Mares e oceanos - ONDAS DO MAR - Como se formam?

Quem olha as ondas do mar arrebentando nas praias talvez não imagine que aquela agitação toda começou bem longe dali, quando em dado momento, e em certo lugar, as águas marinhas foram impulsionadas pelo vento e começaram a avançar na direção em que ele soprava, realizando movimentos circulares que provocaram ondulações. Esse sobe-e-desce continuado do mar prosseguiu durante quilômetros, e só foi interrompido ao se aproximar da praia porque naquele lugar a profundidade foi ficando reduzida, pressionando o movimento de rotação contra a areia e finalmente interrompendo-o. Isso projetou o peso da coluna de água para frente, e aí então aconteceu a arrebentação.

           

Nesse ondular das vagas o seu ponto mais alto é a crista, e o mais baixo, o vale. A distância entre cristas adjacentes corresponde ao comprimento da onda, e sua altura ao intervalo que separa a crista do vale. Como essa altura depende não só da velocidade e duração da corrente de ar, mas também da proximidade entre esta e o mar, ela nunca ultrapassa um metro quando as condições do vento são normais, mas dependendo da força com que ele sopra, pode chegar aos dez metros.

           

Normalmente, a altura das ondas corresponde à sétima parte do seu comprimento, mas essa relação pode não prevalecer durante tempestades violentas. Por outro lado, quando a velocidade do vento diminui, ou ele desaparece, as ondas vão se transformando em movimentos ondulatórios uniformes que perdem altura lentamente, na medida em que avançam por milhares de quilômetros. Quando ondas altas alcançam regiões onde a profundidade do mar é menor que a metade do seu comprimento, a velocidade e distância entre elas diminuem, a altura e instabilidade aumentam, e como conseqüência as cristas mergulham para frente causando a arrebentação.

 

No Oceano Pacífico é comum ocorrerem terremotos submarinos ou erupções vulcânicas violentas que abalam as profundezas das águas. Quando isso acontece, essas perturbações acabam chegando à superfície, onde provocam vagalhões com mais de quinze metros de altura em uma faixa que pode se estender por mais de 1,5 quilômetro de largura, deslocando-se a centenas de quilômetros por hora. São os maremotos (ilustração abaixo), fenômenos que se originam como efeito secundário de abalos sísmicos que têm como epicentro de atividade um oceano.

 

Quando esses terremotos ocorrem no Oceano Atlântico ou no Oceano Índico, seus efeitos são limitados porque as medidas de altitude das ondas nestes oceanos e a diferença de nível entre suas marés (alta e baixa), não são superiores à 30 cm, fazendo com que consigam avançar algumas dezenas de metros para dentro do litoral dos países e ilhas que são banhados por suas águas. Sendo assim, quando um maremoto atinge o litoral dos países do mar Mediterrâneo ou do oceano Atlântico, não chegam a ultrapassar ondas de 3m, o que já significa um prejuízo enorme para diversas cidades que estejam à mercê deste fenômeno. Porém, quando a ação ocorre no oceano Pacífico, seus efeitos são muito maiores e não precisam estar muito próximos da costa, ao contrário, quanto mais distantes maiores serão os danos. Um tremor de terra que ocorreu no Chile por exemplo, causou um tsunami no Japão com ondas de 12 m.

 

Isso se explica pelo fato de que o Oceano Pacífico não é apenas o maior oceano do planeta, como também é proporcionalmente maior em volume de águas, uma vez que além de ser maior, ele também é mais elevado do que os demais. Apenas para se ter idéia, enquanto que o oceano Atlântico oscila em seu nível, entre maré alta e maré baixa, em torno de 30 cm, o oceano Pacífico varia até 9,75 m na costa do Panamá, e medida equivalente na costa das Filipinas e Indonésia. Como resultado de uma ocorrência deste fenômeno no Oceano Pacífico, já se formaram ondas de 10m em Port Moresby - Papua Nova Guiné, no dia 18/07/1998, como resultado dos tremores à 30km da praia, com magnitude de 7.0 graus na escala Richter.

 

No Brasil, um maremoto ocorrido em 1541 no último ano de governo de Antônio de Oliveira, destruiu a Casa do Conselho, a Igreja, o Pelourinho e outras casas da vila, de São Vicente, no atual estado de São Paulo, causando alarme entre os moradores. Contudo, tratou-se de um efeito inusitado como decorrência de abalos expressivos ocorridos no Oceano Atlântico, o que nunca foi uma atividade comum, nem para este Oceano, nem para o litoral brasileiro. Sobre esse fato, em Memória - Receita Federal (www.receita.federal.gov.br) está registrado que a existência, naquela época. da alfândega de São Vicente, é apenas presumível. A certa altura, diz o texto: “Sabe-se que o primitivo ancoradouro vicentino era no porto das naus, próximo à vila. Segundo Mário Neme, em texto tecnicamente confuso, no qual entende que a feitoria abrangia a alfândega, a provedoria e os contos, Antônio de Oliveira foi nomeado feitor e almoxarife de São Vicente em 19 de janeiro de 1537. A feitoria teria como sede a ‘casa de pedra’ existente na primitiva vila de São Vicente, destruída pelo maremoto de 1541. Mas, Neme acredita que o chamado porto ficava onde hoje se denomina ‘ponta da praia’, localizada já em Santos”.

 

Até pouco tempo era comum aplicar o nome de maremoto para os efeitos secundários dos abalos sísmicos ocorridos em oceanos, ou que tenham ação desenvolvida pelos fatores que lhe sejam relacionados, como a queda de blocos em decorrência de atividades vulcânicas formando ondas gigantescas que atingem o litoral. Mas nos últimos anos, em razão não apenas da contínua atividade percebida no oceano Pacífico, como também a denominação aplicada pelos povos asiáticos de tsunami para as imensas ondas que atingem o litoral, convencionou-se fazer uso deste nome para se tratar deste fenômeno que tem origem tal como já explicado..

 

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