Mares e oceanos - MAR MORTO
A história primitiva do mar Morto converge para as narrativas bíblicas de Abrão e Lot e a destruição de Sodoma e Gomorra. Navegado em épocas remotas - e citado no Novo Testamento como sendo o mar Oriental, ou mar Salgado -, ele se trata de um mar interno situado na mais profunda depressão continental do globo. Três quartos de sua superfície estão em território jordaniano, e o restante em Israel.
Suas proporções são mais as de um lago que de um mar, pois seu comprimento é de 76 quilômetros, sua largura máxima de 17 quilômetros, e seu perímetro de 230 quilômetros, equivalendo a uma superfície total de 1.020 quilômetros quadrados. O nível de suas águas encontra-se 350 metros abaixo do nível médio dos oceanos, e a profundidade máxima beira os 800 metros. A península de Al Lisan, ao sul, divide o lago em duas partes desiguais: a meridional, que compreende 1/3 da superfície, representa muito pouco em volume de água, pois sua profundidade média é de 5 metros; a parte norte, que abrange os 2/3 restantes, apresenta uma profundidade média de 146 metros.
A característica principal do mar Morto é a sua excepcional concentração de sais, que é da ordem de 25%. Com uma salinidade de 275 gramas de sal por litro de água, está muitíssimo acima dos índices de 35 gramas/litro encontrada nos oceanos. Alimentado por rios e fontes e sem nenhuma comunicação com outros mares, o mar Morto é uma espécie de lago de água salgada que possui parte dos seus tributários constituída por rios que atravessam terrenos ricos em sal-gema, e carregam esses elementos para as suas águas. Além disso, o calor provoca intensa evaporação que liberta a água e deixa o sal em depósito. A enorme concentração de sais confere às águas desse mar uma densidade que permite a um homem manter-se à sua tona sem dificuldade, mas torna impossível o afogamento. Em contrapartida, uma rápida imersão produz a sensação de oleosidade no corpo, e um contato prolongado com á água pode provocar pústulas na pele.
A salinidade excessiva também impede qualquer forma de vida: os peixes trazidos pelo rio morrem imediatamente por asfixia, e as plantas aquáticas simplesmente não existem. Daí o seu nome.
Sendo um mar fechado, o Morto é alimentado por diversos cursos d’água e fontes termais sulfurosas, mas seu principal afluente é o rio Jordão, que nele despeja diariamente cerca de 6.500.000 toneladas de água. Esse rio forma um delta característico na foz, e suas águas, bem mais leves que a densa água salgada que encontram, avançam sem dificuldade mar à dentro, sendo facilmente reconhecíveis até mesmo em sua parte central. Esta grande concentração de água se originou de um afundamento no terreno, como mostra a semelhança de suas margens oriental e ocidental, e a abundância de sal-gema indica que a região abrigou uma extensa bacia lacustre, da qual o mar é a última reminiscência. O relevo da parte sul do lago é pouco acentuado, com inclinações bastante suaves; a parte norte constitui um estuário ondulado com pequenas dunas de areia cobertas por uma espessa camada de sal. É onde o rio Jordão despeja suas águas através de dois braços de 50 metros de largura, cada um.
O fundo do lago se apresenta com a parte oriental cortada quase a prumo, e a parte ocidental com inclinação mais suave, apesar dos ângulos acentuados. O leito é formado por limo misturado com sal, e embaixo dessa camada encontra-se um terreno com grande quantidade de betume, ou asfalto natural, que às vezes aflora à superfície das águas. Por isso o mar Morto foi chamado de Lacus Asphaltes pelos romanos. Também no leito de alguns dos rios que deságuam no lago, há depósitos de asfalto, principalmente no Wadis Muharrat, que atravessa terrenos intensamente impregnados de betume. Os árabes costumam fazer uso dessas rochas em fogueiras, devido à sua grande facilidade de combustão. Esses depósitos de betume, ao lado dos de enxofre que aparecem nas fontes sulfurosas, sugerem a existência de agentes vulcânicos em atividade no interior da Terra.
A formação do lago deu-se na era Terciária, ou em princípios da Quaternária, há cerca de 1 milhão e meio de anos. As cidades bíblicas de Sodoma, Gomorra, Adama, Seboim e Segar, teriam se desenvolvido às suas margens. Os manuscritos encontrados nas cavernas de Qumram, no mar Morto, indicam a existência de outras civilizações antigas na área. A exploração sistemática dessas cavernas levou à descoberta de moedas, provavelmente do século 2 a.C., certamente usadas pelos autores dos manuscritos, que eram membros de uma seita judaica.





