam-se a partir de um modo asiático de produção, ou seja, todas as terras, manufaturas e outros bens pertenciam a um poder central constituído pelo rei e seus familiares. Os homens do povo que não pertenciam à categoria de funcionários ligados ao rei eram obrigados a pagar taxas e impostos, assim como oferecer sua força de trabalho, durante determinadas épocas do ano, às obras estatais. A literatura desse povo desapareceu completamente, mas sobreviveram alguns sinais artísticos em forma de cerâmica, jóias, relevos e túmulos. Em todas essas manifestações aparecem algumas características muito semelhantes às dos frígios, hititas, gregos, sírios e assírios.
A vida dos lídios no período anterior ao século 7 antes de Cristo é formulada apenas em hipóteses. Uma delas fala da unificação de várias tribos da Trácia e da Frígia que depois se misturaram com populações asiáticas e constituíram, assim, o estado lídio. Outra suposição é a de que os heráclidas, que segundo a mitologia grega eram descendentes de Hércules, já representavam um grupo lídio que subjugara os meônios, embora Heródoto, geógrafo e historiador grego nascido no século 5 antes de Cristo, tenha afirmado que estes dois últimos formavam um mesmo povo com denominações diferentes: os primeiros teriam mudado de nome a partir do governo de seu rei chamado Lydus.
Para Estrabão, historiador, geógrafo e filósofo grego morto em 24 da nossa era, autor da monumental Geographia, um tratado de 17 livros contendo a história e descrições de povos e locais de todo o mundo conhecido na época, a Lídia formou-se após a Guerra de Tróia, sendo dominada mais tarde pelos heráclidas. Heródoto acha que a época mítica desse povo corresponderia a um deslocamento de parte da população da Ásia Menor para a Itália (região da Úmbria), onde se teria formado a nação etrusca.
Por volta de 685 antes de Cristo, porém, a história já passa a ser narrada com um pouco mais de segurança. Nesse ano, Giges, um mermnada (expressão referente à família real da Lídia a partir de 680 antes de Cristo até à conquista deste reino por Ciro II, O Grande), assumiu o poder na Lídia depois de matar o rei. Iniciava-se, assim, a terceira dinastia e a nação ia se elevando a categoria de grande potência oriental. Após a invasão dos cimérios e algumas dificuldades com os assírios, Ardis - filho de Giges – começou a expandir seus domínios para o Ocidente, obra completada por seu sucessor Aliates (609-560 a.C.), que estendeu as fronteiras do império para o norte, até o rio Halys.
Em 575 antes de Cristo Aliates tomou Esmirna, cidade que com seus cinco mil anos de existência é uma das mais antigas da bacia do Mediterrâneo, e a partir desse momento submeteu todas as localidades gregas da Jônia. No entanto, a dominação sobre os gregos não era estabelecida diretamente, mas sim em forma de protetorado, com vantagens comerciais para ambos os lados.
De acordo com Heródoto, no governo de Creso (560-546 a.C.) todos os povos da Ásia Menor - menos os lícios e cilícios – estavam subjugados pela Lídia, Este rei, citado freqüentemente pelos gregos com admiração, era conhecido como o mais rico e poderoso da época, mas foi justamente durante o seu reinado que as possessões lídias caíram nas mãos das tropas persas de Ciro, depois da marcha sobre Sardes (capital da Lídia).
Nos tempos helenísticos a nação lídia tornou-se parte do império selêncida (Síria) e, finalmente, acabou transformada em província governada por um funcionário do Império Romano, nomeado pelo Senado para exercer o cargo durante o período de um ano.





