Parques e reservas - PARQUE ESTADUAL VASSUNUNGA - Santa Rita do Passa Quatro-SP

O Parque Estadual do Vassununga está situado no município paulista de Santa Rita do Passa Quatro, na região nordeste do Estado, distante cerca de 253 quilômetros da capital estadual e com uma população de 26.420 habitantes, de acordo com o Censo de 2010. Seus principais ecossistemas são o de Cerrado e o de Mata Atlântica

 

Criado pelos decretos estaduais 52.546, de 26/10/1970, e 52.720, de 12/03/1971, o Parque Estadual do Vassununga é um dos últimos remanescentes do meio ambiente de Mata Atlântica interior na região. Está localizado às margens da Rodovia Anhanguera e tem uma área total de 1.732,14 hectares, dividida em seis glebas independentes: uma de cerrado - Pé de Gigante, com 900 hectares, e as outras cinco cobertas por vegetação típica da Mata Atlântica (Capão da Várzea, 14,035 hectares; Capetinga Oeste – 339,81 hectares; Praxedes – 157,22 hectares; Maravilha – 130,075 hectares; e Capetinga Leste – 191 hectares).

 

Todas as glebas possuem acesso fácil, seja pela própria via Anhanguera, seja pelas estradas vicinais existentes na área. Além disso, existem diversas estradas de terra em boas condições de tráfego, nas quais trafegam, sem problemas, carros de passeio, caminhões e ônibus.  

 

A criação dessas áreas ecológicas foi motivada pela necessidade de preservação dos mamíferos ainda existentes na região, como o gato-do-mato, a cotia, a paca, a irara e o cachorro-da-mão-pelada, além do cachorro-vinagre, do veado-campeiro, onça-parda, capivara, lobo-guará e macaco-prego, entre outras. Assim como também das aves que tinham ali o seu habitat, entre elas o macuco, o papagaio, pato-selvagem, tucano, sanhaço, pica-pau, bem-te-vi, seriema, gavião, perdiz, sabiá, inhambu-chororo, sabiá, beija-flor, inhambu-xitã, maritaca e outros mais (na ilustração, entrada do Parque, em foto de Álvaro Xavier)

 

As árvores também foram alcançadas por essa proteção. E são muitas as que oferecem madeira de primeira qualidade, como a peroba-rosa, a copaíba, o cedro-rosa e principalmente, os jequitibás, que formam ali a maior concentração dessa espécie em um só lugar. São os jequitibás-rosa, brancos, vermelhos, cravinho e outros, encontrados no Parque em grande quantidade, destacando-se entre os primeiros um espécime considerado por muitos pesquisadores como o mais velho existente no Brasil (na ilustração abaixo), já que tem idade estimada em 3.000 anos. Suas medidas são realmente impressionantes: tronco com 3,6 metros de diâmetro, mais de 40 metros de altura, e copa com 11,5 metros de circunferência.

       

As professoras Fernanda Padovesi e Eliane Kuvasney, do Departamento de Geografia da USP, relatam em Trabalho de Campo que as glebas do Parque Estadual Vassununga “são pequenos fragmentos de vegetação natural circundados por uma matriz de cultura de cana de açúcar, citros e silvicultura de eucaliptos. Outros remanescentes de vegetação natural que são observáveis na área estão situados em zonas de alta declividade ou nas margens dos rios, na sua quase totalidade em estágio avançado de degradação devido principalmente aos efeitos da fragmentação”. Essa fragmentação faz com que todas as glebas permaneçam permanentemente ameaçadas não só por fatores naturais, mas principalmente pela atividade agrícola e pastoril em seu entorno.  

 

O trabalho das professoras inclui também o parecer do engenheiro florestal Everton José Ribeiro, gestor daquela unidade de conservação. Diz ele que “se não houver o manejo do Parque, as glebas que o compõem vão continuar se degradando, seja pelo efeito de borda, seja pelo isolamento e pela falta de conectividade entre as glebas, seja pela invasão de espécies exóticas, dentre outros fatores. O diretor do Parque indica como prioritárias a realização de pesquisas nas áreas de capacidade suporte à visitação, do estudo sobre os efeitos de borda nos fragmentos, do manejo dos cipós e proteção das bordas, do desenvolvimento de técnicas de revegetação, de conservação dos recursos hídricos, da fauna e, especificamente, dos jequitibás. As questões que o manejo deve responder e que suas ações deveriam suprir são: como glebas separadas entre si podem manter suas funções de conservação da diversidade biológica? Quais são as ações necessárias para a manutenção do status das glebas que compõem o Parque? Como conseguir a cooperação dos proprietários rurais dos entornos das glebas para que exerçam suas atividades minimizando os impactos sobre os fragmentos florestais?”

 

Relatos feitos em diversos veículos de informação esclarecem que “as áreas naturais preservadas do parque são um exemplo de antigas práticas da ocupação agrária que inicialmente eram de pecuária e agricultura de subsistência, e posteriormente a 1850 migrou para a cultura do café”. Naquela época os antigos proprietários rurais tinham como prática comum a manutenção de reservas de florestas por motivos diversos, como a conservação do solo para futuras expansões de cafezais, por litígios jurídicos sobre títulos de propriedade, maior declividade nas furnas, nascentes e mananciais, com finalidades de retirada de madeira para as construções, instalação de viveiros de pés de café, prática da caça e a proteção ambiental.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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