Desertos - DESERTOS - O que são?
Normalmente se diz que os desertos são regiões onde a evaporação de água é maior do que a precipitação, mas ao considerar-se exclusivamente a cobertura vegetal, também poderá ser dito que a insuficiência de chuva nesses lugares não permite a presença continuada de plantas. Essas regiões desérticas são criadas por causas diversas e surgem naturalmente em qualquer parte do mundo, mas as áreas onde elas aparecem em maior quantidade estão situadas próximas aos Trópicos de Câncer e Capricórnio, onde a insolação é forte e os ventos quase não trazem nuvens que possam despejar sobre o solo a água necessária. Além do mais, se os desertos estão se expandindo é porque os homens não tratam de forma adequada e competente o solo do qual dependem.
Quase um terço da superfície continental do planeta é constituída pelos desertos formados por pedras, rochas, penedos e cascalho. Mesmo assim, extensas áreas arenosas são encontradas em alguns deles, como no deserto de Saara, no norte da África (ilustração acima), que se estende por mais de sete mil quilômetros quadrados. Mas nem sempre as coisas por ali foram desse jeito. Pinturas rupestres feitas há cerca de cinco mil anos, e descobertas em cavernas da região, demonstram que ele já abrigou gado, animais selvagens e caçadores, numa prova de que por mais inóspitas que sejam agora, as áreas desérticas já permitiram que grupos humanos nelas se estabelecessem, sobrevivendo da caça e da coleta de alimentos, além da criação de animais domésticos. Mas mudanças climáticas alteraram as condições de vida que ali prevaleciam, transformando-as no que são hoje.
Por todo o norte da África e boa parte da península arábica, os ventos do deserto soterraram lentamente os restos de antigas civilizações. Cidades como Palmira, na borda oriental do deserto da Síria, provavelmente construída pelo lendário rei Salomão (977-937 a.C.) numa rota comercial do Golfo Pérsico ao Egito, além dos sistemas de irrigação romanos e árabes da Líbia, e outras obras que documentam um passado remoto, praticamente desapareceram entre as dunas, e delas agora só restam ruínas. Essas zonas haviam sido diligentemente irrigadas e cultivadas, mas pouco a pouco as plantações foram se tornando improdutivas. Diante dessa constatação os homens recuaram, o deserto recuperou suas glebas, e os agricultores locais atribuíram o ocorrido a uma maldição. Mas, evidentemente, a explicação era bem outra.
Os desertos surgem onde a precipitação de chuvas é inferior a 250 milímitros anuais, porque acima desse índice criam-se condições para o surgimento das pradarias. Mas em alguns desertos muito quentes a precipitação pode ser um pouco mais elevada, porém sua distribuição irregular ao longo do ano não permite que os vegetais possam aproveitá-la. Como a quantidade de vapor d’água na atmosfera é muito pequena, a intensidade da luz no deserto é mais alta que em qualquer outro lugar da Terra, exceto nas altas montanhas, e esse bombardeio de luz associado à falta de água entre os grãos do solo, produz ao longo de 24 horas enormes saltos de temperatura. Nos solos comuns a água funciona como termostato, impedindo aquecimentos e resfriamentos excessivos. Mas o deserto é um lugar de altas temperaturas durante o dia e muito frio à noite (nas primeiras horas da manhã o termômetro pode descer abaixo de zero grau centígrado), e por esse motivo o ciclo diário a que a vida no planeta está submetida é intensificado nessas áreas. Em compensação o ciclo anual quase desaparece, porque nos climas tórridos as estações tendem a uniformizar-se, e em zonas desérticas com condições não extremadas o ciclo das estações se impõe de forma especial.
Durante algumas semanas - a curtíssima primavera - o solo se recobre de flores, as sementes que se formam caem por terra, e a vida vegetal, assim como apareceu, torna a ocultar-se. Durante o breve período em que a umidade subiu acima do normal, as plantas realizam todo o trabalho de crescimento, floração, fecundação e semeadura, e no resto do ano resistirão à evaporação sob a forma de bulbos subterrâneos e raízes tuberosas e carnudas. Em zonas de condições mais drásticas e severas aparecem por vezes os oásis, manchas isoladas de verdura que em alguns casos são tão grandes a ponto de permitir a permanência humana e a presença de pequenas faunas. A água proveniente das montanhas corre por baixo da areia e por cima das chapas de pedra que constituem o fundo das bacias desérticas, formando verdadeiros rios cujo curso pode ser encontrado a profundidades variáveis. E onde a espessura do manto de areia é pequena, algumas plantas conseguem lançar suas raízes até essas correntes ocultas e abastecer-se da águas que lhes permite a continuidade da existência.
Os desertos são regiões naturais do planeta, e isso dá motivo para que se pergunte qual o problema que representam. A resposta é que eles estão cercados de terras áridas e semi-áridas, ou seja, terras secas, mas não tanto como as que margeiam: o índice pluviométrico das primeiras é de 200/250 mm de chuvas durante o ano, enquanto o delas oscila entre 250/600 mm. Em geral as chuvas costumam cair nessas terras durante uma determinada época do ano, mas falham algumas vezes, e então ocorre a seca. Normalmente cobertas por pastagens ou arbustos e árvores pequenas típicas do cerrado, elas são usadas freqüentemente para o cultivo ou criação do gado, e é justamente aí que o problema começa. Todas as áreas sofrem mudanças naturais. Um campo, não sendo cultivado, poderá transformar-se em floresta, assim como um lago pequeno eventualmente poderá secar enquanto a vegetação se renova à sua volta. Da mesma forma, as terras áridas e semi-áridas também se modificam ao longo dos anos, dependendo de como são usadas e das mudanças no clima local. Elas podem passar de pastagem a um denso cerrado, e depois voltar a ser pastagem novamente, mas isso não causará danos porque faz parte do ciclo da natureza. Mas se a mudança para pastagem ajudará o fazendeiro a alimentar o seu gado, ou se a mudança para cerrado favorecerá o fornecimento de lenha e carvão a quem deles necessita, esses ciclos poderão ser interrompidos se o criador tiver gado demais ou se houver excesso no corte da madeira. Porque aí acontecerá um outro tipo de alteração: a vegetação será afetada e se tornará mais rala, o que tornará o solo mais exposto e permitirá que ele seja lavado com facilidade pela chuva ou carregado pelo vento na estação seca.
Esse processo é chamado de erosão. Até esse ponto o dano pode ser revertido e o solo se recomporá, se porventura o pecuarista reduzir seu rebanho ou se menos lenha for cortada. Do contrário, a parte fértil do solo estará perdida e sua recuperação poderá tornar-se impossível. A mudança então não mais será um ciclo, mas um declínio sem volta para a destruição. É assim que começa a desertificação, ou a extensão dos desertos, o que hoje ocorre em todo o mundo e afeta 2/3 das nações da Terra. Estima-se que nos Estados Unidos, Canadá e México, uma área de 10,5 milhões de quilômetros quadrados, maior que todo o continente africano ao sul do Saara, esteja se transformando em deserto.





