Animais marinhos - ÁGUA-VIVA CARAVELA
As águas-vivas conhecidas como caravelas estão presentes em todos os mares (no Brasil elas são encontradas com mais facilidade do Maranhão até Alagoas, e do sul da Bahia até Santa Catarina), preferindo viver livremente ao sabor das ondas e impulsionadas pelo vento, em águas claras, quentes e não muito profundas.
O interessante nesse animal marinho é que ele, na realidade, não é uma água-viva, embora se pareça com ela, mas sim uma colônia complexa de indivíduos denominados pólipos, onde um depende do outro para sobreviver. Por isso funcionam em perfeita harmonia, cada qual desempenhando sua tarefa específica: o pneumatóforo se transforma no corpo principal de flutuação; os dactilozoóides formam os tentáculos; os gastrozoóides o aparelho digestivo, e os gonozoóides produzem os gametas (óvulo e espermatozóide) para a reprodução.
O núcleo dessa colônia é, portanto, um animal com a forma de um balão de gás de onde saem longos tentáculos, tudo desenvolvido a partir de um único ovo fecundado, o que importa em dizer que os membros da colônia são geneticamente idênticos, embora tenham aparência e tarefas diferentes.
O corpo principal da água-viva caravela atinge, em média, o tamanho de 30 centímetros, mas seus tentáculos podem chegar aos 20 metros de comprimento, ou até mais. Esse animal marinho, que é carnívoro, se desloca na superfície da água de mares tropicais através da ação do vento sobre sua bóia azul repleta de gases, tendo como alimento o plâncton, seres microscópicos que flutuam passivamente, sem direção, ou cujos movimentos muito fracos não impedem que sejam levados pelas correntezas.
Mas também captura pequenos peixes e crustáceos usando seus longos tentáculos, que em contato com a presa liberam toxinas e depois se contraem, levando o que foi apanhado até as células de digestão localizadas abaixo do flutuador. Nelas o alimento é digerido e espalhado pelas paredes de todo o corpo da caçadora, de modo a que cada um dos seus componentes receba a sua parte.
Em geral, os tentáculos das águas-vivas são cobertos por nematocistos, órgãos de ataque e defesa assemelhados a uma espécie de vesícula cheia de líquido urticante, com um longo filamento no interior que se distende ao menor contato, penetrando no corpo que o provoca e lançando-lhe o veneno. Este é uma neurotoxina desenvolvida para paralisar a presa, e muito embora possa até matar um animal aquático pequeno, normalmente não é fatal aos humanos, apesar de o óbito poder ocorrer em casos especiais. De forma geral, o veneno desse animal marinho é capaz de provocar dor de intensidade variável, além de calafrios, irritações na pele, febre, náusea, vômitos, choque e cãibras.
A caravela, cujo nome científico é Physalia physalia, recebeu sua denominação popular no século 18 porque a acharam parecida com certo tipo de navio usado naquela época. Mas apesar da sua aparência até certo ponto enganadora, as pessoas devem tomar cuidado com ela, o que também se aplica a qualquer outra espécie de sua família. Por esse motivo, quando você estiver em alguma praia, observe a água com atenção antes de entrar nela, porque as águas-vivas geralmente permanecem flutuando próximo à tona.
A água-viva é provavelmente uma das criaturas mais estranhas e misteriosas que se pode encontrar. Com seu corpo gelatinoso e seus tentáculos bamboleantes, ela se parece mais com algo de um filme de terror do que com um animal de verdade. Mas se você conseguir deixar a estranheza de lado e aproximar-se dela com o devido cuidado, irá descobrir que ela é muito fascinante. A água-viva existe há mais de 650 milhões de anos e é representada por milhares de espécies diferentes, sendo que novas espécies são descobertas a todo o momento.
Elas são animais marinhos que variam de tamanho, podendo medir de menos de 2,5 cm a cerca de 2m, com tentáculos chegando até a 30,5 m de comprimento. Embora muitas sejam planctônicas, ou seja, sua locomoção depende da mercê das correntes ou é tão limitada que não podem vencê-las, algumas água-vivas conseguem nadar lançando um jato de água. Pertencendo ao filo dos Cnidários, (da palavra grega "urtiga que queima") e da classe dos Cifozoários (da palavra grega "xícara ou taça", referindo-se ao formato do corpo da água-viva), todas as suas espécies têm uma boca no centro do corpo, e envolvida por tentáculos. Outros parentes seus incluem corais e as anêmonas do mar.
A água-viva é composta por 98% de água. Assim, se ela encalhar na praia, praticamente irá desaparecer na medida em que o líquido evaporar. A maioria é transparente e tem o formato de um sino. Seu corpo tem simetria radial, o que significa dizer que os membros se estendem de um ponto central como os raios de uma roda. Se você cortar uma água-viva pela metade em qualquer ponto, sempre terá partes iguais. Ela tem um corpo muito simples: não possui ossos, cérebro nem coração. Para ver a luz, detectar odores e se orientar, a água-viva tem nervos sensoriais rudimentares na base de seus tentáculos.





