Desertos - DESERTOS - Vida

A sobrevivência da vegetação no deserto depende de inúmeros recursos, como raízes subterrâneas e caules que fazem às vezes de reservatórios. Por isso as plantas desérticas, além de raízes profundas, apresentam várias outras adaptações especiais ao ambiente pobre em água. Para diminuir a evaporação as folhas (órgãos de respiração e fotossíntese) são perdidas. Essa função passa então a ser exercida pelos caules, que possuindo uma superfície muito menor em relação ao seu volume, desempenham com a eficiência necessária o papel de reservatório.

 

Exemplo típico dessa adaptação é o cacto, com seus caules verdes e cheios d’água. Mas muitas plantas que para o leigo parecem cactos, pertencem, na verdade, a outros grupos de vegetais que sofreram evolução paralela. Esses caules-reservatórios são notáveis em matéria de impermeabilização. Áreas que não efetuam fotossíntese, como as hastes, são cobertas de cortiça, e as partes verdes são enceradas ou resinosas. Os estômatos, orifícios respiratórios por onde o vapor d’água tende a sair, ficam fechados durante o dia e abertos à noite. Além disso, estão situados em cavidades e depressões, ou cercados de pêlos, para combater a difusão do líquido precioso. Por fim, a evolução nesse ambiente também produziu nas plantas características fisiológicas especiais, adaptando-as de forma adequada e conveniente ao meio-ambiente em que sobrevivem. Suas células vegetais são um exemplo disso, pois se elas suportam concentrações elevadas de sais, isso significa que podem perder muita água sem morrer, e que também são capazes de readquiri-las depressa.

 

A distribuição dos vegetais nos ecossistemas desérticos, ou quase desérticos, é feita dentro de uma característica apropriada. Cada exemplar aparece bem afastado um do outro, porque essa dispersão é a melhor maneira das plantas aproveitarem a pouca água existente no solo, e na medida em que essas más condições se tornam mais acentuadas, maior também é o afastamento entre elas, até atingir aquelas zonas onde a vida vegetal é totalmente impraticável, como as regiões conhecidas como bigorna do diabo, no Saara, ou vale da morte, no Arizona.  A sobrevivência da vegetação no deserto depende de inúmeros recursos, como raízes subterrâneas e caules que fazem às vezes de reservatórios. Por isso as plantas desérticas, além de raízes profundas, apresentam várias outras adaptações especiais ao ambiente pobre em água.

 

Além do calor e da evaporação, a fauna das regiões desérticas enfrenta uma terrível falta de alimentos. Se por um lado a quantidade de vegetais vai se tornando cada vez menor na medida em que o coração do deserto fica mais próximo, os animais que vivem nessas áreas também vão reduzindo o seu tamanho. Diante do reduzido volume de vegetais à sua disposição, os herbívoros diminuem em número e tamanho, e com isso os carnívoros são afetados. Por essa razão, a escassez quase absoluta de plantas no ambiente desértico torna impossível a presença de animais de grande porte.

 

Algumas classes de animais, como os répteis e os insetos, se adaptaram ao deserto e o colonizaram com grande sucesso. Eles possuem pele impermeável e rins que economizam água de forma muito eficiente, e por essa razão sua excreção, que corresponderia à urina humana, é quase sólida. Centopéias, escorpiões e alguns crustáceos também conseguiram boas adaptações, mas aves e mamíferos já não foram tão bem sucedidos, e os animais de pele úmida são particularmente raros.

 

Para enfrentar a falta d’água, vários animais não a bebem. Todo o líquido de que necessitam provém dos alimentos, mas ao mesmo tempo eles tratam de não se expor diretamente ao sol. Tanto aves como mamíferos controlam sua temperatura, mas os répteis, para não serem praticamente cozidos ao sol, são obrigados a resfolegar, ou seja, a evaporar água pela boca para baixar a temperatura, o que não deixa de ser um método excessivamente perigoso em um ambiente de falta de água. Por essa razão os animais desérticos, com raras exceções, têm hábitos noturnos.

 

Da mesma forma como acontece nas pradarias, a maioria desses animais é formada de cavadores que passam o dia abrigados em sua toca. Com a falta de alimentos, várias espécies, sobretudo as formigas e ratos, acumulam reservas para os períodos de escassez. O rato-canguru dos desertos americanos serve como exemplo desse tipo de procedimento, porque ele enche sua galeria de ervas e flores: numa delas, já foram encontrados 5,5 quilos de feno. Esses ratos vivem sozinhos, explorando o seu território, pois se cada um formasse par com a fêmea, os dois teriam que explorar uma área com o dobro do tamanho, o que não seria eficiente. Por essa razão, eles só se procuram nas épocas de acasalamento.

 

 

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