Mamíferos - BALEIA AZUL
Embora possa ser encontrada em todos os oceanos, a baleia azul prefere águas mais frias e fundas, razão pela qual costuma permanecer em latitudes próximas às calotas polares, onde a temperatura lhe é mais agradável e os mares ricos em alimento de sua preferência. Mas migra sazonalmente para águas tropicais ou temperadas, e é nelas que acontece a grande maioria dos acasalamentos entre indivíduos da espécie e ocorre o nascimento dos seus filhotes.
Dificilmente a baleia azul se aproxima do litoral brasileiro, tanto que o último registro sobre sua presença data de 1992, quando uma fêmea encalhou numa praia em Chuí, Rio Grande do Sul, a dois quilômetros da divisa com o Uruguai. Media 23,02m, e seu esqueleto encontra-se em exposição no Museu Oceanográfico do Rio Grande, na cidade do mesmo nome. Anteriormente, durante os 75 anos de duração da caçada desses animais em nossas águas, apenas quatro foram capturadas e poucas mais foram vistas.
Classificada como o maior mamífero existente na Terra, a baleia azul pode ter 30 metros de comprimento (o tamanho máximo já encontrado foi de 33 metros), peso em torno de 140 toneladas e expectativa de vida que presumidamente chega aos 60 anos, ou pouco mais. A maturidade sexual desse grande mamífero aquático é alcançada aos 8 anos de idade, aproximadamente, ou quando macho e fêmea atingem 22 e 24 metros, respectivamente (as fêmeas são maiores que os machos). O período de gestação das fêmeas se repete a cada 2 anos e dura 12 meses, ao fim dos quais nasce um filhote (baleato ou baleote) com 7 a 8 metros de tamanho e mais de duas toneladas de peso, que é amamentado durante 7 meses, em média, ingerindo diariamente cerca de 400 litros de leite, mais ou menos. Quando eles finalmente se afastam das mães, estão com 16 metros de comprimento e 21 toneladas de peso.
Ao contrário de outras espécies a baleia azul não forma grandes grupos, preferindo permanecer ao lado de uma ou duas companheiras. Possuindo corpo alongado, nada a uma velocidade de 5 a 15 quilômetros por hora, mas podendo chegar aos 30 caso esteja sendo perseguida pela orca, sua predadora. Em mergulhos mais profundos ela é capaz de descer aos 200 metros e permanecer sob as águas até 30 minutos, mas normalmente fica submersa por períodos de 3 a 10 minutos. Para sobreviver no oceano as baleias têm que ser capazes de nadar por longos períodos de tempo sem emergir para respirar, e se conseguem fazer isso é porque desenvolveram um sistema respiratório altamente sofisticado, que lhes permite melhor aproveitamento do oxigênio inalado. Os cachalotes, por exemplo, podem segurar a respiração de 80 a 90 minutos, mas as campeãs são as baleias bicudas que podem fazer o mesmo por até duas horas.
Além de não ter dentes (existentes em outras espécies) a baleia azul possui um esôfago muito estreito, e por isso nutre-se de pequenos peixes e organismos marinhos, preferentemente o krill, crustáceo com poucos centímetros de comprimento e parecido com o camarão, que vive em cardumes flutuando próximo à superfície das águas. Deles ela consome de 2 a 3 toneladas/dia, que captura enchendo a boca com grande quantidade de água (contendo o alimento) e depois deixando-a escoar através das barbatanas, compridas fileiras de cerdas que lhes pendem do céu da boca em posição lateral, e que atuam como uma grande peneira. Ou seja: o animal enche a boca de água e filtra o alimento ao expelir o líquido através das mesmas.
A baleia azul emite os mais altos ruídos do reino animal, existindo o registro de uma cujo som atingiu 180 decibéis, volume ensurdecedor para o ouvido humano e mais alto que o produzido pelo disparo de uma artilharia bastante próxima. Seus bramidos graves reverberam através da água durante mais ou menos 30 segundos e percorrem grandes distâncias, mas apesar desse conhecimento ninguém até hoje conseguiu explicar o sentido exato dessa altíssima cantoria, supostamente atribuída à conquista amorosa, ao acasalamento ou reuniões sociais.
A caça de animais de grande porte tornou-se um dos esportes favoritos dos ricos do século 19, e as demandas da moda ajudaram a colocar outras espécies em risco. Os animais do fundo do mar não estavam a salvo. Os baleeiros trocaram arpões manuais por uma versão explosiva disparada de um canhão e adotaram métodos de alta tecnologia tão bem sucedidos, que no final da década de 1960 apenas umas mil baleias azuis sobreviveram.
Em razão disso elas correm risco de extinção, pois sua população estimada talvez seja de 1.500 exemplares, em avaliação pessimista, ou 6.000, na otimista, conseqüência da caçada movida inicialmente às outras espécies a partir da segunda metade do século 19, e que resultou na morte de centenas de milhares desses mamíferos marinhos. Com o declínio de sua presença nos mares a atenção dos baleeiros voltou-se para as baleias azuis. Em 1864, o navio a vapor norueguês Svend Foyn foi equipado com arpões preparados para capturá-las. Posteriormente, em 1925, Estados Unidos, Inglaterra e Japão juntaram-se à Noruega nessa caçada sem limites, inclusive processando o que capturavam em grandes fábricas instaladas nas embarcações. Resultado: no ano de 1930, os tripulantes de 41 navios desse tipo mataram 28.325 baleias azuis.
A situação começou a mudar em 1948, quando as primeiras leis que restringiam o comércio de baleias foram aprovadas. Mas somente nos anos 60, com a proibição definitiva da caça às baleia azuis, nasceu a esperança de que um longo e gradual processo de aumento populacional dessa espécie tenha se iniciado, o que permitirá, enfim, sua retirada da lista dos animais atualmente ameaçados de extinção.
Entre as curiosidades sobre as gigantescas baleias azuis incluem-se as seguintes: seu pênis mede 1,8m, tem a grossura de um ser humano e contém um osso de 1 metro para mantê-lo parcialmente ereto; seus testículos são do tamanho de um carro pequeno; uma criança de meses seria capaz de rastejar dentro das suas artérias principais; seu coração bate apenas nove vezes por minuto; sob seu ventre estão ocultas duas mamas com 2,4 metros de comprimento, 50 centímetros de largura e 15 centímetros de espessura, que durante a aleitação produzem diariamente 600 litros de leite.





