Período imperial - 1865 - GUERRA DO PARAGUAI (2)
Frustrado com a queda da cidade argentina de Corrientes, o ditador Francisco Solano Lopez planejou destruir os navios brasileiros que bloqueavam a confluência dos rios Paraguai e Paraná. Para concretizar seu plano ele se dirigiu à fortaleza de Humaitá, onde ordenou ao coronel de artilharia Bruguez que 22 canhões fossem assestados na margem direita do rio Paraná, junto à embocadura do arroio Riachuelo, passo onde numerosas ilhas e ilhotas dificultam a passagem de embarcações. Ao mesmo tempo, cerca de 3 mil homens ali foram dispostos com a missão de auxiliar a artilharia com sua fuzilaria e participar da abordagem dos navios brasileiros porventura alcançados (na ilustração, Batalha de Riachuelo, em tela de Vitor Meirelles).
Na madrugada do dia 11 de junho de 1865, domingo, a esquadra paraguaia do comandante Meza, composta por oito navios e seis baterias flutuantes, ou chatas, partiu da fortaleza de Humaitá para o cumprimento da missão que recebera. Os cinco vapores de guerra brasileiros que se encontravam ancorados à margem direita do Paraná, entre as pontas do mesmo nome e a de Santa Catarina, foram apanhados praticamente de surpresa, mas recuperaram-se, reagiram ao ataque que lhes era dirigido, e após oito horas e meia de combate encarniçado finalmente venceram a batalha naval mais importante da guerra. Alguns fatores contribuíram para isso, sendo um deles o recurso usado pelo almirante Barroso, que usando a proa do navio Amazonas como aríete, inutilizou sucessivamente três dos melhores navios de guerra inimigos. Essa vitória influiu consideravelmente nos rumos da guerra, pois além de permitir que os aliados dominassem os dois rios e pudessem apoiar as forças de terra sempre que as operações militares se desenvolvessem nas proximidades de onde eles se encontravam, impediu a invasão da província argentina de Entre Rios, onde os paraguaios iriam encontrar aliados, e cortou a marcha até então triunfante de Solano Lopez. O Paraguai, daquele momento em diante, perdeu a iniciativa das ações e teve que apelar para a guerra defensiva até a derrota final.
A ofensiva contra o território paraguaio começou em 6 de abril de 1866, em um ponto próximo do Passo da Pátria, campo entrincheirado situado na divisa entre Brasil e Paraguai e abandonado pelos paraguaios do forte Itapiru após luta acirrada. Logo a seguir, em 2 de maio, no lugar denominado Estero Bellaco, terreno pantanoso ao sul de Humaitá, os paraguaios surpreenderam os uruguaios e tomaram-lhe alguns canhões. Mas as tropas brasileiras comandadas pelo general Osório rechaçaram o inimigo, retomando parte das peças de artilharia e obrigando os atacantes a fugir em debandada para o interior da mata. Em 24 de maio travou-se em Tuiuti a maior batalha de toda a campanha, quando 38.000 soldados aliados (21.000 brasileiros) comandados pelo general Osório, enfrentaram 19.000 paraguaios, matando 6.000 deles e ferindo 7.000, além de 370 prisioneiros feitos, contra 4.000 mortos e feridos, a maioria dos quais brasileiros. Findo o confronto o comando brasileiro quis perseguir o inimigo em fuga, mas o general argentino Bartolomeu Mitre, nomeado comandante das forças terrestres aliadas pelo Tratado da Tríplice Aliança (01/05/1865), se opôs a isso, considerando que seria imprudente avançar em terreno desconhecido. Isso provocou a substituição do general Osório no comando dos brasileiros e permitiu não só que os paraguaios se reorganizassem em suas linhas de defesa, mas lhes possibilitou infligir aos aliados um grave revés em Curupaiti.
Nessa mesma época o comando brasileiro ordenou que uma coluna formada por 2.000 homens partisse de Uberaba, Minas Gerais, e investisse pelo sul do Mato Grosso. Esta unidade, após realizar penosa caminhada, chegou finalmente a Laguna, em território paraguaio, onde se viu sem condições para prosseguir com a ação porque estava exausta e já não dispunha mais de víveres. A retirada desses soldados foi registrada pela história como a Retirada da Laguna, e se transformou em um desastre quase total porque além deles terem enfrentado sérias e inúmeras dificuldades durante o caminho de regresso ao território pátrio, a perseguição que lhes foi imposta pelos inimigos só permitiu que 700 deles conseguissem salvar-se.
Após a vitória em Tuiuti (na ilustração, em tela de Candido López) os aliados prosseguiram seu avanço para o norte, enfrentando forte resistência do inimigo. Em julho e agosto ocorreram diversos combates em uma região pantanosa conhecida por Boqueron, nos quais os aliados e paraguaios sofreram pesadas baixas. Os paraguaios baseavam sua defesa em pontos protegidos por trincheiras e fossos guardados por batalhões de infantaria e pequenas unidades de artilharia, dos quais os mais importantes eram Curuzu e Curupaiti. No início da manhã de 2 de setembro, o 2º Corpo do Exército Imperial, com 14 mil homens liderados por Antônio Paranhos, Visconde de Porto Alegre, iniciou o ataque à primeira das fortificações, contando com o apoio de vinte navios de guerra comandados pelo vice-almirante Joaquim Marques Lisboa, barão de Tamandaré. Ao final de um dia de encarniçada luta corpo-a-corpo as tropas brasileiras dominaram os últimos focos de resistência, mas os soldados inimigos que escaparam dirigiram-se rapidamente para Curupaiti.
Em seguida foi a vez de Curupaiti, protegida por um sistema de defesa melhor estruturado que o de Curuzu. Na manhã do dia 22 a marinha imperial iniciou o bombardeio às posições inimigas, e ao meio-dia o exército aliado iniciou seu avanço contra os homens de Lopez protegidos em duas linhas de trincheiras escavadas em uma elevação da qual se podia ver o avanço adversário. Enquanto isso, os aliados só podiam avistar uma das linhas de trincheiras, havendo ainda o fosso e as peças de artilharia para completar o esquema de defesa paraguaio. Ainda assim, os aliados alcançaram a primeira das linhas de trincheiras, mas as encontraram vazias. Dada a ordem para prosseguirem com o avanço, os aliados tentaram até às quatro horas da tarde tomar as posições paraguaias em Curupaiti, mas o fogo inimigo e as baixas crescentes os obrigaram a empreender a retirada. O ataque foi um imenso fracasso, resultando na morte de quase 5 mil homens.
A derrota em Curupaiti provocou a troca de acusações entre os comandantes aliados, e a conseqüente diminuição da presença militar de uruguaios e argentinos na guerra acarretou a parada do avanço das tropas da Aliança pelo território inimigo. Durante pelo menos dez meses os aliados ficaram estacionados diante das trincheiras de Curupaiti, período de tempo em que as escaramuças e trocas de tiros entre as linhas inimigas se tornaram comuns, aumentando a lista de baixas em ambos os lados.






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