Universo - COMETA DE HALLEY
Os cometas são os objetos celestes que mais deram origem a temores e superstições no passado, despertando, hoje, uma enorme curiosidade. Eles podem ser periódicos, assim chamados os que percorrem uma órbita regular ao redor do Sol, ou não-periódicos, quando entram no sistema solar e voltam a desaparecer entre as estrelas. O cometa de Halley pertence ao primeiro grupo, e seu caminho pelo espaço celeste (órbita), que é feito na direção oposta à dos planetas (movimento retrógrado), tem seu periélio (ponto mais próximo do Sol) a 0,59 unidade astronômica (cada uma delas equivale a 149.597.870,691km), enquanto o afélio (ponto mais distante do Sol) fica além da órbita do planeta Netuno.
Ele é conhecido desde 240 antes de Cristo (embora se diga que esse conhecimento talvez possa vir de 1059 a.C.), e foi visto a olho nu em todas as trinta aparições registradas até agora. O Halley leva 76 anos, aproximadamente, para completar o seu giro orbital elíptico (de forma oval), porque a força de atração dos planetas maiores, além dos efeitos provocados pelos gases quentes durante sua passagem perto do Sol, podem influir no tempo necessário para o cumprimento de cada revolução.
Sua identificação foi feita em 1696 por Edmond Halley (1656-1742), astrônomo e matemático inglês, ao observar que o cometa avistado em 1682 tinha característica e trajetória semelhantes aos de 1531 e 1607. Comparando esses dados com os ensinamentos ministrados por Isaac Newton (1643-1727), físico e matemático inglês, em sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, publicada em 1687, na qual o autor não só descrevia a lei da gravitação universal e as três leis dos corpos em movimento, mas também revelava a consistência entre o sistema por ele idealizado e as leis de Kepler sobre a movimentação dos planetas; demonstrava que os movimentos de objetos, tanto na Terra como em outros corpos celestes, são governados pelo mesmo conjunto de leis naturais; e sugeria que assim como os planetas, que giram ao redor do Sol em órbitas elípticas e quase circulares, sob a força da gravitação (cuja lei ele estabeleceu em detalhes), os cometas também faziam o mesmo, com a diferença de que elas eram tão alongadas que eles só seriam visíveis nas ocasiões em que se aproximavam da Terra e do Sol, e por isso teriam passagens periódicas e com datas em princípio previsíveis.
Halley concluiu, então, que as três aparições registradas referiam-se a um só cometa que se aproximava da Terra a cada 76 anos, donde, portanto, sua próxima visita deveria acontecer em 1758, ou 1759. Mas não viveu para constatar que estava correto em sua previsão, pois o cometa reapareceu, realmente, na véspera de Natal do ano previsto (passado algum tempo esse corpo celeste recebeu o seu nome, homenagem póstuma que se prestava à sua sabedoria e competência científica). Depois disso o cometa voltou pontualmente em 1835, 1910, e mais recentemente, em 27 de novembro de 1985.
Os registros sobre o Halley indicam que nos anos 374, 607, 837 e 1066, ele apresentava um brilho maior do que o transmitido pela mais brilhante das estrelas do hemisfério celestial norte. Mas a análise dessa intensidade luminosa, através dos anos, tem indicado que o cometa perde gás e poeira em cada aparição, e em quantidades que representam 0,1% da sua massa total. Segundo os cientistas, as partículas de poeira maiores compõem um grupo de meteoritos que é atraído pela Terra duas vezes por ano, acarretando duas chuvas de meteoros de atividade moderada: uma, a Orionidas, acontece entre 2 de outubro e 7 de novembro, com a máximo de atividade em 21 de outubro; a outra, denominada Eta Aquáridas, ocorre no mês de maio de cada ano.
Em 1835 e 1910 as aparições do cometa também foram brilhantes. Já em 1984 e 1985, cinco naves espaciais foram lançadas pela URSS, Japão e Comunidade Européia, ao encontro do Halley, para fotografá-lo e estudá-lo, enquanto um satélite da americana NASA, também foi preparado para registrar e analisar o efeito do vento solar no cometa. Anteriormente, o cometa Giacobini-Zinner, em 1985, também havia sido monitorado pelos cientistas americanos, e posteriormente, o cometa Grigg-Skjellerup, em 10 de Julho de 1992, mereceu a mesma atenção.
O núcleo do Halley tem a forma elipsoidal e mede aproximadamente 11 quilômetros de diâmetro, prevendo-se que dentro de 300.000 anos ele terá desaparecido completamente. Sua densidade é muito baixa, indicando que provavelmente é poroso, talvez por que haja muita sujeira remanescente. Sua próxima aparição está prevista para o ano de 2061.
Dentre os acontecimentos mais interessantes associados à passagem do cometa Halley, merecem destaque os seguintes:
- 12 antes de Cristo - Alguns teólogos sugeriram que a passagem do cometa nesse ano poderá estar associada à chamada estrela de Belém, que aparece na Bíblia.
- 837 - Segundo alguns cientistas, foi nesta passagem que o cometa mais se aproximou da Terra (4 milhões de quilômetros).
- 1066 - A passagem do cometa foi considerada como desastrosa para os ingleses. No final desse ano, Haroldo II, último rei da monarquia anglo-saxônica, morreu na batalha de Hastings e a Inglaterra passou a ser dominada por Guilherme I, duque da Normandia.
- 1835 - O conhecido escritor americano Mark Twain nasceu duas semanas depois da passagem do cometa. Na sua biografia, ele afirmou que “veio” com o Halley, e que “iria” embora com ele em 1910, por ocasião de sua próxima passagem. E o escritor morreu, realmente, nesse mesmo ano, no dia em que o cometa se aproximou da Terra.
- 1910 - Nessa passagem foram tiradas as primeiras fotos do cometa. Como, na época, se dizia que ele traria consigo grande quantidade de um gás mortal da família dos cianetos, o pânico foi geral, embora os cientistas desmentissem veementemente essa versão.
- 1986 - A última passagem do cometa pela Terra foi a menos espetacular de todas. A sonda Giotto passou pelo cometa e tirou fotografias dele.





