Parques e reservas - PARQUE NACIONAL DO TUMUCUMAQUE - Amapá

Uma das 27 unidades federativas do Brasil, o Amapá está situado na região Norte, tendo como limites a Guiana Francesa ao norte; o Oceano Atlântico a leste; o Pará ao sul e oeste; e o Suriname a noroeste. Criado em 13 de setembro de 1943 (decreto-lei 5814) como Território Federal do Amapá, transformou-se em Estado por decisão da Assembléia Nacional Constituinte de 1988, sendo instalado no dia 1º de janeiro de 1991. De sua área de 142.814,585 quilômetros quadrados, aproximadamente cerca de 73% são cobertos pela floresta amazônica, que apesar da devastação a que já foi submetida pelos extrativistas, ainda apresenta áreas não tocadas pela mão do homem.

 

Para preservação desse ecossistema criou-se em 22 de agosto de 2002 o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, com o objetivo de “assegurar a preservação dos recursos naturais e da diversidade biológica, bem como proporcionar a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação, recreação e turismo ecológico”. A área de tal território é de 3.882.120,00 hectares, o que corresponde a 27% do solo amapaense, além de uma pequena porção do estado do Pará. Ocupando terras públicas federais, o Parque é hoje a maior unidade de conservação do mundo em área de floresta tropical, sendo secundado, no Brasil, pelo Parque Nacional do Jaú, no Amazonas, que possui 2.272.000 hectares. O processo de criação foi realizado pelo Ministério do Meio Ambiente, que repassou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) algumas áreas estudadas para se tornarem unidades de proteção nacional.

 

O Parque Nacional do Tumucumaque é maior que os estados brasileiros de Alagoas e Sergipe juntos, abrigando em sua região as nascentes de todos os principais rios do Amapá, com destaque para o Oiapoque, o Jari e o Araguari. O Oiapoque, cuja foz é o ponto extremo do litoral norte brasileiro (o do sul é o arroio Chuí, no Rio Grande do Sul) deságua no oceano Atlântico, delimitando, ao longo de seu percurso de 350km, a fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa; o Jari, cujo curso de 785km termina na margem esquerda do rio Amazonas, serve de limite entre os estados do Pará e Amapá; enquanto o Araguari (existe outro rio com o mesmo nome, em Minas Gerais) tem 575km de extensão, e despeja suas águas no oceano Atlântico.

 

A fauna da região é muito rica, apesar de pouco estudada, abrangendo desde grandes mamíferos carnívoros como a onça e a sussuarana e até primatas, entre os quais se inclui o ameaçado cuxiú, designação comum dada a um tipo de macaco com pelagem espessa, barba e topete formado por dois tufos de pêlo. Entre as aves, araras, jacus, beija-flores multicoloridos e grandes pássaros da copa da floresta, como o anambé-militar, que também tem o nome de anambé-reio-de-sol, ou anambé-sol, o pássaro-boi, também chamado de urutaí, urutau, capuchinho, e o gainambé, mais conhecido como araponga.

 

Dentre os atrativos do parque destacam-se a sua biodiversidade e as paisagens preservadas de Floresta Amazônica. Alguns de seus rios apresentam corredeiras e cachoeiras de beleza ímpar, como o rio Anotaiê, trechos do rio Oiapoque e do rio Jari, onde está a Cachoeira do Desespero, ou Macacoara em língua indígena, que possui um desnível de cerca de 15 metros. Outro atrativo é representado pelos afloramentos rochosos com elevações que chegam até 650 metros, compondo três blocos na região: a serra Lombarda, a leste, a serra Uassipein, na parte central, e a serra Tumucumaque a oeste, na fronteira entre Brasil, Guiana Francesa e Suriname, todas elas acessíveis apenas através de sobrevôos.

 

O acesso ao parque pode ser feito por duas vias principais, ambas fluviais. A partir da cidade de Serra do Navio, a 90 km dos limites do parque, subindo o rio Amapari; e ainda pela cidade de Oiapoque, ao norte do estado, na fronteira com a Guiana Francesa e distante 550km de Macapá, de lá subindo por mais 40 km pelo rio Oiapoque.

 

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBi, apesar do Parque Nacional de Tumucumaque ter seu interior praticamente desabitado, algumas comunidades estão localizadas na área de seu entorno, como os assentamentos agrícolas ao longo da rodovia Perimetral-Norte (BR-210) e da região do Lourenço, onde se encontra um garimpo ainda ativo. Outra comunidade inserida na área preservada é a Vila Brasil, que fica junto ao rio Oiapoque e mantém estreitas relações sociais e comerciais com a Guiana Francesa.

 

Populações indígenas habitam terras adjacentes ou próximas ao parque, como a Wajãpi, Tumucumaque e Paru d'Este, reunindo etnias Wajãpi (também presentes nas terras franco-guianenses junto ao Rio Oiapoque), Apalay, Wayana, Tiriyós e Katxuyana. Tem-se buscado investir no envolvimento das comunidades de entorno, assim como de outras instituições do poder público e da sociedade civil, no compartilhamento da gestão do parque, e o meio encontrado para concretizar este envolvimento tem sido o conselho gestor, instância legal da administração das unidades de conservação, existente no parque desde 2005.

 

 

Deixe um comentário:

  

      

  

caracteres restantes.


Comentários:


Nenhum comentário.