Atmosfera - LUZ - Velocidade

Ole Römer (1644-1710) foi um astrônomo dinamarquês que dirigiu o observatório de Copenhague, porto marítimo e capital da Dinamarca, oportunidade de que se valeu para introduzir diversos aperfeiçoamentos no telescópio da instituição sob sua responsabilidade. Das pesquisas astronômicas que ele realizou destaca-se o estudo de Júpiter, o quinto planeta em distância a partir do Sol e o primeiro dos quatro gigantes gasosos, com diâmetro onze vezes maior que o da Terra, e que possui dezesseis luas conhecidas, das quais as maiores são Ganimedes, Calisto, Io e Europa.

 

Ao medir por diversas vezes o tempo de duração da órbita de Io, que tem cerca de 3.642 quilômetros de diâmetro, está a 421.800 quilômetros do planeta e se apresenta coberto de manchas vermelho-claras, laranja e amarelas, causadas pelo material sulfuroso de vulcões ativos que lançam plumas de lava a centenas de quilômetros acima da sua superfície, o astrônomo dinamarquês constatou que o período em que aquele satélite permanecia encoberto pela sombra de Júpiter (eclipse) ocorria em intervalos menores toda vez que a Terra deles se aproximava, concluindo daí, e acertadamente, que se tal acontecia era porque a luz vinda da lua jupiteriana não chegava instantaneamente até nós. Então, tendo em mãos o resultado de duas medições feitas anteriormente, ele muniu-se de papel e lápis e calculou o que seria a velocidade da luz.

 

Para tanto Ole utilizou uma fórmula onde C (velocidade da luz) era igual a D1 - D2 (maior e menor distância da órbita de Io), sobre T1 - T2 (tempo necessário para que a luz de Io chegasse à Terra), constatando que C era igual a 214.300.000 metros por segundo. Considerando-se que o astrônomo não dispunha de dados precisos sobre as variáveis da equação (como a distância da Terra para Júpiter, por exemplo), sua estimativa aproximou-se surpreendentemente da realidade, porque daí em diante as novas técnicas criadas ao longo dos anos e empregadas nesse tipo de medição, permitiram o conhecimento de que a luz caminha a uma velocidade exata de 299.792.458 metros por segundo.

 

Apesar disso, a história da busca desse valor é bem mais velha do que se possa pensar. O filósofo grego Empédocles (490-430 a.C.) foi o primeiro a sugerir que provavelmente a luz requeria um tempo finito para passar entre dois pontos, mas atribui-se ao italiano Galileu Galilei (1564-1642), a tentativa inicial no sentido de medi-la. No método sugerido por ele, dois homens ficavam afastados um do outro o mais distante possível, ambos com lanternas acesas. Um deles (A), descobria a sua de modo que o outro (B) pudesse vê-la. Por sua vez, B fazia o mesmo assim que via a luz de A, enquanto A media o tempo entre descobrir sua lanterna e enxergar a luz de B. A experiência falhou, principalmente porque os dois homens reagiam com rapidez diferente assim que avistavam a luz. Essa idéia foi aperfeiçoada pelo físico francês Armand Hyppolyte Louis Fizeau (1819-1896), que em 1849 desenvolveu a chamada Roda de Fizeau, um mecanismo bastante simples que permitia medir com sucesso a velocidade da luz. Alguns anos depois (1876), o físico francês Alfred Marie Cornu (1841-1902) introduziu várias modificações no aparelho de Fizeau, o que melhorou bastante a precisão dos resultados.

 

Em sua Teoria de Relatividade Restrita o cientista Albert Einstein ensina que a velocidade da luz é absoluta e mantém sempre um valor constante, independentemente de sua medição ser feita em laboratório na Terra ou em naves viajando a grandes velocidades no espaço sideral, o que tem sido confirmado nos experimentos feitos nesse sentido.

 

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