Rios - RIOS - Alimentação e volume
A maior parte da água despejada pelas chuvas sobre a terra não chega aos rios, pois se perde em evaporação direta ou é absorvida pelo solo e pelas plantas, mas o seu volume deve integrar os dados necessários ao conhecimento da alimentação fluvial. A capacidade de evaporação da atmosfera pode ser calculada em aparelhos especiais através de fórmulas que utilizam as medidas da temperatura atmosférica e umidade presente no ar, levando-se em conta, porém, o tipo de solo exposto à ação de fatores naturais. Mas a evaporação também pode ter um caráter biológico, o que é mais complexo, já que varia com a qualidade e quantidade das plantas, sua tipologia e outros fatores.
A água que não se perdeu nos dois processos percorre três caminhos até chegar aos rios: corre sobre o terreno, infiltra-se no solo, abaixo do manto de rochas decompostas que o recobre; ou infiltra-se nas rochas permeáveis, alimentando lençóis subterrâneos que por sua vez abastecem os rios através das fontes. Com a ajuda de uma carta topográfica é possível delimitar a bacia de alimentação, traçando-se a linha de divisão das águas e reunindo os pontos mais altos que separam duas bacias hidrográficas. Nas de solo impermeáveis, a água não vai além da camada superficial decomposta, mas em caso de permeabilidade ela penetra profundamente, constituindo os lençóis que podem ser freáticos (superficiais), ou cativos (profundos). O conhecimento preciso de suas condições, embora seja de grande importância, é difícil, porque esse levantamento apresenta grandes dificuldades técnicas.
Uma tempestade violenta sobre uma bacia fluvial não significa um aumento imediato no volume das águas, porque esta pode alimentar, em grande parte, os lençóis subterrâneos. Além disso, há sempre uma interação entre a quantidade de água precipitada e sua violência, temperatura ambiente, natureza do solo, declividade do terreno e tipo de vegetação. Existem dois tipos básicos de regimes fluviais - os simples e os mistos - que se subdividem em outras categorias conforme o tipo de alimentação. Os simples são:regime glacial, de montanhas, de planície, intertropical, de zona temperada, mediterrâneo, e o subtropical. Os regimes mistos combinam várias formas de alimentação, e seu estudo é dificultado pela complexidade dos fatores que o determinam.
Os rios são definidos como correntes de água doce de curso contínuo ou intermitente, e podem desaguar no mar, em um lago ou em outros rios. Um dos fatores mais importantes para se conhecer o seu comportamento hidrológico é o volume de água (débito) que passa por determinado ponto a cada segundo, medido em metros cúbicos. Normalmente, descobre-se esse volume através da multiplicação da superfície do leito ocupado, obtida por sondas que estabelecem o seu perfil, pela média de velocidade do deslocamento da água, porque ela varia ao longo do curso: no fundo e perto da margem, é relativamente baixa, aumentando no meio do rio.
A altura da água de um rio é calculada por uma escala graduada colocada em seu leito, mas essas medidas não bastam para avaliar o débito fluvial: é preciso estabelecer regularmente um gráfico onde se registra a altura e o volume das águas, acompanhando as variações e traçando uma linha que permite distinguir a época das cheias e de estiagem. No entanto, para se conhecer com precisão o comportamento hidrológico de um rio, é necessário observá-lo por períodos que vão de quinze a trinta anos.
São consideradas bacias fluviais as extensões de terra banhadas por um rio e seus afluentes, sendo o estudo das suas condições (chuvas que recebe, composição geológica, disposição dos afluentes, forma do leito, etc.) de extrema importância para a determinação do seu padrão de comportamento. Uma bacia pode ser alimentada por chuva, neve ou gelo, mas como é difícil calcular a quantidade de água que recebe, é costume dividi-la em áreas de características mais homogêneas, sendo cada uma delas analisada em separado pelas estações meteorológicas, que depois fornecem a média ponderada.
Com os dados de cada estação são elaboradas cartas pluviométricas onde os pontos com índices iguais de precipitação são unidos por linhas, sendo depois atribuída à área entre duas dessas linhas uma altura de água igual à média que elas apresentam. Em seguida, basta somar os volumes de precipitação registrados, multiplicar o total pela área da micro-região, e dividir o novo resultado pela área total da bacia, para descobrir qual a quantidade de água que esta recebeu. O problema se complica quando a região está sujeita a quedas de neve ou formação de gelo, pois neste caso o débito anual não terá relação com a quantidade de água precipitada.





