Mares e oceanos - ICEBERGS - Perigo nos mares

Iceberg é uma palavra inglesa derivada do holandês “ijsberg”, ou “montanha de gelo”, e designa os grandes blocos de gelo que ao se desprenderem das geleiras polares saem flutuando a esmo pelo oceano, impelidos pelas correntes marítimas. Feitos de água doce, e não de água do mar congelada, eles variam quanto ao tamanho e configuração, podendo atingir quilômetros de comprimento e dezenas de metros de altura, mas a parte que aparece acima da linha da água costuma equivaler a um nono da sua massa real (vide ilustração ao lado). Os icebergs podem ter milhões de toneladas chegando a ter altura equivalente a de um edifício de 20 andares, acima da água. O maior iceberg já avistado ate hoje flutuava no Atlântico Norte, em 1957: ele atingia cerca de 180 metros só em sua parte fora d’água.

 

Os cientistas acreditam que o acúmulo de neve iniciado há três mil anos propiciou a formação dos icebergs atuais. Esse acúmulo faz com que nas suas camadas mais profundas a neve se transforme em lâminas de gelo compactadas, que acabam se soltando do bloco principal em virtude da subida e descida das marés. Os icebergs do hemisfério norte resultam da fragmentação de geleiras costeiras, que são irregulares e de relevo acidentado, enquanto os do sul têm forma tabular porque o continente é austral e quase todo formado por uma geleira única e com costas planas. Em conseqüência do trabalho de erosão feito pelas ondas, e do contato com águas mais quentes, os icebergs sofrem freqüentes mudanças de inclinação e mesmo reviravoltas, devido ao rompimento do equilíbrio.

                       

As regiões onde eles aparecem em maior número estão no oceano Atlântico e Groelândia, ao norte, e na Antártida, ao sul, mas os da Antártida costumam derreter antes de atingir as principais rotas de navegação. É nesse particular que se concentra a maior preocupação das nações interessadas no tráfego naval por essas zonas perigosas, porque os icebergs são carregados pelas correntes oceânicas até áreas distantes das regiões polares, percorridas normalmente pelas embarcações das linhas comerciais marítimas, transformando-se dessa forma em sério risco para os navios comerciais ou de passageiros. Muitos naufrágios já aconteceram em decorrência da colisão de barcos com blocos de gelo flutuando pelos oceanos, e o de maior repercussão foi o do navio de passageiros Titanic, “o maior e mais luxuoso meio de transporte feito pela mão do homem”, uma embarcação considerada insubmersível, com 271 metros de comprimento, 27 metros de largura e 40 metros de altura, mas que afundou na madrugada de 15 de abril de 1912 após chocar-se com um iceberg, provocando a morte de mais de 1.500 pessoas.

 

Em 25/05/2007, o jornal Folha de São Paulo informou que pesquisadores de Canadá e Estados Unidos tinham encontrado naquela semana um iceberg maior que a ilha de Manhattan (Nova York), onde instalaram sinalização luminosa para monitorar seu deslocamento pelo oceano Ártico, próximo ao norte canadense. A reportagem dizia, também, que o iceberg de Ayles, com 16km de comprimento e 5km de largura, se desprendera da ilha canadense de Ellesmere, próxima à Groenlândia, em agosto de 2005, mas fora descoberto apenas no ano passado. E que a violência do desprendimento fora tão forte que provocara tremores detectados por sismógrafos canadenses a 250 km do local, sem que os técnicos pudessem determinar o que ocorria naquele momento.

 

Ao falar sobre a descoberta, o geógrafo Luke Copland, da Universidade de Ottawa, integrante da equipe que analisava o acontecido, declarou que diante do aquecimento global ele teme que as cinco áreas de glaciares próximas à ilha Ellesmere não se reconstituam. Confirmando suas palavras, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da ONU, prognosticou:  “As regiões polares da Terra têm sido as mais afetadas pelo aquecimento global. As temperaturas no Ártico aumentam cada vez mais rapidamente, e por isso a espessura da camada de gelo será reduzida substancialmente até 2100”.

 

O IPCC reúne 2.500 cientistas e é a principal autoridade sobre o clima no mundo. Segundo relatório apresentado por esta organização, os efeitos das mudanças climáticas, provocadas em grande parte pelas atividades humanas, devido à emissão de gases de efeito estufa, já estão acontecendo na natureza, entre elas o degelo  Por isso, a desertificação, a seca e a elevação do nível do mar, atingirão duramente os trópicos, desde a África abaixo do Saara, às ilhas do Pacífico. Há previsão de que bilhões de pessoas poderão sofrer com a falta de água e que o nível dos mares aumentará durante séculos.

  

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