Mares e oceanos - MARES E OCEANOS - Como são?

O estudo dos mares e oceanos, em seus aspectos físicos e biológicos (oceanografia), intensificou-se a partir da Segunda Guerra Mundial. Eles ocupam 70,8% da superfície do planeta, e sua origem e conformação tornaram-se objeto de discussão entre os estudiosos do passado.

 

Segundo uma hipótese do astrônomo e matemático francês Pierre Simon Laplace (1749-1827), a Terra teria sido formada a partir de uma nebulosa incandescente que foi esfriando aos poucos, e com isso o vapor d’água que a envolvia condensou-se, precipitou-se sobre sua superfície e preencheu as grandes depressões. Os antigos mares e oceanos possuíam uma configuração diferente, como provam as superfícies continentais recobertas de rochas sedimentares com fósseis de origem marinha, soerguidas por movimentos tectônicos ou expostas pelo recuo das águas, desde o período Glacial.

 

Vários foram os processos utilizados no conhecimento da topografia submarina, sendo o mais antigo deles o de medições diretas, feitas com cabos de determinado comprimento tendo um peso na ponta. Hoje, navios oceanográficos equipados com aparelhos de precisão realizam medições baseadas no princípio de reflexão das ondas sonoras, e até mesmo de ultra-som.

 

Ao longo das costas dos grandes continentes, e até uma distância de 300 milhas (equivalente a mais de 370 quilômetros), estende-se a plataforma continental, uma zona de pequena inclinação com profundidades que não ultrapassam duzentos metros. Esta inclinação aumenta bruscamente, entrando numa zona que atinge profundidades de 2.000 metros, e recebe o nome de talude continental, a partir de onde se estende a zona abissal, que são os abismos oceânicos.

 

Geograficamente, são chamados mares certas porções dos oceanos que possuem algumas características relacionadas aos continentes, como os mares fechados (Morto, Cáspio e outros), originados de uma retração do domínio marítimo; os mares abertos ou costeiros (Antilhas, Mancha e outros), que se comunicam largamente com os oceanos; e os mares interiores, que se ligam aos oceanos através de estreitos, como é o caso do Mediterrâneo. Os oceanos dividem-se em Pacífico (165 milhões de quilômetros quadrados), Atlântico (82 milhões), Índico (75 milhões) e Ártico (14 milhões). 

 

Infelizmente, os seres humanos parecem estar fazendo o possível - em todas as partes do nosso planeta - para produzir um impacto negativo sobre os mares e, conseqüentemente, em nós mesmos. Esse impacto vai da pesca desenfreada, usando até redes de arrasto e o despejo de lixo tóxico, à matança e à exploração dos mamíferos marinhos. As marés estão subindo e ameaçando comunidades ao redor do mundo, devido às mudanças climáticas.

 

No dia 5 de junho, de 2005, 150 países do mundo todo participaram das festividades do dia Internacional do Meio Ambiente, decretado em 1972 pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP). No entanto, segundo o chefe da UNEP, Klaus Töpfer, não havia muito motivo para festa, pois os mares que cobrem 70% da superfície da Terra estão seriamente ameaçados pela pesca descontrolada, pela poluição e por outros fatores prejudiciais ao meio ambiente.

 

Várias são as causas desta situação preocupante. Os mares contêm 90% da biomassa do nosso Planeta, de algas à baleia azul. Aproximadamente 3,5 bilhões de seres humanos dependem dos mares (este número pode duplicar dentro dos próximos 20 anos). Mais de 70% dos peixes são pescados em excesso, tanto que as reservas de atum, bacalhau e peixe espada. foram reduzidas em cerca de 90% no último século. Quanto à poluição marinha, cerca de 80% dela em sua origem fora dos mares, situação que tende a piorar se no ano 2010, como é previsto, 80% da população mundial viver perto dos litorais.

 

O material plástico descartado mata anualmente um milhão de pássaros marinhos, 100.000 mamíferos marinhos e incontáveis peixes. Os vazamentos involuntários, despejo ilegal pela navegação e acidentes marítimos. poluem os mares, todos os anos, com enormes quantidades de óleo. O nível do mar subiu 10 a 25 cm nos últimos 100 anos e pode subir ainda mais, inundando regiões costeiras baixas. A maior parte dos recifes de corais tropicais localizados em 109 países já está fortemente danificada pelo desenvolvimento econômico das regiões costeiras e pelo crescente turismo, e embora eles cubram apenas 0,5% do fundo do mar, 90% das espécies dependem destes recifes de maneira direta ou indireta.

 

Já na Conferência Internacional 2002, em Joanesburgo, África do Sul, em princípio houve um acordo para a criação de regiões marítimas protegidas até o ano 2012 e para reabastecer até 2015 as reservas de peixes dizimadas. A fim de evitar que a pesca descontrolada continue, foi requerida a abolição das subvenções que já representam 20% da renda da indústria pesqueira, mas. porém, como costuma ocorrer nestes casos, a implantação das sugestões sensatas está demorando e continua sendo impedida por exigências nacionais de caráter egoísta e por interesses comerciais. O secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, mais uma vez advertiu com insistência que a sociedade não pode continuar permitindo que os oceanos sejam utilizados como depósitos de lixo ou que sejam explorados como fonte para abastecimento inesgotável.

 

 

Fontes: Herma Caelen/Reuters / UN / FAO

 

 

 

 

 

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