Mangues lagos e lagoas - LAGO MARACAIBO - Venezuela
Localizado no noroeste da Venezuela, o lago Maracaibo é praticamente uma extensão do golfo da Venezuela, já que se liga a ele, e conseqüentemente ao mar das Caraíbas, pelo estreito do mesmo nome. Com uma área de 13.000km2, ele é, em extensão, o vigésimo terceiro lago do mundo, e o maior da América Latina, sendo o único de água doce que se liga diretamente com o mar.
Quando em 24 de agosto de 1489 o navegador e almirante da marinha espanhola, Alonso de Ojeda (1466-1516), acompanhado em sua viagem exploratória pelo italiano Américo Vespuccio (1454-1512), avançou pelo interior do mesmo, verificou que muitas casas das pequenas povoações ali existentes sustentavam-se acima das águas sobre estacas fincadas ao longo das suas margens (palafitas). Vespuccio lembrou-se então de Veneza, em seu país de origem, vindo daí o nome Venezuela, cujo significado é “pequena Veneza”. Posteriormente, o nome dado ao continente recém-descoberto por Cristóvão Colombo (1451-1506), América, seria inspirado no do navegador florentino, Américo.
A principal relevância do lago Maracaibo consiste na enorme riqueza depositada em seu subsolo, o petróleo. Há pouco tempo, reportagem do jornal americano The Wall Street Journal, apresentada em 27 de março de 2006, reafirmou a importância da Venezuela como o país com as maiores reservas de petróleo a nível mundial, A publicação apontava que esses depósitos venezuelanos de petróleo pesado e extra-pesado, estimados em mais de 235 milhões de barris, são tecnicamente mais fáceis de produzir que em outros países devido ao estado físico que apresentam, o que permite uma maior mobilidade. Certamente que em decorrência disso “uma floresta de torres metálicas” se ergue hoje sobre praticamente a metade da superfície do lago, “um testemunho - segundo a imprensa - de 90 anos de incessante extração de petróleo no maior celeiro petrolífero da América Sul, e de uma escolha entre desenvolvimento sustentável e degradação sem remédio”.
A cidade de Maracaibo, construída na margem ocidental do estreito que dá acesso ao lago, é a capital do estado de Zulia. Conhecida como."terra do sol amada", é a segunda maior da Venezuela (população de 4.500,000 habitantes, em 2005), superada apenas por Caracas, sede do governo federal. Fundada inicialmente em 1529 e transferida para outro local em 1535, retornou ao espaço anterior em 1574, com o nome de Nueva Zamora de Maracaibo, homenagem prestada ao responsável por essa decisão, governador Diego de Mazariegos, natural da cidade de Zamora, na Espanha. Maracaibo, que tem seu horizonte visual preenchido pelas grandes torres extratoras de petróleo instaladas no lago é hoje uma das cidades mais quentes do país, com temperatura que no verão alcança facilmente os 39°C. Nela, o turismo praticamente não existe, muito embora a cidade tenha para mostrar, além da indústria petrolífera, muitos exemplos de arquitetura colonial e museus de interesse.
A origem do nome Maracaibo está ligada a um índio chamado Mara, “cacique de trato firme y autoritario, que asumía toda la figura autocrática de quien gobierna asistido por poderes sobrenaturales”, segundo a definição de fontes venezuelanas. Chefe guerreiro dos índios motilones, ele uniu e dominou as tribos existentes na região que se estende do lago à atual cidade de Cartagena, na Colômbia, valendo-se do seu conhecimento quanto à geografia daquele vasto território para opor, com seus aliados, feroz e prolongada resistência aos espanhóis que ali haviam chegado com objetivo conquistador. Morreu lutando contra um capitão que o capturou e o deixou “sumirse en su agonía, tratando de negociarle un trato de libertad a cambio de su riqueza”. Após a sua morte nenhum outro líder indígena deu prosseguimento à luta em prol da liberdade, razão pela qual os invasores europeus se apossaram de toda aquela área ao norte do território sul-americano.
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No estreito de Maracaibo foi erguida uma ponte ligando a cidade com o mesmo nome, e por extensão o estado de Zulia, ao leste do país. Trata-se da ponte General Rafael Urdaneta, com 8.670 metros de comprimento, considerada uma das mais importantes e maravilhosas obras de concreto já levantadas, cuja construção durou cinco anos e consumiu 350 milhões de bolívares, aproximadamente. Apesar disso, ainda hoje existem povoados que resistem aos tempos modernos, com seus moradores vivendo como os seus antepassados. É o caso, por exemplo, das palafitas de Santa Rosa, localizadas ao norte da cidade de Maracaibo, onde é comum encontrar-se crianças com feições indígenas tomando banho nas águas do lago bem como várias canoas indo e vindo.
O canal de entrada do lago foi dragado há algum tempo a fim de permitir que os navios petroleiros de grande calado pudessem passar por ele. Com isso a salinidade das águas internas aumentou em proporção considerável, e a conseqüência disso não demorou a ser sentida. Pelas informações dadas por pescadores a alguns órgãos de imprensa, as espécies consideradas nobres, antes capturadas habitualmente, desapareceram, e o pescado fornecido a restaurantes, como corvina e camarão, é apanhado no golfo. Na afirmativa de um dos informantes, “ninguém mais se banha no lago, e até mesmo a irrigação com essa água já não está sendo feita”.
A extração de petróleo contamina as águas do Maracaibo. Além de perfuradores remexerem o subsolo e as margens do lago, milhares de quilômetros de tubulações ligando os poços aos tanques de armazenamento, os dutos de distribuição e transporte, os portos e as refinarias, são pontos nevrálgicos da indústria petrolífera, uma vez que permite vazamentos do líquido oleoso, nem sempre corrigidos com a presteza necessária. Além disso, as cidades ribeirinhas, algumas com centenas de milhares de habitantes, também representam um problema no que diz respeito à poluição, pois despejam diariamente no lago, ao todo, cerca de dez mil litros de esgoto, por segundo, sem nenhum tratamento.
Segundo os técnicos, para que o lago possa ser saneado, permitindo assim o desfrute de suas praias, a utilização de sua água para irrigação, e a reabilitação da sua vida submarina, reiniciando dessa forma uma cadeia alimentar de grande importância, há necessidade de que algumas providências sejam tomadas. Como o fechamento do atual canal de navegação, para reduzir em poucos anos a salinidade; a transferência para a costa dos embarques marítimos de petróleo; a construção de estações de tratamento de esgoto em meia dúzia de cidades ribeirinhas; e a redução os vazamentos de petróleo e afluência de resíduos químicos provenientes da indústria, agricultura e pecuária.





