Período imperial - 1868 - BATALHA DE LOMAS VALENTINA

Lomas Valentina é o nome de um grupo de pequenos morros existentes em território paraguaio, local onde foi travada uma batalha decisiva na guerra que Brasil, Argentina e Uruguai desenvolviam contra o Paraguai. Em 22 de dezembro de 1868, o ditador Francisco Solano Lopez, tendo sob suas ordens os generais Caballero e Resquin, havia recuado com cerca de 10.000 homens para aquele ponto estratégico, após ter sido derrotado em Vileta. Ali ele esperava se defender de maneira satisfatória das forças que o acossavam, porque a topografia do terreno o ajudava a manter uma posição defensiva difícil de ser ultrapassada (na ilustração, litografia de A. Methfessel representando prisioneiros paraguaios).

 

Mas as tropas aliadas que vinham em seu encalço não lhe deram trégua e o encurralaram entre os pequenos morros do lugar, propondo-lhe, porém, antes do ataque decisivo na iminência de ser desencadeado, que depusesse as armas e se rendesse incondicionalmente, como forma de poupar muitas vidas de ambos os lados. O documento que foi encaminhado a Lopez levava a assinatura do Duque de Caxias, representando o Brasil: a do General  Gelly y Obes, em nome da Argentina; e a do General Enrique Castro, do Uruguai, comandantes que estavam à frente dos  seus soldados. Apesar disso Francisco Solano Lopez desconsiderou a oferta feita pelos adversários e decidiu enfrentá-los no campo de batalha, provocando com isso o desbaratamento e a aniquilação total do exército que comandava. Ao ditador derrotado restou apenas a fuga em direção a Cerro Leon, acompanhado por cerca de sessenta homens, no máximo, entre oficiais e praças, adiando dessa forma, por mais algum tempo, o desfecho da guerra e o cumprimento do seu destino que já estava selado.

 

Os registros sobre a movimentação militar que antecedeu a batalha de Lomas Valentina esclarecem que Solano Lopez, após ter abandonado o acampamento de São Fernando, no Tebiquari, tratou de fortificar-se entre Angustura e Vileta, a cerca de quinze quilômetros de Assunção. Em sua perseguição, os aliados avançavam tanto por terra como pelo rio, apesar de encontrarem dificuldades crescentes à medida que progrediam nessa caminhada. Em virtude disso, seus comandantes tentaram enfraquecer a resistência paraguaia operando uma manobra diversionista pelo noroeste, fingindo ameaçar a capital inimiga, mas o ditador já não se preocupava em defendê-la, e sim em demonstrar aos exércitos aliados que ainda era suficientemente forte para enfrentá-los. Nesse ínterim, o próprio Marquês de Caxias colocou-se à frente de 10.000 homens, atravessou com eles o rio Paraguai, subiu por sua margem direita e depois atravessou novamente para o lado esquerdo, o que lhe possibilitou atacar o inimigo pela retaguarda.

 

Em toda aquela redondeza a luta se manteve firme durante muitos dias, ficando reduzida a um grande e único campo de batalha formado por Vileta, Angustura, Piquiciri e Itororó. Até que a vitória dos aliados obrigou Lopez a fugir para Lomas Valentina, posição ligada a Angustura e outros pontos onde as guarnições paraguaias ainda resistiam valentemente. Ao romper da manhã do dia 27 de dezembro de 1868, Caxias ordenou então o ataque a Lomas Valentina, tendo seus soldados efetivado o assalto com tal ímpeto que o inimigo não conseguiu resistir por muito tempo, obrigando Lopez a fugir para Cerro León. Três dias depois, quando Angustura também capitulou, pensou-se então que o tirano havia recebido o golpe de morte, e por isso os aliados marcharam sobre Assunção, onde entraram no dia 1 de janeiro de 1869.

 

Nesse ponto o Marquês de Caxias e o Visconde de Inhaúma adoeceram e se viram obrigados a abandonar o campo de batalha. Inhaúma teve seu estado tão agravado que veio a falecer pouco depois da sua chegada ao Rio de Janeiro.

 

 

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