Serras e montanhas - MONTANHAS - Formação
O aparecimento de montanhas, elevações que apresentam forma cônica - base mais larga que o cume -, é provocado por dobras e deslocamentos da crosta terrestre. Teorias antigas atribuíam esse fenômeno ao vento, mas outras hipóteses cogitadas até o século 19 consideravam que elas estariam ligadas às erupções vulcânicas, pois se acreditava que o vapor originário do centro da Terra, procurando maior espaço, poderia dilatar a superfície e assim formar as elevações.
A descoberta de que as montanhas surgiram graças à movimentação das placas tectônicas (a teoria da Tectônica de Placas afirma que o interior da Terra é dividido em placas que flutuam sobre o magma. Ao se deslocarem nos chamados movimentos orogenéticos elas acabam formando montanhas, fossas oceânicas, atividade vulcânica, terremotos, cordilheiras meso-oceânicas, tsunamis, etc.) provocou a criação de várias teorias para explicar as etapas do processo. Uma delas referia-se a impulsos radiais (principalmente vulcânicos) originados do magma eruptivo, que seriam responsáveis pela suspensão do material rochoso.
Provou-se depois que esses impulsos não eram radiais, mas tangenciais à superfície da Terra. O astrônomo e matemático francês Pierre Laplace (1749-1827) afirmou que o núcleo fluído do interior do planeta estaria esfriando; assim, para ficar grudada a seu substrato, a camada superficial contraía-se e formava rugas. Essa teoria foi abandonada quando se descobriu que a temperatura interior da Terra não tem sofrido alterações desde a era Primária..
As teorias mais modernas partem do conceito de que áreas côncavas com grande sedimentação, situadas entre áreas convexas sujeitas a movimentos verticais e deslocamentos horizontais, têm suas massas sedimentares comprimidas por esses deslocamentos, que as enrugam e elevam. Entretanto, outra teoria baseada na deriva dos continentes, supõe que estes, num primeiro momento, teriam formando uma grande massa que depois se dividiu em blocos menores também com movimento de deriva, que boiavam sobre o magma. Então, durante esse processo, formaram-se numerosas rugas nas bordas frontais dos continentes em deriva, como os Andes, na América do Sul, e as Montanhas Rochosas, na do Norte.
A teoria isostática (que defende o princípio de que a crosta terrestre está sujeita à mesma pressão por todos os lados, sob a ação da força da gravidade) supõe que a superfície da Terra está sempre à procura de um equilíbrio de massas, que seria perturbado pela erosão e por acúmulos de aluviões transportados das terras para os mares, de forma que os continentes se tornariam cada vez mais leves. Essa teoria explica também por que as grandes cadeias montanhosas estão sempre ao lado das maiores fossas oceânicas. Mas nenhuma das teorias esclarece totalmente a formação dos levantamentos montanhosos.
Quando ocorre apenas um levantamento no sentido vertical, estruturam-se montanhas produzidas por falhas - formando-se fossas tectônicas -, podendo essas montanhas associar-se a dobramentos. Foi assim que surgiram as maiores cadeias do mundo em altitude e área, como os Alpes, Apeninos, Cárpatos, Cáucaso, cordilheira do Himalaia, Andes e Montanhas Rochosas.. Mas quase sempre cadeias e montanhas isoladas aparecem pela combinação de processos de falhas e dobramentos. As principais cadeias têm de trinta a quarenta milhões de anos.
HIMALAIA – É o nome genérico de três grandes complexos - Himalaia, Karakorum e Pamir – que atravessa o curso superior do rio Ganges. Além do Everest – o pico mais alto do mundo, com 8.800 metros -, aparecem outros pontos elevados, como Kanchen-Junga (8.585 metros), Nanga-Parbat (8.125 metros) e Manaslu (8.125 metros).
KARAKORUM – Paralelo ao Himalaia, ao norte, o complexo possui o segundo pico mais alto do mundo (com 8.616 metros). A noroeste de Karakorum ergue-se o Pamir, planalto denominado “Teto do Mundo”, com altura média de 5.000 metros.
ATLAS – É a maior cadeia africana. De leste para oeste, o Atlas estende duas cadeias paralelas, sendo a mais importante a do sul, que se divide em três partes. As maiores altitudes situam-se em Marrocos, e seu ponto culminante é o monte Toubka, com 4.167 metros.
ALPES – Tem mais de 1.200 quilômetros de comprimento e é a mais povoada das cadeias montanhosas. Seu ápice é o monte Branco, na França (4.807 metros). A origem dos Alpes é semelhante à do Himalaia: o fundo do mar de Tétis foi comprimido, formando dobras que rolaram sobre o que viria a ser o continente europeu.
PIRENEUS – Estendendo-se do Mediterrâneo ao Atlântico, forma uma divisa natural de quase 450 quilômetros entre França e Espanha. Do lado espanhol, o ponto mais alto é o pico Aneto, com 3.404 metros; na França, é o Vognemale (3.298 metros).
CÁUCASO – Seus 1.400 quilômetros estendem-se do mar Negro ao Cáspio, a uma altitude média de 4,000 metros. Sua porção central está separada da oriental pelo pico culminante da cadeia, o monte Elbrus (5641 metros), e da ocidental pelo monte Kazbek (5.047 metros).
MONTANHAS ROCHOSAS – Com mais de 5.200 quilômetros de comprimento, a cadeia vai do norte do Alasca até o sudoeste dos Estados Unidos. Elas são dividsidas em quatro porções: do Ártico, do norte, central e do sul, e seu ponto culminante é o monte Mckinley, com 6.194 metros.
ANDES – Acompanhando a costa pacífica da América do Sul, as cadeias andinas estendem-se por mais de 7.200 quilômetros, da Venezuela ao sul do Chile. Ne Argentina se encontra o ponto mais alto dos Andes, o Acomcágua (6.960 metros).
O Brasil não tem nenhuma elevação realmente significativa. Seu maciço mais importante é o Itatiaia, entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro, que apresenta o ponto culminante da região oriental da América do Sil: o pico da Bandeira, com 2.890 metros. Mas o pico da Neblina (ilustração), no maciço de Tumucumaque (fronteira com a Venezuela), é o mais alto do Brasil (3.014 metros).





