Moluscos - LULA-PORQUINHO

Cefalópodes são moluscos exclusivamente marinhos que possuem, literalmente, os pés (do grego poda) na cabeça (kephalos), que é grande e ostenta quase sempre um par de olhos redondos de bom tamanho. O resto do corpo está alojado no interior de uma espécie de bolsa (cavidade paleal) formada por uma prega da pele (manto). A concha, tão característica de outros moluscos e de várias linhagens de cefalópodes ancestrais (nomeadamente as amonites e as belemnites, já extintas, ou os nautilus atuais), está ausente ou é interna e muito reduzida.

 

Estes animais são predadores vorazes, capturando as presas com auxílio dos braços, ou tentáculos, providos de ventosas. No seu centro situa-se a boca, equipada com duas placas duras em forma de bico, e uma fileira de pequenos dentes aguçados e quitinosos (quitina é a substância fundamental da carapaça dos crustáceos, dos insetos e de alguns fungos). As presas são despedaçadas vivas, pedaço a pedaço, e a digestão pode mesmo iniciar-se externamente. Para que isso aconteça, as glândulas salivares são projetadas para fora do corpo, sobre a vítima, perfurando-a através de um pequeno dente que possuem na extremidade, e injetando-lhe um poderoso suco capaz de paralisá-la e separar as partes moles das estruturas ósseas ou das conchas. A complementação do processo digestivo é feita pelo fígado e por um ceco glandular, completando-se no estômago e no intestino.

 

Entre os animais invertebrados, os Cefalópodes são considerados os seres mais inteligentes, possuindo um sistema nervoso complexo. Os nervos encontram-se distribuídos por todo o organismo, enquanto o sentido de visão encontra-se particularmente desenvolvido, com um par de olhos superficialmente semelhante aos dos vertebrados. Embora, na sua maioria eles não consigam distinguir bem as cores, são muito sensíveis aos padrões e alterações da luminosidade, tamanho e forma dos objetos que os rodeiam.

 

É freqüente a presença de células contendo pigmentos coloridos (crematóforos) na superfície do seu corpo, e que são usadas em sofisticados esquemas de camuflagem constantemente adaptados ao meio em que vivem, mas também correspondendo a diferentes estados de ânimo, uma vez que se encontram sob controle do sistema nervoso. Muitas espécies dessa grande família possuem órgãos de bioluminescência (fotóforos) capazes de sinalizar sua presença perante animais do mesmo gênero, atrair as presas ou então confundir eventuais predadores. A posição e o equilíbrio dentro da água são assegurados por um pequeno órgão estabilizador situado junto ao cérebro, e também pelas barbatanas do manto.


A lula-porquinho (Helicocranchia pfefferi), pertencente ao grupo Cranchiidai e encontrada em várias partes do mundo, é uma das inúmeras variedades de cefalópodes, tendo recebido esse nome em razão do formato característico do seu focinho, que se assemelha ao nariz de um porco. Quando ainda jovens os exemplares dessa espécie permanecem próximos à superfície, mas vão descendo gradualmente na medida em que crescem, até chegarem aos cem metros de profundidade, onde passam a viver normalmente. E é justamente por essa razão que pouco se conhece sobre sua biologia e seus hábitos.


No seu grupo familiar estão incluídas lulas que possuem uma sofisticada câmara de flutuação ocupando parte da cavidade paleal (relativa ao manto dos moluscos), onde se acumula cloreto de amônio, uma substância pouco densa, conferindo ao corpo desses animais um aspecto inchado. Muitas espécies que vivem bastante tempo nas camadas superiores do oceano tornaram-se quase totalmente transparentes, exceção feitas a algumas partes do corpo (como os olhos e as vísceras), passando assim despercebidos diante de eventuais predadores. A lula vítrea, por exemplo, possui manto alongado (11 centímetros de comprimento), braços curtos e vários fotóforos na região ocular, enquanto a surpreendente lula-porquinho, de tamanho um pouco menor, tem barbatanas diminutas, faixas acastanhadas no manto e um enorme sifão.

 

Biólogos ligados ao Aquário Cabrillo Marine, em San Pedro, na Califórnia, Estados Unidos, capturaram uma lula-porquinho e constataram que o animal teria dificuldades em nadar por causa do formato do seu corpo. Mas que apesar disso ele se vale da sua  excelente capacidade de flutuação para sobreviver com relativa facilidade no meio em que vive. Ao descreverem essa criatura marinha os pesquisadores esclarecem que elas possuem “células cromatóforas com pigmentos que fazem com que pareçam estar sorrindo”. Essas células, localizadas logo abaixo dos olhos e enfileiradas, mancham o corpo transparente da lula, dando a impressão de que ela está sempre sorrindo sabe-se lá para quem ou para que coisa.

 

Fonte: Madressilva – Enciclopédia de Biodiversidade

 

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