Rios - ESTUÁRIO

Estuário é a embocadura de um rio, onde se fazem sentir os efeitos das marés e onde se misturam as águas doce e do mar. Se a costa é formada de rocha mole, a configuração afunilada do estuário pode ter sido resultado da ação erosiva do rio e das marés. Todavia, na maioria dos casos, é conseqüência do afundamento das terras baixas da costa, ou da elevação do nível do mar. Quando este atingem sua maior altura,.invadem parcialmente o estuário; já na maré baixa a água do rio escoa-se no mar, produzindo assim, no estuário, variações repetidas de salinidade e direção das correntes.

 

O estuário do rio da Prata (ilustração acima) começa depois da confluência do rio Paraná com o rio Uruguai, nas proximidades da ilha Martin Garcia, e avança, após sua desembocadura, por cerca 290 quilômetros, abrangendo uma superfície de 35.000 quilômetros quadrados, aproximadamente. Os bancos de areia que nele vão se formando reduzem sua profundidade, em muitos pontos, a menos de 2 metros, sendo necessário, por isso, aproveitar os canais existentes, cuja profundidade, às vezes, pode chegar a 20 metros. O regime do estuário – além das oscilações no volume das águas de seus afluentes principais – sofre a influência de fenômenos oceânicos e meteorológicos, como a pororoca e os ventos pampeiro e sudeste.

 

O estuário do rio São Lourenço, no Canadá, começa depois da cidade de Quebec, alargando-se até alcançar 42 quilômetros de largura em Matana. Mas sua navegação se torna difícil em certas épocas do ano, porque além da superfície do rio ficar congelada durante quatro meses, os nevoeiros que nele se formam também são muito perigosos. Nos Estados Unidos, o estuário do rio Susquehanna, na baía de Chesapeake, oceano Atlântico, formou-se quando seu vale inferior foi invadido pelas águas do mar. Já o do rio Garona – ou Gironda -, na França, tem o comprimento de 75 quilômetros. Chega a atingir 10 quilômetros de largura, que se reduzem a 5 em sua entrada no mar.

 

Muitos portos de grande importância situam-se em estuários, como os da Europa Ocidental, usados desde a Idade Média. Naquela época não existiam outras vias de comunicação que permitissem tráfego fácil, e como os transportes por terra eram difíceis, os navios se viram forçados a navegar pelos estuários em direção ao interior. Com o aumento progressivo da tonelagem dos navios de passageiros, dos graneleiros e dos transportadores de minérios, as autoridades responsáveis pelo funcionamento dos portos foram obrigadas a fazer executar obras hidráulicas que possibilitassem aos grandes barcos a execução de manobras no interior desses pontos de atracação e desembarque.

 

O porto de Rotterdam, Holanda, no estuário do rio Reno – o maior do mundo no que se refere a tonelagem movimentada -, é exemplo significativo do que seja um porto moderno Operando todos os dias do ano, ele é o principal ponto para transporte de óleo, produtos químicos, containers, aço, carbono, comida e metais da Europa. Os maiores containers podem chegar a pesar mais de sete mil toneladas. Permitindo a chegada de navios que carreguem até 350 mil toneladas, o porto de Rotterdam movimenta os containers de forma automática, e por isso tornou-se muito ágil e seguro. Os produtos de óleos e seus derivados, junto com os químicos, representam quase a metade das mercadorias transportadas pelo porto, que também é bastante utilizado para o comércio de produtos agrícolas (grãos e rações para animais, fertilizantes), e alimentos para a população, como carne, peixes, grãos, frutas, vegetais e sucos. Sua posição geográfica é de grande importância para importação, exportação e tráfego de matérias-primas, produtos semi-manufaturados e acabados, constituindo-se em peça essencial do comércio entre a Europa e os outros continentes

 

Além dos mencionados, destacam-se, entre outros, os seguintes portos de estuário: Londres, no Tamisa; Hamburgo, no Elba; Antuérpia, no Escalda; Bordéus, no Garona; Namtes, no Loire; Ruão, no Sena; Buenos Aires, La Plata e Montevidéu, no rio da Prata; e Baltimore, no Susquehanna.

 

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