Curiosidades - LADO SÉRIO DA BRINCADEIRA, O
Quando estão brincando, os chimpanzés sorriem como humanos, com os olhos arregalados, os lábios puxados para trás e a boca ligeiramente aberta. Mas não mostram os dentes, pois isso indicaria medo ou agressividade para outros chimpanzés e a maioria dos macacos.
Os cachorros também sorriem quando pedem para brincar, e fazem isso através de uma ligeira levantada do lábio superior. Embora seus dentes possam ser vistos, o efeito é bem diferente do provocado por um arreganho da boca, em que os lábios são puxados para trás como que para mostrar o tamanho do canino. O sorriso de brincadeira é acompanhado de uma reverência: o cachorro abaixa as pernas da frente e levanta o traseiro, abanando o rabo. Mas o animal também indica de outras formas essa sua disposição brincalhona: seu andar na direção do companheiro é em diagonal e saltitante, com a cabeça levantada e a boca aberta.
Há outros sinais característicos dados por diversas espécies de animais: o mangusto agita o rabo e o furão-bravo dá pequenos saltos com as pernas esticadas. Os papagaios e os leões-marinhos de Steller dão uma mordidinha para suscitar uma brincadeira, e os macacos-do-vietnã, do sudeste da Ásia, fecham os olhos para mostrar suas pálpebras brilhantes. Diversos sons também acompanham os movimentos de determinados bichos: os gibões dão um grunhido estridente, os orangotangos grunhem em surdina, os gorilas emitem um risinho, e alguns roedores, pequenos gorgolejos. As mordidas não têm força, e por isso nunca perfuram a pele, enquanto as patadas são leves.
Um gatinho agarra uma folha que rola ao vento ou dá tapas numa bola de lã porque brincar sozinho obviamente lhe dá prazer. Macacos jovens passam horas balançando-se acrobaticamente, ou carregando pedaços de madeira da mesma forma como uma criança carrega sua boneca. Golfinhos em cativeiro empurram bolas no aquário, como se estivessem jogando pólo aquático, e os golfinhos nariz-de-garrafa divertem-se nas ondas provocadas pela proa dos navios. Mas nem todas as brincadeiras dos animais são de fácil identificação. Quando uma ave jovem sacode um graveto com o bico, por exemplo, estará brincando ou tentando tirar insetos da madeira?
As baleias-de-corcova jovens fazem proezas. Emergindo no meio de muita espuma e borrifos, elas giram graciosamente no ar antes de caírem pesadamente de costas, provocando um jorro de água espumante. Reaparecendo alguns minutos depois, elas rodopiam à tona, batendo com as nadadeiras na superfície à cada volta. Para encerrar, mergulham levantando suas enormes caudas e, num floreio, batem com tanta força na água que o barulho assim produzido pode ser ouvido a grande distância. Embora seu comportamento possa dar a impressão de ser apenas brincadeira, acredita-se que essa batida barulhenta seja uma forma delas se comunicarem, ou talvez se relacione com a procura de alimento – atordoando ou aterrorizando um cardume de peixes.
Nem sempre é fácil reconhecer as brincadeiras de outras espécies animais. Répteis, peixes, insetos e aves selvagens não parecem brincar, embora os corvos façam acrobacias em correntes ascendentes, visivelmente por divertimento. É difícil dizer se os animais brincam ou se isso é uma mera interpretação do seu comportamento.
Entre os mamíferos, as brincadeiras restringem-se aos carnívoros e aos primatas. Mesmo assim, é muito mais rara entre adultos do que entre jovens, mas existe. A lontra oriental de garra curta é uma malabarista. Deitada de costas, esse tipo de lontra – a menor de todas, com cerca de 90cm – joga uma pequena pedra para o alto e a mantém no ar com pequenas patadas. Ao contrário de outras lontras, ela é bastante habilidosa, e por isso pega objetos com as patas, que não têm membranas interdigitais, e não com a boca. Em outra brincadeira a lontra rola a pedra por uma perna dianteira ligeiramente dobrada, e a estica de repente, jogando sua bola para o ar e pegando-a novamente com a pata. Jogar um seixo na água e mergulhar para pegá-lo é outro passatempo. No inverno as lontras deslizam na neve; em outras épocas do ano, e em lugares de clima bem mais quente, elas escorregam nos barrancos dos rios e terminam a descida com um mergulho.
Embora todas as brincadeiras sejam caracterizadas por movimentos exagerados e brigas controladas, às vezes não são bem sucedidas. Em todas as espécies os machos quase adultos brincam com mais brutalidade que os novinhos, e às vezes estes se machucam. Quando a brincadeira envolve outros mais velhos, os pais têm de intervir. Mas experiências desse tipo ajudam os mais novos a perceber os limites de suas habilidades.
Entre os primatas, o número de fêmeas novas de um grupo de brincadeira é, em geral, inversamente proporcional ao número de machos juvenis presente, pois os animais mais novos retiram-se à medida que a brincadeira fica mais frenética.
Fonte: Segredos do Mundo Animal





