E a H - GOGÓ DA EMA - Maceió - AL

Considerada um dos cartões postais de Maceió, a Praia de Ponta Verde era conhecida antigamente como a Praia das Acanhadas, um recanto pouco freqüentado na época, cheio de imensos coqueiros, e por isso mesmo procurado pelas tímidas jovens da sociedade local que queriam tomar banho de mar sem serem vistas.

 

Esse trecho da beira-mar maceioense se tornou famoso no Brasil por causa de um coqueiro cujo tronco lembrava o pescoço de uma ema (o até hoje lembrado Gogó da Ema), que embora não exista mais, marcou época como símbolo turístico das Alagoas.

 

Hoje, a Ponta Verde é um dos bairros mais movimentados e de melhor infra-estrutura de Maceió, caracterizado por reunir os melhores restaurantes e hotéis do litoral alagoano, além dos edifícios mais luxuosos da capital.  Nos domingos a avenida principal se transforma em imensa área de lazer que proporciona finais de semana diferentes aos moradores da cidade, aos visitantes e turistas vindos de todas as partes do mundo, sobretudo para as crianças que se divertem de patins, em charretes e com carrinhos infantis de todos os tipos.

 

No livro Maceió de Outrora, do falecido escritor Felix Lima Junior, uma das personalidades de maior projeção na cultura alagoana, encontra-se a informação de que o Gogó da Ema era um coqueiro torto existente no sítio do Chico Zu, na Ponta Verde. No inicio era completamente desconhecido. Quem falava dele, então? Pouquíssimas pessoas. Sabe-se apenas que algumas dessas criaturas, desejosas de vê-lo, pulavam a cerca do sítio do Chico Zu (Francisco Venâncio Barbosa) arriscando-se às mordidas do cachorro que guardava a propriedade, ou às chifradas de algum boi bravo que lá pastasse na ocasião.

 

Desde então o mar avançou muito, derrubou coqueiros, fazendo com que se pudesse divisar o Gogó da praia ou do mar, quando se passava ali por perto ou se tomava banho. E eis que pouco a pouco ele se tornou falado e cantado, adquirindo até celebridade internacional. Turistas ou passageiros, ao desembarcarem em Maceió, logo indagavam a um natural da terra: “onde fica o Gogó da Ema?”.

 

Em 1930, bem perto do local onde o Gogó da Ema atraía a atenção de todos, operários perfuraram vários poços em busca de petróleo. Nessa época o mar avançou ainda mais, pondo em perigo a famosa palmeira. Para ela foi reclamada a proteção das autoridades, havendo a Gazeta de Alagoas denunciado o perigo em reportagem intitulada Os assassinos do Gogo da Ema. A Prefeitura mandou protegê-lo com um muro de alvenaria de tijolos e umas traves de madeira, o que não bastou para garanti-lo.

 

Apesar das advertências do público e dos jornais, no dia 27 de julho de 1955, às 14:20 horas, ele caiu aos poucos, devagarzinho, quase sem despertar a atenção dos passantes, até deitar-se no chão, definitivamente derrotado pelo problema que lhe consumira as forças.

 

Nessa hora, pessoas que estavam nas proximidades imediatamente lhe cortaram as folhas e lhe colheram os frutos, tendo a tudo testemunhado um trabalhador que ali estava à espera de alguma coisa. No dia seguinte os jornais da cidade circularam com fotografias e informações sobre o ocorrido, enquanto os moradores da cidade lamentavam o desaparecimento do mais conhecido cartão-postal de Maceió.

 

Mas como a esperança é a última que morre, dois dias depois o jornalista alagoano Carivaldo Brandão liderou uma tentativa de salvamento do coqueiro. Assim, enquanto um guindaste levantava seu tronco do local onde caíra, para colocá-lo novamente de pé, populares que presenciavam aquele esforço de ressurreição batiam palmas e davam vivas ao organizador da operação. Infelizmente, porém, de nada valeram a boa vontade e o esforço dos que se empenharam na empreitada. O Gogó da Ema estava definitivamente liquidado, transformara-se em simples lembrança.

 

A Gazeta de Alagoas registrou melancolicamente o acontecido, comentando em suas páginas que "Vão morrendo, desaparecendo uma a uma as coisas tradicionais desta terra: o Grande Ponto(?), o Relógio Oficial (no coração do Comercio)... Agora, o Gogó famoso, do qual já se falava em todo o Brasil".

 

Hoje, na Ponta Verde, no local onde esteve o Gogó da Ema, foi aberta uma praça batizada com seu nome contendo uma escultura estilizada (ilustração acima).                      

 

 

Fonte: www.maisalagoas.uol.com.br

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