Peixes - TUBARÃO BALEIA
O tubarão-baleia, facilmente reconhecível devido à sua grande boca e tamanho colossal, é o maior peixe vivo conhecido. Identificado pela primeira vez em 1828, na costa da África do Sul, teve seu nome científico – Rhincodon typus - criado apenas em 1984, recebendo o apelido popular pelo qual é tratado graças ao grande tamanho que tem.
Ele se alimenta basicamente de plâncton, embora também coma regularmente cardumes de pequenos peixes, krill (uma espécie de camarão minúsculo) e lulas. Apesar de possuir várias fileiras de dentes em forma de gancho, estes não atuam na sua alimentação, pois a água que lhe entra pela boca enquanto nada, e sai através dos arcos das brânquias, leva junto a comida que precisa, e esta é logo engolida. Apesar disso, ele também se alimenta de forma ativa, explorando concentrações de plâncton ou pequenos peixes através do olfato.
Única espécie da sua família, o tubarão-baleia vive em águas oceânicas quentes de todo o mundo, exceto no Mar Mediterrâneo. No Oceano Atlântico, seu território se estende da costa nordeste dos Estados Unidos à costa central do Brasil, e do Senegal, na África, até o Golfo de Guiné, nos Camarões. Ele também é encontrado em todo o Oceano Índico, mas no Pacífico sua presença só é constatada do Japão ao leste da Austrália, e da Califórnia ao Chile. Os pesquisadores acreditam que o tubarão-baleia migra diversas vezes por ano, embora não existam, até o momento, provas sólidas que confirmem essa presunção. Eles também tinham a quase certeza de que esse peixe preferia percorrer sozinho seu caminho pelos mares, mas como já foram avistados muitos deles agrupados em cardumes nos lugares onde o alimento era abundante, tal suposição começa a ser repensada pelos pesquisadores.
Os pesquisadores que estudam o comportamento desses grandes tubarões sabem que eles aparecem regularmente nos mesmos locais e em determinadas épocas do ano, certamente para aproveitar alguns acontecimentos também regulares, como a desova dos corais e o florescimento de plâncton, que constitui a base de sua alimentação. Por esta razão, tornaram-se o centro de uma grande indústria de ecoturismo em algumas partes do mundo, principalmente na costa ocidental da Austrália, onde os interessados fazem fila para ter a oportunidade de mergulhar e nadar junto com essas dóceis criaturas.
O tubarão-baleia, cujo tamanho pode chegar aos vinte metros e seu peso a 12.000 quilos, é descrito de várias formas, por diferentes autores. Em uma dessas descrições, publicada em HowStuffWorks, fica-se sabendo que ele dificilmente é confundido com outro peixe simplesmente devido ao seu tamanho. Além de ser o maior peixe dos mares, há alguns outros traços físicos que podem ajudar a identificá-lo. Sua cabeça é larga e achatada, e ao contrário da maioria dos tubarões, sua boca fica quase na ponta do focinho, ao invés de sob ele. Outro traço único do tubarão-baleia é o padrão das listras e manchas de cor clara existentes em seu dorso, que variam do azul-acinzentado ao marrom. Existem, ainda, milhares de pintas de cor creme espalhadas em um padrão que os estudiosos acreditam ser único para cada animal, assim como acontece com a impressão digital humana.
Assim como acontece com a maioria dos tubarões, os hábitos reprodutivos dos tubarões-baleia também são pouco conhecidos. Até 1995, os pesquisadores sabiam muito pouco sobre o ciclo reprodutivo desses grandes peixes. Muitos estudiosos acreditavam, inclusive, que eles fossem ovíparos, ou seja, que depositassem suas ovas no leito do mar.
Mas, em 1995, uma grande fêmea dessa espécie foi capturada e observada. Os cientistas descobriram, então, que ela estava grávida de 300 filhotes cujo tamanho variava dos 42 aos 63 centímetros. Descobriu-se, então, que o tubarão-baleia é vivíparo. Como são escassas as pesquisas sobre esse grande peixe, não se sabe ao certo por quanto tempo exatamente ele vive. Mas os tubarões levam vidas notoriamente longas e o tamanho do tubarão-baleia indica que ele pode viver até os 100 anos.
A pesca excessiva e a popularidade da sopa de barbatana de tubarão vêm reduzindo a população desses animais, em geral. No que diz respeito aos tubarões-baleia, eles estão sujeitos a uma grande redução em seu número de exemplares devido à idade avançada em que atingem a maturidade sexual. Alguns países lhes dão proteção através de leis específicas, mas eles são caçados em outros, principalmente em Taiwan e Filipinas. Mais de 100 tubarões são mortos anualmente somente em Taiwan, o que vêm causando sérias preocupações quanto ao futuro de um peixe que cresce lentamente e que demora três dezenas de anos para atingir a maturidade.





