Animais marinhos - ÁGUAS-VIVAS
As águas-vivas pertencem ao grupo dos animais aquáticos (metazoários) cujo corpo apresenta apenas uma cavidade comum à digestão e à circulação, e se comunica com o exterior por uma abertura por onde entram os alimentos e são eliminados os produtos da digestão. Elas possuem corpo mole, gelatinoso, transparente e sem consistência, que somente quando mergulhado na água toma o seu feitio natural (assemelhado a um cogumelo ou a um guarda-chuva aberto).
As espécies comuns no litoral brasileiro são as do gênero Rhisoma, sendo que uma delas alcança mais de um palmo de diâmetro. Convém notar, porém, que há muitas outras variedades bem maiores, muitas delas fosforescentes e urticantes, ou seja, são providas de pêlos nos tentáculos, com os quais dão picadas ardidas na pele dos homens e dos animais, muitas vezes tão violentas que chegam a causar queimaduras, dor aguda e manchas avermelhadas na pele (eritema).
Às águas vivas são bem adaptadas ao seu ambiente nas camadas superiores do oceano iluminadas pelo sol. Mantendo-se abaixo da superfície tal como um submarino com os tanques de lastro inundados, elas nadam em busca de alimento arrastando um monte de tentáculos urticantes, e pegam quaisquer peixes ou crustáceos pequenos nos quais toquem, para logo em seguida levá-los à boca sob seu sino central. Composta por 96% de água, elas permanecem submersas com facilidade, abrindo seu caminho dentro dos mares com movimentos suaves que se assemelham ao abrir e fechar rítmico de um guarda-chuva. Seu corpo em forma de sino expande-se ao se encher de água, que é expelida quando a borda externa se contrai, levando-a para frente.
Uma de suas variedades mais interessantes é a água-viva gigante (ilustração), encontrada especialmente nas águas oceânicas próximas ao Japão, especialmente no Mar Amarelo e no leste do Mar da China, em profundidades que vão de 1.000 a 1.700 metros. Os pesquisadores acreditam que elas talvez estejam entre os maiores predadores invertebrados do ecossistema das profundezas. Os exemplares de maior tamanho dessa família podem ter dois metros de diâmetro e peso de até 220 quilos, com seus tentáculos chegando a medir bem mais que dez metros de comprimento. Além de grande, é venenosa, embora a toxidade de sua peçonha não seja forte o suficiente para causar danos graves aos humanos. Apesar disso, pessoas têm morrido em conseqüência de acidentes desse tipo.
Em 2006 os jornais australianos divulgaram a informação de que em uma praia da península de Cap York, litoral de Queensland, na região leste daquele país, uma menina de sete anos morrera ao ser picada por uma água-viva gigante. Pela notícia ficou-se sabendo que outros banhistas que a viram sair precipitadamente das águas, antes de desmaiar, levaram-na com presteza a um hospital das redondezas. A equipe médica que a socorreu constatou que seu tórax e pernas apresentavam muitas marcas, e isso lhes possibilitou concluir que a paciente havia sido picada por uma água-viva gigante, afirmou um porta-voz da polícia local. Contudo, apesar dos esforços desenvolvidos pelo serviço de atendimento do pronto-socorro na tentativa de reanimá-la, a menina faleceu pouco depois de iniciado o atendimento.
O biólogo e oceanógrafo japonês Shin-ichi Uye, da Universidade de Hiroshima, afirma que as águas marítimas em torno de seu país estão sendo invadidas por um número gigantesco de águas-vivas à procura de alimentos. São mais de 300 milhões delas e esse movimento migratório prova que o oceano está doente. Segundo o professor Uye, o primeiro registro da chegada de grandes quantidades de águas-vivas gigantes ao Mar do Japão aconteceu em 1920, o que voltou a acontecer em 1958 e 1995. O pesquisador ressalta que esse ciclo era de aproximadamente 40 anos, “mas desde 2002 o país sofre anualmente com a invasão maciça de águas-vivas, com o recorde histórico desses animais nas águas japonesas acontecendo em 2005”.
Segundo o professor, estudos estão sendo desenvolvidos em busca das causas que possam estar ocasionando esse fenômeno. Na opinião do pesquisador, “Podemos afirmar, por enquanto, que houve uma mudança radical na fauna marinha do Mar da China, além da modificação da costa pelo homem, o aumento da poluição e a elevação da temperatura da água do mar”, e enumera. “Mas a principal causa talvez seja a pesca indiscriminada, pois sem concorrência as águas vivas têm mais planctos para se alimentar, e por isso se desenvolveram rapidamente”.
Conforme noticiário apresentado pela imprensa, em 2005 a indústria pesqueira japonesa registrou mais de 100 mil casos de danos causados por águas-vivas gigantes. No pico da invasão naquele ano, cerca de 300 a 500 milhões de animais passaram pelo Estreito de Tsushima, entre as ilhas do mesmo nome e a de Kyushu, em direção ao Mar do Japão.






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