Mangues lagos e lagoas - LAGOS E LAGOAS - Qual a diferença?

Os lagos são formados por grandes massas de água salgada ou doce ocupando depressão entre colinas, em crateras vulcânicas e outros locais assemelhados, cujo escoamento é impedido por barragens naturais ou pela ação do homem. Alimentados com água da chuva, das geleiras, dos oceanos ou dos rios chamados afluentes (os que partem deles são denominados emissários), os lagos, dependendo de sua extensão, também podem apresentar fenômenos como vagas, marés e até mesmo correntes. Já as lagoas são lagos de pequenas dimensões, mas o termo também é aplicado a extensões de água mais consideráveis e pouco profundas.

 

Conforme a origem os lagos são classificados como de barragem (de água salgada, como a Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, Mirim e dos Patos, no Rio Grande do Sul); de depressão (águas fluviais acumuladas em grandes depressões fechadas); de erosão (resultante do desgaste na superfície pela ação dos ventos, chuvas, rios e geleiras, como a Santa, em Minas Gerais); mistos (formados pela ação conjunta do deslocamento da crosta terrestre e das geleiras); residuais (trechos de mar isolados por movimentos da crosta terrestre); tectônicos (estreitos, profundos e de margens escarpadas, produzidos por fraturas na crosta terrestre); e vulcânicos (localizados nas antigas crateras). Semelhantes aos lagos existem também as lagunas, formadas por massas de água estagnada pouco profundas e com alto teor de salinidade, ligadas entre si por vias estreitas e temporárias.

           

Um aspecto interessante dos lagos é que além de funcionarem como reguladores dos rios, eles também têm importante função recreativa e turística na atualidade, já que permitem a instalação de acampamentos às suas margens e o desenvolvimento de atividades esportivas como esqui aquático, pesca, remo e vela. Porém, muitos deles podem ser prejudicados pela ocupação descontrolada e imprevidente, resultando daí que depois de poluídos não mais permitirão qualquer utilização.

           

Os cinco maiores lagos brasileiros (todos considerados lagoas) são: Patos (RS), com 9.850 quilômetros quadrados; Mirim (RS) com 2.847; Mangueiras (RS), com 815; Feia (RJ), com 328; e Araruama (RJ), com 207.

 

Cada um dos lagos e lagoas existentes no país tem uma história curiosa. Sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas (ilustração), no Rio de Janeiro, conta-se que nos tempos da colonização havia uma lei isentando de impostos a quem erguesse engenhos de cana no Brasil, isto porque, naquela época, o açúcar constituía mercadoria preciosa, servindo inclusive para ativar o comércio internacional. Os engenhos precisavam de muitas terras e essas eram, na grande maioria, ocupadas pelos índios. Entre 1575 e 1578 o Rio de Janeiro foi governado por Antônio Salema, um jurista, formado em Coimbra, que tinha como principal característica o ódio que nutria pelos índios Tamoios. O governador pretendia instalar um engenho de cana nas margens da atual Lagoa Rodrigo de Freitas, mas como as terras em questão eram ocupadas pelos indígenas, Salema usou um método traiçoeiro para exterminá-los: espalhou, pelas margens, roupas que haviam sido usadas por doentes de varíola. Os índios decidiram vesti-las, se contaminaram e assim acabaram mortos. Foi dessa forma que a Lagoa Piraguá (água parada) ou Sacopenapan (caminho dos socós) serviu de cenário a um grande massacre.

 

Além de Piraguá, ou Sacopenapan, a lagoa também recebeu o nome Amorim Soares, vereador que foi expulso da cidade em 1609. Ele havia comprado o Engenho D'El Rei do Governador Salema, mas em virtude da expulsão tratou de vender as terras para seu genro, Sebastião Fagundes Varela, que logo tratou de invadir os terrenos vizinhos. Onze anos depois, o novo proprietário já era dono de todas as terras daquela região, até o Leblon. Mais tarde, a viúva de Varela, Petronilha, de 50 anos, casou-se com Rodrigo de Freitas, de apenas 18 anos, dando seu nome à lagoa. Rodrigo de Freitas morreu em Portugal no dia 12 de julho de 1748, mas seu nome continuou identificando o lugar, tanto que hoje, depois de passados pouco mais de 250 anos, ela continua a ser chamada de Rodrigo de Freitas. Mas pouca gente conhece essa história.

 

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