V a Z - ZUMBI

Zumbi é uma palavra da língua africana quimbundo, cujo significado é cadáver animado por força mágica e obrigado a trabalhar para o encantador. Os dicionários brasileiros esclarecem que ela identifica não só o fantasma que de acordo com a crença popular afro-brasileira, vagueia pela noite, mas também o indivíduo que sai de casa somente depois que o sol se esconde e a escuridão toma conta das ruas.

 

Conforme a lenda conhecida em todos os cantos da Terra, os zumbis, também chamados mortos-vivos, são pessoas que morreram, mas retornaram à vida graças à ação de um sacerdote vodu, tornando-se então seus escravos. O vodu é um culto de origem africana (semelhante à macumba brasileira) praticado nas Antilhas e em especial no Haiti, onde é majoritário, no Brasil e sul dos Estados Unidos, combinando elementos do catolicismo com procedimentos das religiões tribais da África ocidental.

 

Ele surgiu num reino chamado Daomé, atualmente conhecido como Benin. Com a escravidão no século 19, os nativos de Daomé foram capturados e levados para que fossem trocados por armas e alimentos com mercadores europeus, o que os levou a se estabelecer em muitas partes das Índias Ocidentais e no Haiti. Como na época a igreja católica demorou a constituir um clero que pudesse batalhar pela religião cristã no Haiti, esta ausência prolongada deu aos escravos a oportunidade de combinarem a sua religião com o catolicismo, originando daí uma mistura religiosa (sincretismo) da qual se diz que é difícil determinar onde acaba o catolicismo e começa o voduísmo. O resultado é que 95% dos haitianos se declaram católicos, e 100% adeptos do vodu.

 

Seus rituais são dirigidos por um sacerdote, ou sacerdotisa, e incluem o uso de velas, sinos, cruzes e orações, além da prática do batismo e o sinal da cruz (elementos católicos), além de dança, tambores e veneração de ancestrais (elementos africanos). Tal como acontece com muitas religiões orientadas para a magia, a idéia essencial do vodu é a de que toda a realidade é uma espécie de fachada por detrás da qual atuam forças espirituais muito mais importantes. As árvores podem ser as moradas de espíritos poderosos; a doença e a morte nunca são fortuitas, mas constituem sempre um sinal de retribuição divina ou mágica.

 

Em www.geocities.com/caldeirao/vodu explica-se que os aspectos secretos do vodu são os que mais têm apelado para a imaginação do Mundo. O texto explica que “O vodu - um sistema de crença enraizado no medo - possui efetivamente aspectos muito secretos. Práticas como assassínios, rituais, canibalismo e magia negra, são atribuídas a determinadas sociedades secretas de vodu conhecidas coletivamente como seitas vermelhas. Feiticeiros denominados bokos invocarão, a troco de uma retribuição monetária, a ajuda do Barão Samedi (senhor dos cemitérios, dos ritos fúnebres, cujo símbolo é uma cruz negra sobre um ataúde) a fim de lançar maldições fatais sobre os vivos - e eventualmente maldições mais aterrorizantes ainda sobre os que acabaram de morrer, pois são estes que é possível, através da magia, transformar em zombies (ou zumbis), cadáveres reanimados condenados a servir para sempre os seus senhores como escravos descerebrados”.

 

O Centro Apologético Cristão de Pesquisa(www.cacp.org.br/seitasdiversa) esclarece  que os haitianos praticantes do vodu acreditam que o homem possui duas almas: a Gros bon ange, ou grande anjo bom, que tem a capacidade de sair do corpo enquanto a pessoa dorme, e se não retornar, a pessoa morre. E a Petit bon ange, ou pequeno anjo bom, protetora e guia do adepto. Assim, quando uma pessoa morre, o grande anjo bom segue para o céu, mas o outro fica nas proximidades do cadáver, ou vagando pelo mundo, sendo muitas vezes chamada de zumbi, mesmo nome dado a uma alma dominada por sacerdote vodu. Esses são os mortos-vivos, pessoas que na realidade ainda estão vivas, mas perderam totalmente a consciência, e como já não pensam e carecem de controle autônomo, tornam-se escravos de quem os colocou naquela situação.

 

Os textos que analisam os métodos de que se valem os sacerdotes da seita vudu para transformar alguém em zumbi, explicam que o processo é feito por meio de ervas portadoras de substâncias químicas capazes de deixar a pessoa nesse estado. Na opinião de alguns cardiologistas consultados a respeito, esses compostos vegetais reduzem o batimento cardíaco tornando-o mais lento, dilatam as pupilas e inibem, nos que os recebem, a sensibilidade à luz, colocando o indivíduo que recebeu a dosagem tóxica em um estado de transe absoluto, o que facilita a execução do ritual promovido pelo sacerdote. Entre os componentes da fórmula zumbi inclui-se a tetradotoxina, veneno neurotóxico que é encontrado em algumas rãs venenosas e no peixe baiacu, que por ser muito apreciado em algumas partes do mundo, volta e meia tem provocado a morte de desavisados consumidores.

 

O pesquisador e antropólogo do museu botânico da universidade de Harvard, Estados Unidos, Wade Davis, autor do livro A Serpente e o Arco-Iris, cujo tema é justamente a seita vudu, esteve no Haiti em busca de maiores informações sobre a mesma, e nesse trabalho investigativo descobriu a fórmula usada na preparação de uma poção capaz de colocar quem a ingere em um estado comparável com a morte. O cientista constatou que quando o feiticeiro profanava a tumba do morto, após o seu sepultamento, lhe dava outra substância para tirá-la do torpor em que se encontrava, embora sabendo que a capacidade mental da vítima ficaria reduzida ao mesmo nível de quem extirpou parte do cérebro, e por isso ela jamais voltaria a ser a mesma pessoa. Isso é explicado pela privação de oxigênio sofrida pelo cérebro do desafortunado, no ambiente fechado do ataúde em que seu corpo foi colocado.

 

 

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