R a U - TORTURA, Meios de - ESMAGADOR DE POLEGARES
O esmagamento dos nós e das falanges dos dedos, assim como o arrancamento de unhas das mãos do infeliz condenado a esse suplício, eram duas das torturas praticadas rotineiramente desde os tempos mais antigos. Isso porque a relação entre a dor infligida ao supliciado, o esforço despendido pelos torturadores durante a execução da sua tarefa brutal, e o tempo consumido por estes durante as sessões, era altamente satisfatória para os mesmos, principalmente quando não dispunham, em suas masmorras, de instrumentos mais sofisticados para a prática da odiosa atividade.
No caso do esmagador de polegares, tratava-se de um instrumento simples mas eficaz, porque apesar de ser constituído de duas ou três barras chatas de ferro que podiam ser apertadas lentamente por meio dos parafusos existentes em suas laterais (ou por meio de pancadas dadas em cunhas, de maneira mais brusca), provocava o esmagamento dos ossos e da carne. Além do mais, também permitia que a mão do supliciado ficasse presa firmemente entre as barras, expondo apenas as pontas dos dedos, cujas unhas eram arrancadas por meio de cunhas que nelas eram batidas.
Sua utilização não exigia nada mais que a imobilização do condenado e a colocação de uma de suas mãos no aparelho, entre as duas barras de ferro. Depois, a barra superior ia sendo baixada pouco a pouco, na medida em que o torturador torcia as porcas em seus respectivos parafusos, provocando dessa forma uma pressão tão forte que esmagava os ossos e a carne das mãos e dedos do pobre coitado submetido ao castigo cruel.
Robert G. Ingersoll (1833-1899) foi um livre pensador americano do século 19 e líder político estadunidense. Apesar de pouco conhecido nos dias de agora, ele foi, em seu país, o orador político mais famoso do seu tempo, e talvez o mais conhecido norte-americano na era posterior à guerra civil. No artigo intitulado Voltaire, Ingersoll denunciou que “Sob o benigno reino da misericórdia universal, toda corte teve sua câmara de tortura, assim como todo pastor usava o esmagador de polegares e a prancha de tortura. Foi tão grande o sucesso do evangelho abençoado que toda ciência foi proscrita. Exprimir honestamente suas idéias, ensinar seus semelhantes, investigar por você mesmo, buscar a verdade, tudo isso eram crimes e a 'santa igreja' perseguia esses criminosos com a espada e a fogueira”.
O filósofo dizia mais sobre a era de medo vivida pelos povos ocidentais durante a época da Inquisição: “O sobrenatural e miraculoso dominavam o mundo. Tudo era explicado, mas nada era entendido. A igreja a líder. Os doentes compravam de monges pequenos amuletos de papel que eram benzidos. Eles não procuravam um médico, mas um sacerdote. E os padres vendiam aos doentes e moribundos esses amuletos. Esses pequenos pedaços de papel curariam doenças com a ajuda de santos. Se fossem colocados num berço, você poderia evitar que a criança fosse enfeitiçada. Se fossem colocados numa despensa, os ratos não iriam devorar seu milho. Se fossem colocados na sua casa, os maus espíritos não entrariam pelas portas, e se você os enterrasse no campo, teria bom clima, as geadas atrasariam, as chuvas chegariam quando necessário, e colheitas abundantes abençoariam seu trabalho. A igreja insistia que todas as doenças poderiam ser curadas em nome de Deus, e essas curas poderiam ser realizadas pela oração, pelo exorcismo, tocando ossos de santos, pedaços da cruz sagrada, sendo salpicadas por água benta, ou com sal santificado, ou tocados com santos óleos”.





