Mares e oceanos - OCEANO PACÍFICO

Durante os descobrimentos marítimos no final da Idade Média, os europeus já imaginavam a existência de um enorme mar a oeste da América, mas acreditavam que o Novo Mundo fosse uma barreira intransponível entre os grandes oceanos do leste e do oeste. Até que em setembro de 1513, o espanhol Vasco Nunes de Balboa cruzou por terra o istmo do Panamá e chegou ao que ele chamou de “Mar Del Sur”, tornando-se, assim, o primeiro europeu a avistar o maior oceano da Terra.  Em 1520, o navegador português Fernão de Magalhães, comandando cinco navios espanhóis, passou do Atlântico, pelo sul do Chile, diretamente para um “oceano de águas tranqüilas” a que deu, por isso, o nome de Pacífico. Sua expedição, a primeira viagem de circunavegação da Terra, confirmou não apenas a existência de grandes mares a oeste da América, mas também provou que o planeta era esférico.

 

Nas décadas seguintes outros navegadores repetiram a façanha de Magalhães, como os ingleses Francis Drake (1577) e Thomas Cavendish (1586). Mas só em 1768 se iniciaria o processo de conhecimento do Pacífico, quando a Sociedade Real de Londres organizou uma expedição para observar de certo ponto em alto mar, a passagem de Vênus sobre o Sol, reunindo num mesmo navio – o Endeavour, comandado por James Cook – os mais famosos astrônomos, naturalistas e artistas da época. A partir daí o interesse pelo estudo do grande oceano aumentou, o que provocaria uma série de expedições científicas. Dentre essas viagens destaca-se a do navio Beagle durante os anos de 1831 a 1836, levando a bordo o naturalista Charles Darwin.

 

O oceano Pacífico cobre um terço da superfície da Terra (165 milhões de quilômetros quadrados), área superior à de todas as terras emersas (incluindo continentes e ilhas), e na maior parte suas profundidades oscilam entre 4.000 e 6.000 metros. Embora não haja acordo quanto a seus limites, ele pode ser representado por um triângulo cujo vértice se localiza no estreito de Bering; um dos lados coincidiria com a costa ocidental das Américas, e o outro com a costa oriental da Ásia. Na parte ocidental do Pacífico encontra-se uma série de arquipélagos cujas ilhas se dividem em Melanésia, Micronésia e Polinésia (Oceania). Entre as ilhas e os continentes há uma série de mares marginais que recebem nomes locais, como o mar de Okhtsk, um enorme golfo delimitado de um lado pela península de Kamtchatka e ilhas Kurilas (Sibéria e norte do Japão), e de outro pelo continente; o mar do Japão, entre o território japonês e continente asiático, e o mar de Bering, que se comunica com o Ártico através do estreito do mesmo nome e é delimitado ao sul pelas ilhas Aleutas.

 

Outros oceanos apresentam evidências de que se originaram a partir do afundamento de antigos continentes, ou pela deriva continental, Mas o nascimento do Pacífico continua sendo um mistério.  As hipóteses mais antigas diziam que sua origem era conseqüência de um vazio deixado pelo desprendimento da Lua na época da formação da Terra, quando grandes extensões da crista atual do planeta ainda se encontravam em estado ígneo, mas outras versões afirmam que ele é o que restou de um grande oceano primitivo, formado no surgimento do planeta.

 

O oceano Pacífico não possui extensas plataformas continentais como o Atlântico, pois nele os continentes descem até maiores profundidades por grandes e contínuas rampas que margeiam as costas (exceção feita à região norte da Austrália). Por outro lado, são praticamente desconhecidos os fundos desse oceano, sabendo-se apenas que em cerca de 65% de sua extensão as profundidades oscilam entre 4 e 6 mil metros, e que sua parte central é constituída por uma série de mesetas de origem vulcânica e coralínea, como as ilhas Carolinas, Tuamotu, Havaí e Sociedade. Uma dessas mesetas, na região sudeste, se estende do México à Antártida, e dela emergem as ilhas da Páscoa e Galápagos; outra é separada da grande depressão do norte por uma zona de grandes fossas, nas quais as profundidades ultrapassam os 7.000 metros (fossas de Murray e e Baley); além da uma depressão entre a Nova Zelândia e Samoa, onde se situam as fossas de Kermandec (9.477 metros) e Tonga (9.184). Entre suas bordas ocidental e setentrional, o Pacífico apresenta uma sucessão quase contínua de ilhas e fossas muito profundas, como a das Aleutas (7.315 metros), a do Japão (9.435) e a das Filipinas (11.521), a maior profundidade oceânica conhecida.

 

Trezentos vulcões ainda são ativos no Pacífico, integrando um cinturão de instabilidade que provoca verdadeiras catástrofes às populações de suas partes norte, leste e oeste (em 1883, as ondas gigantescas causadas pela erupção do Kracatoa mataram mais de 30.000 pessoas). Por ser o oceano mais amplo da região equatorial, o Pacífico apresenta o maior desenvolvimento de formações coralíneas (feitas de carapaças calcárias de vários organismos), e estas, de acordo com sua forma e posição, são classificados em costeiras (que se situam sobre as rochas do litoral), barreiras (que se desenvolvem de alguns metros da costa até uma distância de 50 quilômetros, deixando em sua parte interna um lago que margeia o continente); e atóis, que têm forma circular, com uma lagoa no centro.

           

De forma geral as correntes do oceano Pacífico apresentam um sistema de circulação semelhante ao do Atlântico. Em conseqüência do movimento de rotação da Terra, as correntes do hemisfério norte deslocam-se em sentido horário, ao passo que as do hemisfério sul o fazem sem sentido contrário. Transversalmente, cruzando toda a largura do Pacífico na altura do equador, há duas correntes quentes: Corrente Equatorial Norte e Corrente Equatorial Sul. A temperatura das águas superficiais do oceano varia do ponto de congelamento, nas altas latitudes (em tempo de inverno), até 28 graus Celsius, nas baixas latitudes, perto do Equador. Nas latitudes médias, a salinidade é maior, pois a evaporação excede a precipitação, o oposto do que acontece nas altas e baixas latitudes, onde os índices de salinidade são menores porque a precipitação excede a evaporação.   

 

Informações divulgadas em fevereiro de 2008 no site da BBC, de Londres, e no jornal britânico The Independent, revelam que quatro das correntes oceânicas do Pacífico limitam uma área de calmaria que recebe nomes como "sopa gigante de lixo", "mancha de lixo" ou "ilha de lixo". Conhecida como Giro Pacífico Norte, ela é descrita desde 1997 principalmente pelo oceanógrafo americano Charles Moore, que avalia o seu tamanho como sendo o mesmo dos Estados Unidos (vai da costa da Califórnia a meio caminho do Japão, com uma profundidade de mais ou menos 10 metros). Ela é formada por cerca de 100 milhões de toneladas de lixo que incluem pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas, bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo tipo de plástico. O jornal inglês esclarece em sua edição online que “cerca de um quinto dos resíduos provêm de descargas de navios e de plataformas petrolíferas. O resto vem do continente”. 

 

Segundo Marcus Eriksen, um investigador da Fundação Algalita para Investigação Marinha “Inicialmente as pessoas pensavam que era uma ilha de lixos plásticos, sobre a qual quase se podia andar. Mas não é bem isso. É mais como uma sopa de plástico”.

 

 

Fonte: Enciclopédia Abril

             

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