R a U - SOBRENOMES - Sua origem
O romancista, poeta e filósofo Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832), disse certa feita que o nome de um homem não é como uma capa que lhe está sobre os ombros, pendente, e que pode ser tirada ou arrancada a bel prazer, mas uma peça de vestuário perfeitamente adaptada. Assim como a pele que cresceu junto com ele, e que não pode ser arrancada sem causar dor também ao homem.
Os nomes próprios são vocábulos usados para designar e distinguir um ser humano do outro, enquanto o sobrenome identifica a linhagem ou a família de quem o usa. Não se pode precisar quando esse costume começou, mas o fato é que em determinados momentos os homens sentiram necessidade de se identificarem corretamente, e por isso adotaram o sistema do eu sou fulano, você é o sicrano e aquele outro é o beltrano. Assim, nos povos primitivos cada um passou a ter o seu próprio nome, mas sem transmiti-lo aos descendentes, e por causa disso em pouco tempo um único nome passou a indicar muita gente do mesmo lugar, e na mesma época.
Como essa profusão de homônimos provocava grande confusão, começaram a surgir os patronímicos, ou seja, o nome do pai era associado ao nome do filho como forma de evitar a possibilidade de qualquer dúvida sobre quem era quem. Os judeus fizeram isso, mas utilizando também a partícula “bar”, surgindo daí os Barrabás, os Bartolomeus, e outros mais. Os árabes procederam da mesma forma adotando as partículas “ben”, “beni” ou “ibn”, enquanto os britânicos se valeram de sistema semelhante quando acrescentaram ao nome paterno a partícula “son” (filho), provindo daí os Richardson, Stevenson, Nelson e etc. Os russos agregaram a partícula “óvitch” ao nome dos seus descendentes masculinos, e “óvna” ao das mulheres; por sua vez, os poloneses utilizaram respectivamente "vicz" e "ovna", emquanto os romenos se valeram dos sufixos “esco” e ”escu” para esse fim.
Na Idade Média os nobres fizeram a mesma coisa e usaram os patronímicos - na Península Ibérica eles tinham a terminação “es” ou “ez” - que depois de algum tempo se tornaram hereditários (na ilustração, um brasão familiar), mas alguns preferiram usar como segundo nome o do seu domínio territorial. Os plebeus gostaram dessa história e também adotaram o hábito de acrescentar ao seu nome alguma alcunha, generalizando assim o uso do sobrenome e tornando-o uma prática quase universal.
Em Portugal, diversos sobrenomes foram determinados dessa forma, como Bernardes, Peres e Sanches, embora também tenha sido bem comum a simples aposição do nome do pai ao do filho, como Pedro Afonso, que significava Pedro filho de Afonso, ou a inclusão de características geográficas ou nome de profissões, como Silveira (do latim silvester, floresta), daí se originando o Silva. Este e outros sobrenomes comuns brasileiros, como Meneses, Souza, Cunha, Vasconcelos ou Pereira, são originários da alta nobreza portuguesa do período medieval. Segundo Francisco Antônio Dória, pesquisador genealógico, em Portugal, por volta do século 15, o sobrenome não se transmitia obrigatoriamente de pai para filho, sendo comum, por exemplo, a adoção do nome de um bisavô, de qualquer lado, sendo escolhidos, normalmente, os mais importantes, como Silva ou Souza, que acabaram se alastrando pelo país e posteriormente pelo Brasil.
Na Inglaterra, vários sobrenomes indicam o exercício de profissões, como no caso de Taylor, por exemplo, ou ainda Baker, Smith, Steward, Cook, e outros mais (alfaiate, padeiro, ferreiro, caseiro, cozinheiro, respectivamente), todos eles originários da época em que os ofícios eram transmitidos como uma espécie de legado, de pai para filho. Sendo assim, uma mesma família poderia ter um Bruce the Taylor, ou Derik the Taylor, ou ainda Kevin the Taylor, geração após geração, pois com o passar do tempo a palavra adquiria a característica de uma marca da família (ou sobrenome), vindo assim até os dias de hoje.





