Invenções - SUTIÃ
O sutiã (do francês soutien) é uma peça do vestuário que as mulheres usam para proteger, sustentar e moldar os seios. Os pesquisadores afirmam que antigamente, na falta de recursos mais adequados, o jeito era improvisar alguma coisa semelhante ao que agora vem sendo usado pelo público feminino, e diante disso as egípcias se ajeitavam como podiam valendo-se de tiras de pano para firmar o busto, empurrando-o para cima, enquanto as romanas, por sua vez, conseguiam o mesmo resultado com faixas de pano, ou pele de animais, enroladas no próprio corpo, apertando-lhes a cintura e modelando-lhes o colo. As demais, ao que parece, os deixavam livres e soltos, em luta permanente contra a lei da gravidade, do mesmo jeito que ainda hoje a gente vê acontecer com as indígenas brasileiras, nos recantos nudistas, ou com as mocinhas e damas adeptas do chamado modernismo do novo século.
Pelo que se sabe, esse costume de seios livres sofreu poucas modificações durante muito, muito tempo, com as mulheres de várias gerações usando trajes amplos que caíam diretamente dos ombros até quase a altura dos tornozelos, sem destacar os seios ou quadris. A única alteração a essa forma de vestir surgiu no século VII, quando um corpete exterior que comprimia e ressaltava o busto, passou a ser usado pelas damas de maior e melhor presença social.
Até que no início da Idade Média, Isabel da Baviera (1370-1435), rainha da França, esposa de Carlos VI e famosa pelas relações extraconjugais que mantinha, desejando comprimir e ressaltar o próprio busto criou um modelo de corpete para ser usado sob o vestido, iniciando, a partir daí, um longo e tormentoso período para as mulheres. Porque os estilistas de então se valeram da oportunidade que a soberana lhes oferecia e passaram a introduzir nos trajes íntimos femininos algumas inovações realmente espantosas, como espartilhos com armações de ferro, lâminas de chifre, de madeira, de metal e outros materiais com as mesmas características, transformando o uso dessas peças do vestuário em verdadeiras sessões de tortura às quais as mulheres se submetiam em nome da elegância e boa presença física.
O espartilho dispunha de barbatanas metálicas com amarração nas costas, e sua finalidade era a de reduzir a cintura, manter o tronco ereto e o aprumo corporal, conferindo mais elegância à mulher. No início eram feitos com tecidos pesadamente engomados, usados agora em tapeçaria, e reforçados com junco e cordas engomadas. Somente no século 19, graças à invenção dos ilhoses e o uso de barbatanas de baleia, foi que a atenção se voltou para a das cinturas minúsculas, o que coincidiu com o surgimento de formas mais racionais e higiênicas que evoluíram para a moderna cinta elástica, usada principalmente pelas pessoas mais corpulentas. O espartilho que acarretava sérios inconvenientes às mulheres, provocando-lhes prejuízos às funções respiratórias e digestivas, acabou sendo abandonado no início do século 20, quando o sutiã foi inventado.
Hoje todos o conhecem, mas seu aparecimento no cenário da moda é relativamente recente, com a autoria de sua invenção sendo reivindicada tanto por franceses como por americanos. Os primeiros dizendo que sua criadora foi Herminie Carolle, uma fabricante de roupas que em 1887 foi viver por uns tempos em Buenos Aires e lá abriu uma loja de lingerie. Em 1889, decidida a aposentar o espartilho e substituí-lo por outra peça de uso mais cômodo e fácil de ser colocada no corpo, ela iniciou o modelo (na ilustração, o que foi apresentado na Feira Industrial França de 1900) do que viria a ser conhecido como soutien-gorge, ou gorge-corselet, inovando com o uso de alças elásticas na parte superior do espartilho dividido em dois. A partir de 1905, madame Carolle passou a vender apenas a parte de cima da peça, adotando as medidas intermediárias e vendendo seu produto pelo correio para grande parte do mundo.
Já os segundos garantem até hoje que a primazia dessa criação cabe à Mary Phelps Jacob, uma novaiorquina da alta sociedade que em 1913 montou um sutiã usando dois lenços, um pedaço de fita de cor rosa e um pouco de cordão, obtendo, dessa forma, uma peça macia que sustentava os seios com firmeza (na ilustração abaixo). No ano seguinte esse modelo foi devidamente reconhecido e patenteado nos Estados Unidos, sendo a patente vendida posteriormente a uma fábrica de roupas femininas, a Warner Brothers Corset Company, por 1.500 mil dólares. A industrialização do lingerie iniciou uma nova era para as mulheres, a dos também chamados porta-seios, embora, na época, fossem poucas as opções de tamanho da peça, cujo ajuste era feito por meio de presilhas colocadas nas alças.
Algumas passagens interessantes integram o histórico da vida do sutiã, entre elas a de 1930, quando surgiram os enchimentos e estruturas metálicas destinadas a aumentar o busto; ou a de 1960, ano em que grupos feministas o queimaram em praça pública justificando essa atitude com a denúncia de que ele era um símbolo da repressão masculina; ou ainda a de 1990, quando ele passou a oferecer diversos artifícios, como levantar, aumentar e unir os seios; e outros mais.
Atualmente o sutiã é usado com várias finalidades, entre elas a de revelar ou esconder as curvas, tornando a região do busto mais sexy. Por isso ele tem hoje um design moderno e confortável, que ressalta a sensualidade do corpo feminino.





