Moluscos - LULA-GIGANTE

A imprensa divulgou há certo tempo a imagem do corpo de uma lula gigante (na ilustração) encontrado em Tenerife, a maior das ilhas do Arquipélago das Canárias, já sem parte de seus tentáculos. Segundo a nota explicativa, ela pode ter chegado a 8 metros de comprimento total (do alto do corpo à ponta dos tentáculos). Dessa notícia surgiu uma pergunta que a grande maioria da população mundial não consegue responder: o que é uma lula-gigante?

 

Desde muito tempo os homens têm ouvido comentários sobre perigosos monstros marinhos com longos braços que abraçavam embarcações e as levavam com eles para o fundo do oceano. Em “Odisséia”, Homero, poeta épico que viveu na Grécia Antiga entre 9 e 8 antes de Cristo, falou de Cida, dona de belo torso de mulher, mas tendo na cintura seis cabeças de serpentes com três fileiras de dentes.

 

Em “Vinte Mil Léguas Submarinas”, publicado em 1870, Júlio Verne descreveu o ataque de uma lula de grande tamanho ao submarino Náutilus. Segundo o autor, “um aperto dos braços enormes dessa criatura monstruosa poderia envolver um navio de quinhentas toneladas e jogá-lo nas profundezas do mar”. Outros escritores também criaram histórias semelhantes, certamente inspirados nas esporádicas aparições reais da lula-gigante (Architeuthis spp), ou de sua parenta, a lula-colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni).

 

Sabe-se pouca coisa sobre as lulas gigantes, pois elas são vistas raramente. Até pouco tempo, a única vez em que os cientistas tinham tido oportunidade de examinar algo relacionado com elas foi quando encontraram pedaços de seus tentáculos no estômago de uma baleia cachalote, espécie a que pertencem seus únicos predadores. Mas as cicatrizes em forma de ventosas nas mandíbulas das baleias testemunham a batalha que estes animais são obrigados a travar para capturar a presa.

 

Os pesquisadores fizeram testes de DNA nesses tentáculos e descobriram, posteriormente, que eles tinham as mesmas características dos de outras lulas-gigantes encontradas próximas ao Japão.

 

Por muito tempo sua existência foi considerada um mito da criptozoologia, ciência que estuda espécies animais lendárias, mitológicas, hipotéticas ou avistadas por poucas pessoas (como vampiro, lobisomem, monstro do Lago Ness, abominável homem das neves, mapinguari, pé-grande e outros), incluindo a apuração de ocorrências atribuídas a animais presumidamente extintos.

 

Aos que os consideram como pseudocientistas, os criptozoólogos demonstram a importância de seu trabalho apontando animais como o ornitorrinco, o dragão-de-komodo, o celacanto e a própria lula-gigante, que em tempos passados eram considerados fantasias alucinadas, mas hoje são conhecidos como animais reais graças aos estudos por eles desenvolvidos.

 

Em Setembro de 2004, a imprensa noticiou que a equipe dos pesquisadores japoneses Tsunemi Kubodera, do Museu Nacional Científico de Tóquio, e Kyoichi Mori, da Associação de Observação das Baleias Ogasawara, conseguiu fotografar pela primeira vez num exemplar vivo desse animal perto das ilhas Ogasawara, no Pacífico Norte. O animal de oito metros de comprimento agarrou-se a uma isca presa a uma corda lançada a 900 metros de profundidade, tendo lutado durante quatro horas para se libertar. Nessa luta ele perdeu um dos tentáculos no processo, que foi recolhido e examinado pelos cientistas. Media 5,5 metros de comprimento e ainda se movia. As fotos feitas nessa ocasião foram divulgadas um ano depois em uma revista científica.

 

Em julho de 2007 os jornais voltaram a informar que uma lula-gigante, com mais de quatro metros de comprimento (ilustração acima), apareceu morta numa praia da ilha da Tasmânia, na Austrália. O animal, que os especialistas de Parques e Vida Selvagem da Tasmânia acharam que pertencia ao gênero Architeuthis, nunca tinha sido visto no litoral oeste da ilha. Mas ele é o alimento habitual dos cachalotes, maior representante das baleias com dentes e que frequentemente também ficam encalhados na região, informou a rádio estatal. O comprimento exato do animal não fora determinado porque seus tentáculos se encontravam danificados, mas "deviam ser enormes", segundo afiançou uma autoridade local.

 

Existem cerca de 300 espécies diferentes de lula. Os primos menores das lulas-gigantes são mais conhecidos, embora não menos fascinantes. Elas são criaturas rápidas, ágeis e surpreendentemente inteligentes, com cérebros mais próximos em relação aos mamíferos do que os peixes ou répteis.

 

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