Povos Antigos - MAIAS

Uma centena de cidades em ruínas, perdidas na vegetação tropical, além de dois milhões de descendentes, foi tudo o que restou da civilização maia submetida pelos espanhóis nos séculos 16 e 17. Com 15 milhões de habitantes, o império estendia-se por uma área de 325.000 km2, abrangendo áreas de diversos dos atuais estados mexicanos, além da maior parte da Guatemala e Honduras. Embora não atingissem o desenvolvimento urbano dos egípcios ou astecas – o número de habitantes nas cidades maias era inferior a 200.000 - nem tenham dominado plenamente o uso dos metais, os maias construíram uma civilização comparável à do Egito e Mesopotâmia.

 

Assim como aconteceu com outros povos, em épocas diferentes, os maias também viveram períodos distintos em seu passado histórico, que correspondem tanto à expansão conseguida por eles em certas regiões, como à sua desintegração. Isso permite a divisão dessas etapas de vida política e social em três épocas distintas: a Pré-maia (3.000 antes de Cristo-317); o Antigo Império (317-987); e o Novo Império (987-1697). A primeira corresponde a uma fase obscura, embora se saiba que inicialmente eles ignoravam a cerâmica e a agricultura de irrigação, e que só por volta de 1000 antes de Cristo passaram a cultivar o milho.

 

O Antigo Império caracterizava-se pelas grandes cidades conhecidas pelos monumentos construídos a cada vinte anos, normalmente feitos em um só bloco de pedra contendo inscrições e representações pictóricas. Os arqueólogos dividem-no em três períodos, de acordo com a construção de vilas importantes e as características da cerâmica que produziam: de 317 a 633, de 633 a 731; e de 731 a 987, o apogeu dos grandes centros urbanos. Nesta época ocorreu o fim da unidade lingüística dos maias devido à invasão dos grupos nahuatl, ou mexicanos, que formavam o império asteca, o que deu origem a diversos dialetos.

 

O Novo Império surgiu com o estabelecimento de grupos itza em Chichén (Yucatan), unidos aos toltecas, em Mayapán, e xiu, em Uxmal. Essas três cidades confederadas permaneceram unidas de 987 a 1194, quando Mayapán submeteu Chichén e consolidou seu domínio até 1441. Por volta de 1450 os maias de Chichén iniciaram uma sublevação que redundou na ocupação de Mayapán, o que deu início à desintegração do império. Quando os espanhóis chegaram e atacaram, foram auxiliados por alguns grupos indígenas, e mais adiante, em 1697, os últimos maias que ainda resistiam aos invasores renderam-se em uma ilha do lago Petén.

 

Os maias baseavam sua economia na agricultura. Eles cultivavam além do milho, seu principal produto, algodão, feijão, tomate, batata, tabaco e cacau, utilizando técnicas que compreendiam (para o milho) a limpeza da terra com um enxadão curvo, a queima da vegetação, a abertura de sulcos com um bastão pontiagudo, a fertilização com cinzas e a semeadura. Conheciam três espécies de milho, semeadas sucessivamente em um ano. O trabalho e as funções importantes ou de prestígio na sociedade, eram centralizadas pelo Estado, que detinha o controle político e militar sob um caráter religioso, sendo o dirigente máximo considerado uma divindade. Ele interferia em todas as atividades, orientando as celebrações religiosas, determinando a utilização do tempo ocioso da população na construção de edifícios, etc.

 

O império dividia-se em vilas-Estado governadas por um halachuinic, cujo cargo era hereditário, e sua responsabilidade incluía a política interna e externa e o recolhimento de impostos. Logo abaixo estava o chefe local (hatab), responsável pela jurisdição da vila e pelo comando dos soldados (mas submisso ao nacon, o chefe militar), e também os tupil, funcionários subalternos que zelavam pelo respeito às leis. A sociedade dividia-se em quatro grandes estratos: os nobres, em geral os chefes locais; depois deles os sacerdotes, intelectuais conhecidos pelo nome genérico de ahkin, cujo cargo, também hereditário, era de grande prestígio (faziam sacrifícios e oferendas, elaboravam calendários, realizavam estudos de astronomia, leitura das escrituras, etc.); do terceiro grupo participava a maioria da população, fornecedora de mão-de-obra para a agricultura e construção de edifícios; e finalmente, na base da sociedade situavam-se os escravos, compostos por prisioneiros de guerra e criminosos comuns, estes condenados ao trabalho forçado até o pagamento da pena.

 

Os conhecimentos astronômicos ligavam-se à necessidade de elaboração de calendários agrícolas, de sistema de numeração, etc. Esta era baseada em grupos de vinte unidades, como também a contagem do tempo - kin (um dia); uinal (vinte dias); tun (dezoito uinal, ou seja, 360 dias mais um uinal suplementar de cinco dias). Cada vinte tun (anos) formavam um katun, e cada vinte katun, um bakatun. O fim de cada katum era comemorado como uma estela. Paralelamente ao calendário solar havia o venusiano (de Vênus) e o tzolkin, calendário de festas litúrgicas composto por 260 dias. Dessa forma, cada dia combinava a marcação de três sistemas igualmente complexos. Havia um ciclo de 104 anos com dois períodos de 52, ao fim dos quais havia festas de proporções incomuns.

 

A arquitetura maia era de caráter essencialmente religioso, e por isso a disposição dos edifícios formava um centro consagrado ao culto. A escultura tinha função decorativa, com baixos-relevos que representavam divindades, sacerdotes ou chefes. Quanto à religião, os maias acreditavam que o criador do mundo era Hunah, cujo filho, Itzamna, invocado em cerimônias de ano novo, lhes dera a escrita, os códigos e os calendários. Segundo a crença, o universo era composto de três céus superpostos, chamados Oxlahuntiku, cada qual com seu próprio deus, calendário e fenômenos da natureza. Acreditavam também que a era dos maias, precedida por duas outras que tiveram fim sob cataclismos universais, teria um final igualmente catastrófico, após o qual se iniciaria uma quarta era onde todos os povos viveriam juntos.

 

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