Rios - DELTA

A foz de um rio, ou seja, o lugar onde ele deságua, pode ter diferentes formas. Como a de estuário, que geralmente permite a instalação de bons portos naturais, ou a de delta, que é pouco propício à navegação comercial. Além de outras mais.

 

Na maior parte das vezes os rios desembocam no oceano por um braço único, tal como acontece com o rio da Prata e o Amazonas, por exemplo. Isso porque a maré alta limpa o estuário, e depois a maré vazante leva consigo os sedimentos, impedindo, por conseguinte, a formação de deltas ou de terras moles. No entanto, nos mares em que as variações das marés são pequenas, o rio depõe na foz as partículas provenientes da erosão das terras ribeirinhas, criando, dessa forma, um delta que aumenta paulatinamente com o passar dos anos, a não ser que alguma corrente marinha impeça o seu maior crescimento. Em outros casos não ocorre a formação de deltas, mas areias, lama e outros sedimentos formam o que se chama barra de um rio, obstruindo sua entrada e dificultando a navegação.

 

No que diz respeito ao delta, ele é um terreno de configuração triangular formado na embocadura de determinados rios em decorrência das seguintes condições:

 

a) inexistência de grandes correntes marinhas ao longo da costa onde os mesmos tenham sua foz;

 

b) pequena diferença entre os níveis de maré alta e maré baixa;

 

c) presença do chamado cordão litoral, acidente que ocorre junto à costa e constituído por areias e seixos provenientes da erosão litorânea ou trazidos pelos cursos de água, e que vão se depositando em virtude das correntes marítimas passarem por ali com menor velocidade, devido à baixa profundidade. Quando esse cordão liga uma ilha pequena ao continente, dá-se a ele o nome de istmo.

 

Em decorrência dessas circunstâncias as areias e depósitos sedimentares de toda espécie (aluviões formados no próprio leito da corrente fluvial) vão sendo arrastados pela correnteza e se acumulando na foz do rio. Caso este não tenha vazão com força suficiente, ou apresente margens afastadas na foz, pouca profundidade e desembocadura num ponto da costa onde as condições apontadas acima estejam presentes, produz-se um remanso naturalmente necessário para que no local fiquem depositados não só os detritos que as águas do rio trazem em suspensão, mas também os que vêm arrastados pela correnteza, rolando no leito. Dessa forma, e com o correr dos anos, produz-se o cordão do litoral que impede a entrada das águas do mar dentro do rio.

 

Daí por diante as camadas de detritos correspondentes às cheias do rio sucedem-se umas às outras, até obstruírem completamente sua antiga saída, deixando apenas uma pequena passagem que pode variar segundo a intensidade da corrente. Na parte mais alta do estuário forma-se um centro de onde as águas derivam para diferentes canais surgidos no delta nas ocasiões de cheia, mas em circunstâncias normais a corrente bifurca-se no ponto mais alto do estuário, de maneira que o delta fica circunscrito entre dois braços do rio e o mar.

 

É então que começa o trabalho da formação do delta marítimo, para o qual são necessárias as mesmas condições que transformaram o estuário em delta, sendo preciso, para tanto, que a inclinação do fundo do mar seja suave. Dessa forma, quando o estuário está cheio, as aluviões vão passando por cima do cordão do litoral e se depositando pouco a pouco no terreno coberto pelas águas, conquistando sucessivamente áreas pertencentes ao mar. O trabalho mecânico do delta marítimo é semelhante ao da transformação do estuário, mas o tempo gasto nesse processo é incomparavelmente mais longo. A formação de um delta compreende, pois, dois períodos distintos: a transformação, ou melhor, o aterro do estuário até a formação do cordão litoral, e a conquista do domínio marítimo.

 

O mais célebre e regular de todos os deltas conhecidos é o do rio Nilo (na ilustração acima), que apresenta um triângulo de base convexa, com o vértice próximo do Cairo, e que se estende terra adentro até mais de 200 quilômetros. Outros deltas notáveis são o do Pó, na Itália, o do Ganges, na Índia, o do Ródano, na França, o do Zambeze, na África, e o do Mississipi, nos Estados Unidos.

 

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