Mares e oceanos - VIDA MARINHA - Seres de todas as espécies

Ocupando aproximadamente ¾ da superfície da Terra e com profundidades que chegam a 11.000 metros nas fossas abissais, o mar constitui o maior reservatório de energia e elementos necessários à vida terrestre. Embora não apresente fronteiras internas rígidas, fatores como a salinidade, a temperatura e o oxigênio se transformam em barreiras na movimentação e distribuição dos organismos que nele vivem e dependem da concentração de nutrientes dissolvidos. Plantas e animais marinhos estão, portanto, sujeitos a variações contínuas e periódicas que se refletem diretamente em sua composição qualitativa e quantitativa.

 

Agitado pelas marés, correntes marinhas ou pelas águas profundas que ressurgem à superfície, o mar oferece uma infinidade de ambientes a seres vivos de todas as espécies. A vida vegetal marinha é composta por organismos unicelulares chamados “fitoplâncton”, e em zonas pouco profundas crescem algas uni ou pluricelulares, mas todos esses organismos necessitam da luz solar para produzir a matéria orgânica que mantém o suprimento alimentar da vida marinha. No entanto, a pequena diversidade das plantas contrasta com a grande variedade de grupos animais cujos exemplos extremos são os “protozoários”, de dimensões muito pequenas e na maioria só visíveis ao microscópio, e os mamíferos como as baleias, com espécies que alcançam mais de 36 metros de comprimento e peso superior a 100 toneladas.

 

Bactérias, algas, peixes e crustáceos desempenham papel preponderante no ciclo biológico do mar. Os crustáceos minúsculos são freqüentemente comparados aos insetos terrestres e constituem com as algas retangulares os elos mais importantes da cadeia alimentar nos oceanos. Segundo seu modo de vida, os organismos marinhos se distribuem entre os dependentes da base onde vivem e os que se movimentam livremente no seio das águas; estes, por sua vez, dividem-se entre os crustáceos vivendo em suspensão e à deriva, e os peixes que nadam livremente e realizam migrações. Segundo a zona em que vivem, os organismos marinhos são classificados como os que habitam as águas costeiras e a plataforma continental; os que povoam o talude continental, entre 200 e 2.000 metros de profundidade, e os que ocupam profundidades maiores que 2.000 metros, sendo esses dois últimos denominados peixes oceânicos.

 

Na cadeia energética dos oceanos os organismos marinhos podem ser agrupados em produtores primários, que são as plantas; em consumidores, abrangendo os herbívoros, predadores e parasitas; e em bactérias, cuja atividade de decomposição é processada principalmente nas zonas em que a vida animal e vegetal aparece mais intensamente.

 

Os animais marinhos pertencentes ao plâncton (conjunto de seres vivos que são levados passivamente pelas águas) constituem os consumidores primários, pois se alimentam diretamente dos organismos unicelulares conhecidos como fitoplâncton (vegetais), habitantes das regiões alcançadas pela luz solar e por isso produtores de abundante material resultante da fotossíntese. Esses animais estão sujeitos a predadores, como os que vivem permanentemente em áreas específicas, os crustáceos que vivem à deriva, e os peixes que se movimentam para todos os lados em busca de alimento, mas mesmo depois de mortos ainda participam da cadeia alimentar marinha, já que servem de comida a consumidores secundários e terciários, geralmente carnívoros que vivem em profundidades maiores. Contudo, muitas das espécies planctônicas são onívoras, ou seja, alimentam-se de substâncias animais e vegetais e por isso comem de tudo, podendo modificar sua dieta de acordo dom a qualidade e quantidade do que encontram ao alcance de seu apetite. Depois de mortos, as plantas e os animais estão sujeitos à decomposição, principalmente por ação bacteriana, e é assim que devolvem ao meio ambiente o gás carbônico, fosfatos e nitratos que finalmente são reintegrados ao ciclo através da fotossíntese.

 

Alguns seres estranhos ao ambiente marinho interferem no ciclo biológico do mar. São predadores, como as aves, que ao se alimentarem de peixes e elementos do plâncton constituem um elo entre o mar, onde se alimentam, e a terra, onde vivem e se reproduzem. O homem também se alimenta de produtos do mar, principalmente nas regiões onde a alta produção de material orgânico e de fitoplâncton proporciona maiores concentrações de pescado.

 

 

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