Mares e oceanos - MARÉS - O que são?
Marés são movimentos periódicos de rebaixamento e elevação das grandes massas de água formadas por oceanos, mares e lagos, provocados pela atração gravitacional da Lua e do Sol sobre superfície terrestre. Quase imperceptíveis nos pequenos lagos, as marés assumem grandes proporções nos mares e nos oceanos, e essa diferenciação foi cientificamente explicada em 1687 quando Isaac Newton (1642-1727), físico e matemático inglês, lançou os fundamentos da moderna teoria desses movimentos. Em “Principia Philosophiae Naturalis”, o físico inglês trata da lei da gravitação universal, elemento indispensável para o entendimento do mecanismo das marés, afirmando que “quanto maior for a massa de dois corpos, maior será a atração entre eles; porém, quanto mais distanciados estiverem, menor será a força de atração gravitacional”.
A segunda parte desse enunciado explica a menor força de atração do Sol sobre a superfície terrestre, em comparação com a Lua, que está a 384.400 quilômetros do nosso planeta. Por outro lado, o centro da Terra dista 6.380 quilômetros da superfície, e por isso sua atração gravitacional quase anula à da Lua. Como sua massa é superior em aproximadamente 49 vezes à do satélite, isso torna a atração gravitacional terrestre trezentas mil vezes maior que a exercida pela Lua sobre um objeto situado na superfície do planeta.
Contrariando a crença popular de que a Lua “puxa para cima” a água dos mares e oceanos, essa atração só consegue deslocar lateralmente as grandes massas fluídas, ocasionando as marés. Elas ocorrem duas vezes por dia, com duração de seis horas e doze minutos para cada movimento (enchente e vazante), e essas oscilações verticais podem ser acompanhadas por réguas graduadas cravadas em lugar fixo (os mareógrafos), que permitem a verificação da altura das águas a qualquer momento. Temos então que, em média, as marés oscilam do ponto máximo de altura para o mínimo, em um período total de 12 horas e 24 minutos, doze horas devido à rotação da Terra, e 24 minutos devido à órbita lunar.
A principal determinante da maior ou menor amplitude das marés é a combinação do movimento de rotação terrestre com o da revolução da Lua em torno da Terra, mas a situação geográfica e as peculiaridades topográficas de cada região também podem exercer influência. Em algumas áreas do oceano Pacífico as marés são medidas em centímetros, contrastando com as altas marcas alcançadas em outras, onde as diferenças são de metros. Quando o mar atinge o seu nível mais alto, dá-se a isso o nome de maré alta, maré cheia ou preamar; e quando está no mais baixo, dizemos que é a maré baixa ou baixa-mar. As diferentes ocorridas ao longo dessas variações, são definidas como Preamar (nível máximo de uma maré cheia); Baixa-mar - Nível mínimo de uma maré vazante; Estofo - Ocorre entre marés, um curto período sem qualquer alteração na altura de nível; Enchente - Período entre uma baixa-mar e uma preamar, quando a altura da maré aumenta; Vazante - Período entre uma preamar e uma baixa-mar, quando a altura da maré diminui; Altura da Maré - Altura do nível da água, num dado momento, em relação ao plano do zero hidrográfico; Elevação da Maré - Altitude da superfície livre da água, num dado momento, acima do nível médio do mar; Amplitude de Marés - Variação do nível das águas entre uma preamar e uma baixa-mar imediatamente anterior ou posterior; Quadratura - O sol e a lua formam ângulo de 90º graus em relação à Terra; Maré de Quadratura - Maré de pequena amplitude, maré que se segue ao dia de quarto crescente ou minguante; Maré de Sizígia - Nas luas nova e cheia, as marés lunares e solares reforçam uma a outra, produzindo as maiores marés altas e as menores marés baixas; Zero Hidrográfico - Referência a partir da qual se define a altura da maré. Variando de local para local, ela é normalmente definida pelo nível da mais baixa das baixa-mares registradas durante um dado período de observação.
Marlene Dandolini, aluna do Curso de Geografia da Universidade Federal de Santa Catarina, apresentou em maio de 2000 um excelente trabalho sobre as marés: Simples e de fácil leitura para os menos avançados em conhecimentos nessa área, o texto em referência diz que: Há milhares de anos os homens sabem que a Lua tem alguma relação com as marés. Antes do ano 100 a.C., o naturalista romano Plínio escreveu sobre a influência da Lua nas marés. Mas as leis físicas desse fenômeno não foram estudadas até que o cientista inglês Isaac Newton descobriu a lei da gravitação no século XVII. As marés são movimentos de fluxo e refluxo das águas dos mares provocados pela atração que a Lua e secundariamente o Sol exercem sobre os oceanos. Qualquer massa de água, grande ou pequena, está sujeita às forças causadoras de maré provindas do Sol e da Lua. Porém é somente no ponto em que se encontram os oceanos e os continentes que as marés têm grandeza suficiente para serem percebidas. As águas dos rios e lagos apresentam subida e descida tão insignificante que a diferença é inteiramente disfarçada por mudanças de nível devidas ao vento e ao estado do tempo. As marés também ocorrem em terra e na atmosfera, mas são muito mais difíceis de observar que as marés oceânicas. As marés terrestres e atmosféricas podem ser detectadas unicamente por instrumentos científicos altamente sensíveis. Uma maré é bem semelhante a outra. Do seu nível mais baixo, a água sobe gradualmente por cerca de 6 horas até atingir a maré alta ou preamar. Daí então principia a baixar, continuando por cerca de 6 horas até alcançar a maré baixa ou baixa-mar. O ciclo então começa novamente. A diferença entre a maré alta e a baixa é chamada amplitude da maré. Enquanto a água sobe e desce, move-se em direção da costa e se afasta dela, alternadamente. Esse movimento da água é chamado fluxo da maré. Quando a água se move em direção à costa, é o fluxo enchente. Quando se desloca para alto-mar, é o fluxo vazante.
A amplitude da maré difere dia após dia conforme a posição do Sol e da Lua. Quando ambos se colocam numa mesma linha em relação à Terra, como acontece na Lua Cheia e Nova, a maré fica mais alta do que o normal e é chamada de maré de Sizígia, ou maré de águas-vivas. Quando o Sol e a Lua formam com a Terra um ângulo reto, como quando a Lua está em quarto crescente ou quarto minguante, a maré é mais baixa que o normal, sendo chamada maré de Quadratura, ou maré de Águas-Mortas. A própria formação da costa marítima produz também uma grande diferença na amplitude da maré. Nos estuários e baías com o formato de funil, a amplitude pode ser muito alta. A forma, tamanho e profundidade dos mares e oceanos provocam diferenças no modo de agir da maré.





