Curiosidades - LUTANDO CONTRA A MORTE
Quando um sapo gritador brasileiro é ameaçado por um predador como o gambá, ele faz mais do que simplesmente inflar-se para não ser comido, como outros sapos fazem: escancara a boca e emite um grito assustador. Se o gambá se assustar e hesitar por apenas um momento, o sapo toma a iniciativa: pula em cima dele e morde-o antes de fugir.
Fazer o ruído de uma criatura muito mais feroz também pode deter intrusos. A coruja-de-toca das Américas (ilustração acima), do tamanho de um pombo-correio, faz barulho idêntico ao da cascavel para deter os intrusos que entrarem na sua toca escura. Por sua vez, o tentilhão-corta-garganta africano, ao ser emboscado, retorce-se e sibila como uma cobra, principalmente quando está protegendo seus ovos ou filhotes. Todas essas reações servem para assustar o atacante, confiando no medo inato que os animais têm de movimentos repentinos e barulhos altos. Elas podem fazer o caçador hesitar por tempo suficiente para a presa escapar, ou podem enervá-lo até ele ir embora.
Outra razão para o sucesso desse método de defesa talvez seja o medo que o próprio predador tem de virar presa. Muitos caçadores pequenos podem virar caça de uma hora para outra, principalmente quando a vítima cria uma confusão tal que atrai a atenção de inimigos maiores.
Gatos emboscados reagem mostrando os dentes, abaixando as orelhas e assoviando ferozmente. Com as costas arqueadas e os pêlos eriçados eles parecem maiores e mais fortes do que realmente são. Normalmente o gato tenta fugir de seu atacante, mas embora seja ágil e atento, há ocasiões em que ele tem que lutar, assim como fazem também outros animais com menores recursos de defesa, mas que mesmo assim brigam instintivamente quando a fuga é impossível. Quando isso acontece, a vítima pode até causar graves lesões em seu atacante.
Os leões são predadores de vários animais, mas ocasionalmente sua presa revida. O coice da zebra, por exemplo, pode quebrar-lhe os dentes, e o da girafa é capaz de derrubá-lo no chão, ou até mesmo aleijá-lo. Há relatos de um órix, ou guelengue-do-deserto (ilustração acima), grande antílope africano, que enfiou os chifres longos e encurvados em um leão e jogou-o por cima das costas. Também foi vista uma manada de gnus enfurecidos pisoteando até a morte leões que estavam caçando. Vários babuínos amarelos, quando muito excitados, atacam leopardos, e até mesmo a lerda preguiça da América do Sul pode ser provocada a dar um violento golpe com seus braços. Na Europa, texugos emboscados por cachorros amestrados revidam, causando, às vezes, ferimentos graves em seus atacantes. Nos mares, as focas tentam desviar baleias assassinas de seus filhotes, e os golfinhos transformam-se em carneiros submarinos quando, em alta velocidade, matam tubarões predadores com repetidas marradas dadas com seus focinhos.
O tamanduá-mirim, um habitante da América do Sul do tamanho de um esquilo, é uma criança vagarosa que passa a maior parte do tempo dormindo em árvores. Mas quando ameaçado por corujas ou harpias, ele põe as patas dianteiras na frente da cara, mostrando as enormes garras existentes em cada uma delas. Essas garras são armas formidáveis capazes de estripar um cachorro, e desencorajam qualquer predador.
A estrela-sol, um dos vários tipos de estrela-do-mar, alimenta-se basicamente de lapas, moluscos que passam sua vida adulta aderidas a uma rocha, uma baleia ou um barco. Mas as lapas têm um mecanismo de defesa extraordinário. Assim que é tocada pela estrela-do-sol ela estende sobre sua concha um manto de superfície tão escorregadia que sua agressora não consegue agarrá-la.
Uma das espécies de lapas, a de sapatilhas, é comumente encontrada formando uma pilha nos bancos de areia das águas lamacentas do Atlântico Norte. Na base dessa coluna ficam as mais velhas e as maiores, todas fêmeas. Perto do topo encontram-se as mais novas, todas machos. Os machos têm o pênis muito maior que o seu corpo para que ele possa alcançar uma fêmea posicionada na base. Cada casal libera bandos de larvas no mar, onde elas bóiam até alcançarem 50 mm de tamanho, alimentando-se, durante esse tempo, de pequenos organismos filtrados da água. Como elas precisam prender-se a uma superfície firme, o que não é encontrado com facilidade nos mares onde vivem, assim que uma delas encontra o local adequado para firmar-se libera um odor especial para anunciar seu achado. As outras larvas são então atraídas para o local, iniciando, a partir daí, uma nova colônia.
O louva-a-deus deitado à espera de qualquer inseto pequeno que passe no seu caminho, mantém os membros anteriores debaixo da cabeça, pronto para agarrar uma refeição com reações relâmpago. Mas, às vezes, ele é forçado a uma posição defensiva diante da aproximação de um outro comedor de insetos, o musaranho de rua (na ilustração acima), mamífero pertencente a uma família (Soricomorpha) que inclui animais de pequeno porte (cerca de 10cm, com alguns não ultrapassando os 2,5cm), mas que apesar disso são capazes de atacar, matar e devorar presas com o dobro do seu tamanho.
Fonte: Segredos do Mundo Animal





