Desertos - DESERTO DO ATACAMA - Chile

O deserto do Atacama está localizado no norte da região central do Chile. Seus habitantes primitivos foram os índios atacamas, depois absorvidos pelos aimarás, que apesar de viverem em uma região desértica exerceram atividades agrícolas e pastoris, possuindo para isso bons sistemas de irrigação (chegaram a conduzir água através de consideráveis distâncias, por meio de canais escavados na pedra). Do pastoreio de lhamas e alpacas obtinham a lã com que faziam cordas e tecidos, bem como o couro utilizado na produção de seus trabalhos típicos. Hoje ainda restam muitos e variados exemplos desses seus trabalhos artesanais, entre os quais se destacam, além de cerâmicas, objetos de madeira e de couro, tecidos, cestos, etc.

 

Com mais de 100km de extensão e área em torno de 200.000km2, quase igual à do Uruguai, o deserto é considerado o mais árido do mundo, pois quase não chove na região. Diz-se que nele existem lugares em que nunca choveu, ou que pelo menos não se viu isso acontecer há pelo menos quatrocentos anos. Mas apesar dessa carência de precipitação chuvosa, não é incomum a queda de neve em áreas próximas aos vulcões existentes na região, como o Corona, com 5.200 metros de altitude, o Licancabur, com 5.916 metros, e o Ojos Del Salado, que com seus 6.885 metros é considerado o mais alto do mundo. Todos são considerados inativos, sendo que com relação a este último (Ojos Del Salado), comprovou-se recentemente que sua última erupção ocorreu há 1.300 anos, aproximadamente, mas apesar disso ainda existe fumaça na sua cratera, bem como diversos pontos de águas termais em seu entorno.

 

Devido à sua altitude (em torno de 2.300 metros no planalto, desconsideradas as elevações montanhosas), o Atacama, situado acima das nuvens, é um deserto cujas temperaturas podem variar de 25°C negativos, durante a noite, até acima de 40°C positivos nas horas mais quentes do dia. Em virtude de ter um solo muito seco, o que dificulta a vida vegetal, sua flora é pobre e pouco variada, formada basicamente por cactos, arbustos e vegetação rasteira em meio à qual se destaca a yareta, musgo utilizado como combustível pelos moradores locais. Quanto à fauna, ela é constituída por animais pequenos, tais como ratos, cobras e lagartos, registrando-se também a presença de lhamas, flamingos, guanacos, ou alpacas, e outros animais que se adaptaram ao clima pouco convidativo daquelas paragens. 

 

A região, apesar de seca, tem lagos que além de servirem como fonte de vida tanto para os grupos humanos e espécies animais que lá habitam, dão a ela, também, uma aparência de magia. Milhões de anos de transformações geológicas deram origem a cordilheiras, vulcões, salares e lagoas que se misturam a um céu turquesa sem nuvens, salpicado de estrelas, compondo uma paisagem de beleza indescritível. Mas escondendo, ao mesmo tempo, jazidas minerais e a maior reserva de cobre, lítio, nitrato e iodo do planeta. Segundo os cientistas, um violento choque das placas tectônicas ocorrido há 23 milhões de anos, provocou o surgimento da cordilheira dos Andes, que estava no fundo do mar, e com isso grandes volumes de água ficaram entre as montanhas. Com o tempo a água evaporou,  deixando em seu lugar o que hoje conhecemos como salares (ilustração abaixo), planícies cobertas de sal disseminadas por todo o altiplano, totalmente planas e de um branco resplandecente, constituindo uma das características geográficas mais singulares do norte do Chile.

 

São muitas as belezas naturais do deserto do Atacama, e uma delas é a Cordilheira do Sal, que moldada pelo tempo através da chuva, do vento e do sol, adquiriu sua forma atual, plena de esculturas naturais. Dela se pode observar a cadeia de vulcões pertencentes à cordilheira dos Andes, bem como o oásis onde fica a cidade de São Pedro do Atacama, que com 5.000 habitantes e localizada a 2.443m de altitude, é o portal de entrada para o deserto. Mesmo pequena, São Pedro tem uma história rica e interessante: seus primeiros habitantes, ex-nômades que se instalaram lá há onze mil anos, desenvolveram a irrigação e a agricultura, domesticaram alpacas e lhamas, inventaram a cerâmica e transformaram o vilarejo na capital arqueológica do Chile.

 

Uma grande diversidade de minerais pode ser extraída do deserto de Atacama, que além de lítio, bórax, enxofre e outros sais muito raros, guarda em suas entranhas enormes reservas de cobre. Chuquicamata, a maior mina aberta do mundo, que funciona 24 horas por dia e exporta milhares de toneladas de cobre destinadas a várias partes do mundo, transformou-se também em ponto turístico muito procurado, tanto que recebe diariamente cerca de 50 visitantes em um mirante do qual se pode apreciar vista panorâmica do complexo mineiro situado no coração do deserto. Os engenheiros calculam que em 90 anos de trabalho extraiu-se da terra apenas 1/3 do cobre existente. As oficinas salitreiras, nome das fábricas que extraiam o salitre (nitrato de sódio) do deserto, também produziram riqueza para o norte chileno, mas elas foram fechadas por volta dos anos 20 do século passado, quando os alemães sintetizaram o produto e o lançaram no mercado a preço mais baixo. Apenas duas foram preservadas - a oficina Humberstone e a Santa Laura – e transformadas em patrimônio cultural do país. 

 

Entre as belezas naturais encontram-se os gêiseres Del Tatio, que deixam escapar colunas de vapor e de gases tóxicos provenientes do centro da Terra. O espetáculo se deve à atividade vulcânica e acontece diariamente por volta das 5 horas da manhã, quando dezenas de colunas de vapor, com temperatura superior a 140°C, se erguem a vários metros de altura, enquanto piscinas termais se formam bem próximo a elas. Também é possível ver nas colinas de várias partes do deserto, desenhos de figuras humanas e de animais: são os geoglifos, dos quais os mais importantes encontram-se na reserva nacional Pampa del Tamarugal, entre eles o Gigante do Atacama. Calcula-se que estas figuras tenham sido feitas por civilizações que passaram pela região por volta do ano 1000.

 

O Vale da Lua, santuário da natureza a 2.600m de altitude, onde a ausência de vida animal e vegetal e a falta de umidade o tornam um lugar bem inóspito, tem magia e encanto inesquecíveis. Da mesma forma como o Vale da Morte, com admiráveis esculturas naturais, o salar de Atacama, planície de sal povoada por flamingos, as ruínas de Tulor, e a Pokara de Quitor, antiga fortaleza inca ocupada pelos espanhóis em 1540 e restaurada posteriormente, são outros pontos de atração que colocam o deserto de Atacama entre o que de belo e atraente o mundo pode oferecer aos que têm olhos para ver.

 

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