A a D - CORPO SECO DA TOCA DO CASSUNUNGA - Paraty-RJ
Embora os portugueses liderados por Martim Afonso de Souza tenham chegado às terras de Paraty nos anos iniciais do século 16, somente em 1597 se ficou sabendo que lá existia um povoado. Na época do seu descobrimento a região era habitada pelos índios goianases, cujo aldeamento ficava às margens do Rio Perequê-Açu, que desemboca no mar, junto ao que hoje é conhecido como centro histórico da cidade.
A respeito desta, sabe-se que João Pimenta de Carvalho, procurador da donatária da capitania de São Vicente (a que Paraty pertencia), fundou no local, em 1630, um povoado, construindo junto ao morro que hoje tem o nome de Forte, uma capela dedicada a São Roque. Em 1636 ele doou para sua filha, Maria Jácome de Melo, uma sesmaria de légua e meia, tendo o Rio Perequê-Açu ao centro – local onde futuramente cresceria a cidade. Em 1667 o rei Afonso VI elevou o então povoado à categoria de vila, dando-lhe o nome de “Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty”. Que cresceu, ganhou importância, transformando-se em uma bela cidade colonial que preserva até hoje os seus inúmeros encantos naturais e arquitetônicos.
Entre os primeiros encontra-se a Toca do Cassununga (ou Kassunga), antigo cemitério indígena situado num dos extremos da Praia do Jabaquara, que tem dois quilômetros de extensão, em um bairro que além de ser próximo ao centro da cidade concentra grande quantidade de pousadas e quiosques à beira-mar. Diz a lenda que ali foi enterrado um homem que durante a vida fez tanto mal aos seus semelhantes que, quando morreu, não foi recebido nem por Deus, nem por Satanás. Como a própria terra não aceitou seu corpo, certo dia, ele levantou-se da tumba com a pele enrugada sobre os ossos, a roupa em frangalhos, e daí em diante passou a vagar durante as horas mais tristes da noite, assustando as pessoas que passam por aquele trecho da estrada. Ele é o Corpo Seco.
Localizada próximo a região dos mangues, a Toca do Cassununga tem altura em torno de 15 metros. Grandes blocos de pedra que rolaram de lugares mais altos ali foram se superpondo em formações de rochas curiosamente encaixadas, compondo abrigos com numerosos espaços cobertos e interligados. Após percorrer uma galeria de 30 metros de extensão o visitante chega à estreita trilha que o conduz ao alto das furnas. O interior da Toca é ventilado e relativamente bem iluminado por luz natural, mostrando seus rochedos recobertos por samambaias, bromélias, urtiga de cipó caboclo, entre outras espécies vegetais. Ali, vários sítios arqueológicos e sambaquis acusam a presença de antigos povoadores, proporcionando aos turistas que passam por ali, donos de imaginação fértil e sonhadora, uma curiosa e interessante viagem ao passado.
Outro grande atrativo da Praia do Jabaquara são as lamas medicinais do Rio Jabaquara, cujo percurso atravessa a praia. Com águas de temperatura morna e piso de areia e lama, a praia apresenta uma bela vegetação rasteira, pedras imensas, sendo também um excelente local de pesca de crustáceos.
Em sua área encontram-se o Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Área de Proteção Ambiental do Cairuçú, onde está a Vila da Trindade, a Reserva da Joatinga, e ainda, faz limite com o Parque Estadual da Serra do Mar. Ou seja, é Mata Atlântica por todo lado.
Em Paratiando, da Associação Viva Paraty, encontra-se a informação de que “do alto do morro do Forte se vêem a Paraty atual e a praia do Jabaquara, onde fica o sítio arqueológico da Toca do Cassununga, um impressionante arranjo natural de rochedos que faz parte do lendário da cidade, e sob o qual está enterrado um cemitério indígena que remonta à primitiva ocupação da região”, seguida pelo esclarecimento de que “Diz o lendário de Paraty que, na Toca do Cassununga, vive uma aparição chamada Corpo Seco. Trata-se se um homem que seviciou a própria mãe e levou a vida praticando maldades. Por isso, quando morreu, não foi acolhido nem por Deus nem pelo Diabo. A própria terra expulsou seu corpo e até hoje ele vaga por lá, na calada da noite, assombrando os passantes com a pele sobre os ossos. Também se diz que na Toca se reunia o Clube dos Luvas Negras, grupo ligado à Maçonaria, que tinha a missão de punir membros faltosos e executar inimigos da seita”.





