Mamíferos - ADDAX

Natural do norte da África, o Addax está incluído na relação das espécies animais em perigo de extinção. Em época não muito distante esses mamíferos ocupavam áreas bem mais extensas do território africano, mas hoje sua presença restringe-se a algumas zonas da Nigéria, do Chade, norte do Mali, sul da Mauritânia e da Líbia, além de pequenos trechos no Sudão, onde vivem agrupados em bandos formados por 20 a 25 exemplares, no máximo.

 

Antílope cada vez mais raro em seu habitat natural, uma conseqüência inevitável da caçada contínua que lhe fazem indígenas motorizados que carregam consigo armas modernas e que o perseguem implacavelmente em busca da carne que lhes serve de alimento, e do couro usado pela população local na fabricação de calçados e sola de sandálias, o Addax também sofre as conseqüências do aumento progressivo de áreas de pastagem destinadas a rebanhos domésticos de bovinos e caprinos, além dos efeitos provocados por secas prolongadas, por pesquisadores interessados em descobrir novos depósitos naturais de metais valiosos, ou, ainda, com os turistas inconseqüentes que os perseguem de carro até que morram de exaustão, além de alguns outros motivos tão ou mais prejudiciais ao meio-ambiente.

 

No Sudão, por exemplo, registros datados de meio século atrás esclarecem que tais antílopes eram vistos “como uma fonte gratuita de carne fresca e peles”, e que qualquer um desses animais, independentemente de seu sexo, tamanho ou condição, “seria imediatamente abatido”. 

 

Segundo estimativas de organizações especializadas, existiam na África, em 1960, cerca de cinco mil desses animais vivendo em regime de liberdade completa, número que veio caindo assustadoramente ao longo dos anos seguintes: em 1980 eles já não chegavam a dois mil indivíduos; em 1996, não mais se acreditava que seu número pudesse atingir a casa dos seiscentos, e a estimativa mais recente, de 1998, supõe que eles agora estejam resumidos a poucas centenas de cabeças distribuídas em pequenos grupos sobrevivendo em pontos bem distanciados entre si, dentro de um vasto território (esses números não levam em conta os animais em cativeiro).

 

O Addax, um dos mais raros mamíferos do mundo, é agora bem comum em cativeiro (o zoológico de Hanover, na Alemanha, possui grande quantidade deles). Animal de bela aparência, com comprimento médio de 1,6 metro, altura de 1 metro, cauda variando de 25 a 35cm, e peso entre 100 e 130 quilos, ele pode viver cerca de 25 anos. No inverno, sua pelagem apresenta as cores cinzenta e marrom, que se transformam em areia e branco na época do verão. Tanto os machos como as fêmeas têm chifres inclinados para trás, cada um com duas meias-voltas e medindo 80cm, aproximadamente; enquanto os cascos, por sua vez, de unhas fortes e separadas, além de  sola plana, são perfeitamente adaptados para a caminhada em areia.

 

Sua capacidade de sobreviver em condições extremamente duras, associada à facilidade de caminhar com desenvoltura e desembaraço em terreno arenoso, explica o fato de o Addax, pelo menos até agora, não ter sido exterminado pelos caçadores que lhe perseguem habitualmente. Nas extensas dunas de areia em que esse animal é capaz de sobreviver sem grandes dificuldades, os veículos motorizados dos caçadores que o procuram não conseguem viajar. Além do mais, seus inimigos naturais, os felinos, também o levam a procurar essas áreas inóspitas aonde eles não se arriscam a penetrar.

 

Herbívoros como são, os Addax alimentam-se principalmente de gramíneas grosseiras, mas quando estas escasseiam, consomem folhas, flores, casca e flores dos arbustos que encontram, o que lhes garante a sobrevivência. Quanto à água, eles a retiram dos vegetais ingeridos, e também do orvalho, e por isso passam praticamente a vida toda sem bebê-la diretamente de alguma fonte.

 

No que diz respeito à reprodução, as fêmeas da espécie podem emprenhar em qualquer época do ano, mas o maior número de nascimentos ocorre entre setembro e janeiro, após a época das chuvas e antes da estação fria começar. O período de gestação desses animais dura de 257 a 264 dias, ao fim dos quais nasce um filhote que vai ser amamentado pela mãe por até 39 semanas. Os machos se tornam sexualmente maduros em aproximadamente 24 meses, ao passo que as fêmeas alcançam sua condição de reprodutoras no segundo ou terceiro verão após o nascimento.

 

Por causa da extrema aridez de seu habitat, a movimentação dos Addax em busca de alimentos é feita ao longo de distâncias consideráveis. Adaptado ao deserto, seu sistema de vida é essencialmente noturno e crepuscular, preferindo descansar durante o dia, quando a temperatura é elevada, em depressões que cava facilmente na areia com os cascos posteriores.

 

A reprodução em cativeiro tem contribuído para o aumento da população mundial dessa espécie, tanto que atualmente o seu quantitativo gira em torno de 860 cabeças, incluindo-se aí os animais mantidos em recintos cercados na Tunísia , em Marrocos e na Líbia

 

 

 

 

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