Atmosfera - RAIOS = Como acontecem?

Raio é a descarga elétrica produzida entre nuvens, ou entre elas e a Terra; relâmpago é o clarão provocado por esses raios ou faíscas. Mas nem sempre os raios e os relâmpagos acontecem ao mesmo tempo, pois às vezes, durante tempestades distantes, podem ser avistadas nuvens iluminadas sem que se perceba a faísca que provocou o relâmpago, nem tampouco se ouça qualquer barulho provocado por ela. O raio tem duração média de meio segundo e gera um calor cinco vezes maior que o do Sol (expandindo o ar à sua volta e provocando o estrondo conhecido como trovão, produzido pela descarga da eletricidade atmosférica). Ele é resultado do choque entre granizo e partículas de gelo no interior de uma nuvem cúmulo-nimbo, que ocasiona diferença entre suas cargas elétricas.

 

Quando a nuvem é grande, uma carga negativa fraca e invisível desce dela e estaciona entre trinta e cinqüenta metros de altitude. Em conseqüência do campo elétrico então formado, as cargas positivas saltam ao encontro do raio condutor, fechando o circuito entre a nuvem e o solo. Tudo isso acontece em uma fração de segundo, o que nos dá a impressão de que o raio caiu, quando na verdade ele subiu.

 

Segundo informações fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), 200 milhões de raios atingem o Brasil a cada ano, notadamente entre os meses de dezembro e março, período correspondente à estação de verão em nosso país. Para se saber a que distância o raio caiu, basta contar os segundos transcorridos do momento em que o relâmpago apareceu no céu até o início do trovão, dividindo o resultado por três. Como o som viaja no ar a uma velocidade de 344 metros por segundo, serão necessários três segundos para que o barulho provocado pelo estrondo do trovão percorra cada quilômetro.

 

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, ou na mesma pessoa, mas o Guiness Book, o livro dos recordes, registra que o ex-guarda florestal Roy C. Sullivan, de Virginia, EUA, foi atingindo sete vezes por eles. Em 1942 perdeu a unha do dedo do pé; em julho de 1969, perdeu as sobrancelhas; em julho de 1970, sofreu queimaduras no ombro esquerdo; em abril de 1972, seu cabelo pegou fogo; em agosto de 1973, seu cabelo novamente pegou fogo e sofreu queimaduras nas pernas; em junho de 1976, seu tornozelo foi ferido; em 25 de junho de 1977, sofreu queimaduras no peito e estomago. Em setembro de 1983, Roy suicidou-se devido a uma desilusão amorosa.

 

No site do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), toma-se conhecimento do seguinte: "Foi somente após a descoberta da eletricidade no início do século 18, que a natureza elétrica da atmosfera da Terra começou a ser desvendada. Em 1708, William Wall, ao ver uma faísca sair de um pedaço de âmbar carregado eletricamente, observou que ela era parecida com um relâmpago. Na metade do século, após a descoberta das primeiras propriedades elétricas da matéria, tornou-se evidente que os relâmpagos deveriam ser uma forma de eletricidade, associada de alguma maneira com as tempestades".

 

"Benjamin Franklin foi o primeiro a projetar um experimento para tentar provar a natureza elétrica do relâmpago. Em julho de 1750, Franklin propôs que a eletricidade poderia ser drenada de uma nuvem por um mastro metálico. Se o mastro fosse isolado do solo, e um observador aproximasse do mesmo um fio aterrado, uma faísca saltaria do mastro para o fio quando uma nuvem eletrificada estivesse perto. Se isto ocorresse, estaria provado que as nuvens são eletricamente carregadas e, conseqüentemente, que os relâmpagos também são um fenômeno elétrico. Em maio de 1752, Thomas-François D’Alibard demonstrou que a sugestão de Franklin estava certa e que os relâmpagos eram, portanto, um fenômeno elétrico. Em junho de 1752, Franklin realizou outro experimento com o mesmo propósito, seu famoso experimento com uma pipa. Ao invés de utilizar um mastro metálico, ele usou uma pipa, desde que ela poderia alcançar maiores altitudes e poderia ser usada em qualquer lugar. Novamente, faíscas saltaram de uma chave colocada na extremidade do fio preso à pipa, em direção a sua mão".

 

"Também em 1752, L. G. Lemonnier repetiu o experimento de Franklin com o mastro metálico, mas ao invés de aproximar um fio aterrado, colocou um pouco de poeira para ver se ela seria atraída. Ele descobriu que mesmo quando não haviam nuvens, situação conhecida como condição de tempo bom, uma fraca eletrificação existia na atmosfera. Ele também encontrou evidências de que tal eletrificação variava da noite para o dia. Em 1775, G. Beccaria confirmou a existência da variação diurna da eletrificação na condição de tempo bom e determinou que a polaridade da carga elétrica na atmosfera nestas condições era positiva e que ela mudava para negativa quando havia tempestades próximas, em concordância com as observações de Franklin".

  

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Comentários:

  1.   Marina diz:

    Adoro esse assunto...