R a U - SURDOS E MUDOS - Linguagem dos sinais
O ensino da linguagem aos incapazes de falar por serem surdos ou mudos constituiu, através dos tempos, um sério problema social. Na Antigüidade eles foram tratados muitas vezes como dementes ou venerados como favoritos dos deuses, como ocorreu na Pérsia e no Egito, mas foi sobretudo na época do Renascimento que surgiram verdadeiros apóstolos dedicados ao estudo dos meios que permitissem integrar os surdos-mudos na sociedade.
O matemático e médico italiano Jerônimo Cardan (1501-1576), primeiro homem a conceber a possibilidade prática de educar os portadores dessa deficiência, manifestou acertadas observações sobre as probabilidades de se efetivar a educação dos cegos e surdos-mudos.
A fama de Cardan como médico foi tão grande que os reis Cristiano III, da Dinamarca, e Eduardo VI, da Inglaterra, reclamaram sua assistência, mas na verdade, os maiores sucessos que ele obteve repousam nas descobertas matemáticas que fez, entre as quais a da fórmula para resolução das equações de terceiro grau. Depois dele outros professores também trouxeram uma contribuição decisiva à arte do ensino aos desprovidos da fala e audição.
Até meados do século 18 as crianças portadoras dessas deficiências não eram alfabetizadas porque não existiam meios de comunicação entre elas e as outras pessoas. Até que em 1755 o abade francês Charles Michel L'Epée (1712-1789) elaborou um método onde através da mímica se tornava possível descrever letra por letra, e passou a ensinar o alfabeto aos alunos da escola que fundara, a primeira dedicada a surdos-mudos.
Daí em diante o sistema de sinais veio sendo aperfeiçoado ao longo dos anos, chegando ao Brasil em 1856 graças ao conde francês Huet, que era surdo. Essa universalização se tornou possível porque os sinais, ao indicarem letras, permitiam que pessoas de nacionalidades diferentes se comunicassem entre si. Além disso, eles também representavam conceitos como fome ou sono, por exemplo, o que facilitava o entendimento entre os dependentes de gestos manuais para manifestar pensamentos e desejos.
Em 1966, a linguagem mímica foi aperfeiçoada pelo médico americano Orin Cornett, que associou o emprego de sinais à leitura labial. Atualmente, cada país tem a sua própria linguagem de sinais para surdos-mudos, todas derivadas do método francês original, com pequenas variações decorrentes da gramática local. Esse sistema é conhecido no Brasil como Libras, ou Língua Brasileira de Sinais.
O site www.dicionariolibras.com.br publica um amplo material sobre a linguagem de sinais. O objetivo desse trabalho, segundo definição dos autores, “é a divulgação em larga escala da língua de sinais LIBRAS, gestual e escrita, assim como o desenvolvimento de material didático lúdico e a sua utilização online (...) Elaboramos este site sem grandes pretensões com a finalidade de suprir de forma imediata a demanda reprimida por parte dos interessados na aprendizagem da língua de sinais”.
O INES - Instituto Nacional de Educação dos Surdos (Rua das Laranjeiras, 232 – Laranjeiras – Rio de Janeiro – Tels.: (21) 2285-7597, 2285-7949, 2285-7546), e-mail www.ines.org.br, foi criado na época do império, sendo a mais antiga instituição brasileira a atuar na área de surdez e linguagem de sinais. Sua missão institucional é a produção, o desenvolvimento e a divulgação de conhecimentos científicos e tecnológicos na área da surdez em todo o território nacional, bem como subsidiar a Política Nacional de Educação, na perspectiva de promover e assegurar o desenvolvimento global da pessoa surda, sua plena socialização e o respeito às suas diferenças.
No campo da prevenção, o INES esclarece que qualquer bebê recém-nascido pode apresentar um problema auditivo no nascimento ou adquiri-lo nos primeiros anos de vida. Isto pode acontecer mesmo que não haja casos de surdez na família ou nenhum fator de risco aparente. Por isto peça ao pediatra para fazer o Teste da Orelhinha quando seu filho nascer.
Segundo o Instituto, a audição começa a partir do 5º mês de gestação e se desenvolve intensamente nos primeiros meses de vida. Qualquer problema auditivo deve ser detectado ao nascer, pois os bebês que têm perda auditiva diagnosticada cedo e iniciam o tratamento até os 6 meses de idade apresentam desenvolvimento muito próximo ao de uma criança ouvinte. O diagnóstico após os 6 meses traz prejuízos inaceitáveis para o desenvolvimento da criança e sua relação com a família. Infelizmente, no Brasil, a idade média de diagnóstico da perda auditiva neurossensorial severa e profunda é muito tardia, em torno de quatro anos de idade (Ines, 1990).
Lembre-se de que ouvir é fundamental para o desenvolvimento da fala e da linguagem. Se o exame não foi realizado no nascimento, faça-o agora. Procure o audiologista responsável pelo programa de Triagem Auditiva em seu hospital.





