Período imperial - 1865 - GUERRA DO PARAGUAI (3)
Em 1867 a situação na frente de guerra se tornou difícil em virtude da cheia ocorrida no rio Paraguai e do surgimento de uma grande epidemia de cólera na região das operações militares, o que dificultava sua realização. Mas antes disso, em novembro de 1866, o então marechal Luiz Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias (ilustração), designado em 10 de outubro de 1866 para comandar as forças brasileiras, chegou ao Paraguai e encontrou o exército praticamente paralisado. Os contingentes argentinos e uruguaios vinham sendo retirados aos poucos; Venâncio Flores (Uruguai) e Bartolomeu Mitre (Argentina) haviam retornado a seus países, e assim o Brasil ficara praticamente sozinho. Tamandaré fora substituído no comando da esquadra pelo almirante Joaquim José Inácio, futuro visconde de Inhaúma, enquanto Osório organizava, no Rio Grande do Sul, uma tropa integrada por cinco mil homens.
Caxias assumiu então o comando geral das tropas e providenciou a imediata reestruturação do exército, passando a usar balões cativos para explorar as posições inimigas. Entre os meses de novembro de 1866 e julho de 1867, o novo comandante organizou um corpo de saúde encarregado de assistir aos inúmeros feridos em tiroteios esparsos e de combater a epidemia de cólera que continuava preocupando seus homens, organizando, também, um sistema de abastecimento capaz de atender com eficiência as necessidades dos seus soldados com relação a armas, munição e alimentos. Durante alguns meses as operações militares na área limitaram-se a escaramuças com os paraguaios e a bombardeios da esquadra do Visconde de Inhaúma contra a fortificação de Curupaiti. Do outro lado, Francisco Solano López aproveitava esse período de reorganização do inimigo para também reforçar suas fortificações em Humaitá.
Voltando a participar da guerra o general Osório contornou fortes concentrações de forças adversárias, entre elas a de Curupaiti, e acampou diante de Humaitá, considerada na época a mais poderosa fortaleza da América do Sul. A estratégia elaborada por Caxias consistia em contornar as fortificações paraguaias pela ala esquerda, ultrapassando o reduto adversário e com isso cortando as ligações entre Assunção e Humaitá, submetendo esta última a um cerco. Mas Bartolomeu Mitre, que retomara o comando em agosto de 1867, insistia no ataque pela ala direita, mesma tática que propiciara um resultado desastroso em Curupaiti. Por sua ordem a esquadra brasileira forçou a passagem de Curupaiti sem maiores perdas, mas deteve-se diante de Humaitá. Novas divergências surgiram no alto comando, pois enquanto Mitre desejava que os navios de guerra prosseguissem, os brasileiros mostravam-se favoráveis ao cerco de Humaitá, por terra. As vitórias de São Solano, Pilar e Tayi iriam tornar possível este cerco, isolando Humaitá de Assunção. Como reação Lopez atacou com sucesso inicial a retaguarda dos aliados em Tuiuti, mas acabou derrotado graças ao reforço trazido pelo general Porto Alegre.
Em janeiro de 1868 o general Mitre afastou-se definitivamente da campanha e com isso Caxias reassumiu o comando supremo e determinou a passagem de Humaitá, realizada com êxito pela esquadra comandada pelo capitão-de-mar-e-guerra Delfim Carlos de Carvalho, depois barão da Passagem. Humaitá caiu em 25 de julho, após um cerco demorado. No entanto, em março Solano López já havia deixado aquela fortaleza com parte de suas tropas, indo se instalar em San Fernando. Ali, ao descobrir que alguns funcionários de seu governo e seu irmão Benigno tramavam derrubá-lo, ele formou um conselho de guerra para julgar os implicados. O veredicto dessa corte marcial condenou à morte centenas de homens, que foram executados no que ficou conhecido como o massacre de San Fernando.
A partir daí teve início a longa perseguição que lhe moveu o duque de Caxias através do território paraguaio. Nos meses seguintes ocorreram diversas batalhas, entre elas a de Piquissiri, a da ponte de Itororó, onde os brasileiros só conseguiram a vitória após uma carga comandada pessoalmente pelo duque de Caxias; a batalha de Avaí (na ilustração, em tela de Pedro Américo), quando o general Osório foi ferido com certa gravidade; e a de Lomas Valentinas, numa seqüência de ações vitoriosas que ganharam o nome de Dezembrada. No dia 24 de dezembro os três novos comandantes da Tríplice Aliança (Caxias, o argentino Gelly y Obes e o uruguaio Enrique Castro) enviaram uma intimação a Solano López para que se rendesse. Mas López recusou-se a ceder e fugiu para Cerro León.
Em 05/01/1869 as tropas imperiais brasileiras comandadas pelo coronel Hermes Ernesto da Fonseca, pai do futuro Marechal Hermes da Fonseca, entraram em Assunção. No dia 5, Caxias chegou àquela cidade com o restante do exército e treze dias depois deixou o comando geral e retornou ao Rio de Janeiro porque se encontrava adoentado, segundo algumas fontes, mas uma outra versão revela que ele teria recusado a tarefa de acuar o inimigo derrotado. Para substituí-lo foi nomeado o conde d’Eu, genro do imperador Pedro II, que recebeu a incumbência de liquidar de vez com a obstinada resistência oferecida por Lopez, à testa dos remanescentes de seu exército. A partida de Caxias e de seus principais chefes militares fez crescer entre as tropas o desânimo, com a multiplicação dos pedidos de dispensa dos oficiais e voluntários.
A perseguição a Francisco Solano Lopez durou mais alguns meses, mas após alguns combates de pequenas proporções ele finalmente foi alcançado em Cerro Corá, onde em 01/03/1870 acabaria morrendo de um ferimento recebido em combate. Segundo algumas versões, ele teria sido morto por um golpe de lança que o cabo José Francisco Lacerda, conhecido como Chico Diabo, lhe desferiu no momento de sua prisão. Dessa forma terminou a longa campanha militar de onde o Paraguai saiu completamente arruinado e os países aliados sem lucro algum, a não ser a certeza do desaparecimento de uma ameaça expansionista. Para o Brasil, além da tristeza provocada pelas 90.000 mortes que a guerra somou, o conflito com o Paraguai também serviu para acender o interesse sobre o fim do regime de trabalho escravo que tanto envergonhava o país diante de seus vizinhos aliados, provocando com isso o aumento das discussões a respeito da questão escravista e a ativação da propaganda republicana.





