Parques e reservas - PARQUE NACIONAL DA SERRA GERAL - Cambará do Sul - RS

Localizado no nordeste gaúcho, na região dominada pelos campos ondulados da Serra Geral e conhecida como Campos de Cima da Serra, o município de Cambará do Sul, distante 190 quilômetros de Porto Alegre, oferece a quem o visita a oportunidade de conhecer o Parque Nacional da Serra Geral, que preserva um ecossistema de rara beleza e importância. Criado em maio de 1992 como forma de ampliar a área de proteção dos grandes e famosos cânions brasileiros, esse parque - com área de 17.300 hectares que se estendem por terras dos municípios de Jacinto Machado e Praia Grande, em Santa Catarina, além das de Cambará do Sul - é como uma extensão do Parque Nacional de Aparados da Serra, compondo com ele uma área de conservação bem mais ampla.

 

Cambará do Sul é conhecida como a terra dos cânions, termo usado em geologia para designar um vale profundo com paredes abruptas formando penhascos, geralmente escavado por um rio. Eles são também chamados de canhão, desfiladeiro ou garganta, e alguns exemplos são o Grand Canyon, nos Estados Unidos, a Garganta do Diabo, nas Cataratas de Iguaçu, o Canhão submarino de Nazaré, em Portugal, o desfiladeiro do rio Fish, na Namíbia, África, além, naturalmente, do Fortaleza, Malacara Churriado e Itambezinho, os mais famosos entre os vários cânions menores existentes nos parques da Serra Geral e de Aparados da Serra, dentre os quais podem ser destacados os conhecidos como Fazinalzinho, Josaafaz, Índios, Coroados, Molha Coco, Leão, Pés de Galinha, das Bonecas e Macuco, que se encaixam nesta paisagem constituída por 63 gigantescas escarpas.

 

A maior parte dos cânions é resultante de um longo e lento processo de erosão fluvial e eólica chamado voçoroca. Diferentes camadas rochosas pouco consolidadas são desgastadas pela ação da água ou vento, criando uma vala. As paredes formam-se quando são encontradas camadas de rochas resistentes a essa decomposição, de modo que a água continua escavando um vale para baixo, não afetando a rocha dura.

 

Na descrição das agências de turismo que incluem Cambará do Sul em seus roteiros de viagem, não é preciso descer um cânion para perceber a sua grandiosidade. Embora essa caminhada seja perigosa, pois os que se dispõem a acompanhar o guia descem do alto do abismo até o fundo do vale por trilhas íngremes e pedras escorregadias utilizando técnicas de escalada, muitos são os aventureiros que não hesitam em vivenciar as inesquecíveis emoções proporcionadas por esse belo e fascinante passeio.

 

Do alto do cânion Fortaleza (ilustração), situado a 22 quilômetros de Cambará e com quase mil metros de altitude média, é possível avistar-se a praia de Torres, no litoral gaúcho. Os profissionais de turismo costumam dizer que “nessa gigantesca muralha que lembra um forte, é possível acampar sob a sombra do capão (bosque isolado no meio das pedras) e a menos de 100 metros do precipício, cujos arredores são repletos de pequenos braços do cânion. Dá para ficar subindo e descendo as pedras durante o dia todo, visitando, por exemplo, a Pedra do Segredo, uma rocha de cinco metros de altura que fica apoiada em outra de meio metro, sem cair. A água gelada do rio que corre para a cachoeira do Tigre Preto faz o fundo musical junto com o vento dos 1.170 metros de altitude e com a algazarra dos andorinhões-de-coleira que brincam de mergulhar no abismo”.

 

É através da trilha dessa cachoeira que se pode chegar à Pedra do Segredo (ilustração abaixo), um bloco monolítico com cinco metros de altura e trinta toneladas de peso, aproximadamente, que se encontra apoiada em uma base com cinqüenta centímetros em cada lado, a pouco mais de um palmo à beira do precipício. A pergunta feita pelos visitantes que chegam até ela é uma só: como essa pedra consegue manter-se equilibrada no alto do cânion, mesmo sendo batida constantemente pelas rajadas de vento fortes vindos do mar, se a sua base é pouco maior que uma régua escolar. O que a manteve, e ainda mantém firme no lugar em que está há dezenas, centenas, milhares de anos?

 

Não é demais lembrar que o planalto sul-brasileiro foi formado a partir de intensas atividades vulcânicas ocorridas há milhões de anos; e que em alguns pontos ele se encontra interrompido por abismos verticais decorrentes de desmoronamentos ou processos de erosão: são os grandiosos desfiladeiros como o Fortaleza, em cuja beirada se encontra a Pedra do Segredo como a desafiar as forças que regem o equilíbrio. Por isso a pergunta que continua sem resposta, intrigando a qualquer pessoa: qual é o segredo da Pedra do Segredo?

 

Os cânions da região de Cambará do Sul têm atraído um número cada vez maior de turistas. Mas outros fatores também contribuem para isso, como, por exemplo, o fato dela estar relacionada entre as cidades mais frias do Brasil: nos meses de junho a agosto, período de inverno, a temperatura na região pode se aproximar dos 10ºC negativos, com freqüente ocorrência de nevascas.

 

O mês de janeiro é o mais quente, com temperaturas médias entre 20 a 22°C, enquanto junho e julho são os meses mais frios, com a temperatura atingindo a marca de 0°C. Em razão dessa variação de temperatura o visitante pode escolher a melhor época para conhecer o parque, lembrando-se, porém, de que no clima de montanha as condições do tempo podem mudar rapidamente em qualquer época, não sendo incomum o registro de temperaturas inferiores a 10°C em pleno verão.

 

 

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